Alcolumbre dá fôlego a Flávio Bolsonaro após bate-boca com Lindbergh

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), segurou nesta quinta-feira (21) a leitura dos pedidos de CPMI do Banco Master logo depois de um bate-boca no Congresso Nacional entre Lindbergh Farias (PT-RJ) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A trava adiou a investigação sobre Daniel Vorcaro e deixou a sessão marcada pela disputa direta entre a base de Lula e a direita bolsonarista.

Alcolumbre indeferiu os pedidos de leitura no início da sessão conjunta convocada para analisar vetos à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026. O presidente do Congresso disse que o momento da leitura é ato discricionário da Presidência e que a votação dos vetos teria prioridade por beneficiar municípios pequenos.

A decisão pesou porque os requerimentos citados por parlamentares já tinham assinaturas acima do mínimo constitucional. O Blog do Esmael registrou um pedido com 238 deputados e 42 senadores, enquanto outro requerimento foi citado na sessão com 181 deputados e 35 senadores. Para uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), são necessários 171 deputados e 27 senadores.

O centro político da sessão, porém, foi o embate entre Flávio Bolsonaro e Lindbergh. O filho zero um do ex-presidente pediu a CPI do Master e defendeu o financiamento privado recebido para o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador afirmou que o investimento teria vindo de alguém que, naquele momento, não tinha nada que desabonasse sua conduta.

Lindbergh reagiu cobrando explicações públicas de Flávio Bolsonaro sobre a relação com Vorcaro. O deputado perguntou se o senador havia visitado o banqueiro um dia depois de ele sair da prisão com tornozeleira eletrônica e citou a aplicação de R$ 970 milhões do RioPrevidência no Banco Master, no Rio de Janeiro, governado por Cláudio Castro (PL-RJ).

Lindbergh também citou mensagens e áudios atribuídos à relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, incluindo tratamento pessoal ao banqueiro e questionamentos sobre o financiamento do filme Dark Horse. O petista disse que o senador deveria responder “por respeito ao Brasil” às perguntas feitas sobre o caso.

Flávio Bolsonaro rebateu deslocando a cobrança para Lula. Ele afirmou que o presidente teve reunião com o banqueiro no fim de 2025, fora da agenda oficial. O senador disse já ter dado explicações e perguntou o que Lula fazia em uma “reunião secreta”.

Flávio Bolsonaro, no direito de resposta, associou o Banco Master ao CredCesta, na Bahia, e atacou Lula. Lindbergh afirmou ser falsa a versão de que a esquerda não quer investigação, citando pedidos protocolados por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

Portanto, Alcolumbre não segura a CPMI contra apenas um lado. Ele trava uma investigação cobrada por parlamentares da esquerda e da direita, embora cada campo tente usar o Master para atingir o adversário.

A decisão de Alcolumbre de não ler os requerimentos dá tempo a Vorcaro, ao Banco Master e aos políticos que podem ser chamados a explicar relações, reuniões, aportes, fundos e interesses cruzados.

No Paraná, isso atravessa Sergio Moro (PL) e Gleisi Hoffmann (PT) por caminhos diferentes. Moro está no Senado, integra o campo bolsonarista e tenta preservar a marca anticorrupção, embora defenda Flávio Bolsonaro. Gleisi está na Câmara, integra a base de Lula e já se moveu pela investigação, o que impede tratar a esquerda paranaense como omissa na CPMI.

Deltan Dallagnol não assina requerimento porque não tem mandato. Ele entra apenas como personagem eleitoral, não parlamentar, pois disputará o mesmo eleitorado que cobra discurso anticorrupção em 2026. Entretanto, o ex-deputado cassado ancorou sua pré-candidatura à imagem de Flávio Bolsonaro.

O bate-boca desta quinta-feira deixou o caso Master mais claro para o eleitor: Flávio Bolsonaro tenta transformar a CPI em defesa política, Lindbergh tenta colar Vorcaro no clã Bolsonaro, e Alcolumbre segura a caneta que poderia abrir a investigação. A consequência prática é uma só: sem leitura, não há CPMI; sem CPMI, Flávio Bolsonaro ganha tempo.

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