O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), levou na quarta-feira (20) à Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, a proposta de uma articulação internacional para regular o mercado de apostas eletrônicas. O governo brasileiro sustenta que o avanço dos jogos online já virou tema de saúde pública e de endividamento.
No Brasil, a Plataforma de Autoexclusão Centralizada foi lançada em dezembro de 2025 pelos ministérios da Saúde e da Fazenda. Segundo o Ministério da Saúde, 512 mil pessoas já pediram bloqueio de acesso a sites de apostas em seis meses.
Mais da metade desses pedidos, ainda segundo a pasta, veio de pessoas que relataram sofrimento mental. O dado reforça a pressão por regras mais duras sobre publicidade, acesso de menores e funcionamento das plataformas.
O SUS passou a oferecer neste ano teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas ligados a apostas. O serviço recebeu investimento de R$ 2,5 milhões e atende maiores de 18 anos, além de familiares e rede de apoio.
O ministério também diz ter ampliado o atendimento presencial na atenção primária, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e nas urgências. A pasta lançou ainda o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas.
Padilha afirmou que a falta de regras para jogos virtuais impulsiona o endividamento e agrava o sofrimento mental. Ele disse que a experiência brasileira no controle do tabaco pode ajudar a construir medidas mais firmes para o setor.
Em 2023, o Congresso Nacional aprovou a primeira regulamentação para o setor de apostas. Desde então, o governo tenta avançar em novas travas para publicidade e proteção de crianças e adolescentes.
Na mesma agenda em Genebra, o Brasil e a República Dominicana assinaram um memorando de entendimento para pesquisas e tecnologias em saúde pública. O acordo prevê ações sobre mortalidade materna e neonatal, saúde escolar, saúde digital, vacinas contra febre amarela e resposta a emergências sanitárias.
Padilha também teve reuniões bilaterais com ministros da Saúde de Moçambique, Irã e Egito, além de encontros com representantes de Portugal. O movimento mostra que o governo quer levar o debate das apostas para além da fronteira brasileira.
O dado mais duro da agenda é simples: o vício em apostas já chegou ao sistema de saúde e ao bolso de milhares de famílias. O governo agora tenta transformar esse diagnóstico em regra internacional.
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