95% dos eleitores ouvidos no Paraná não sabem citar uma lei ou projeto do senador Sergio Moro (PL), segundo a pesquisa IRG divulgada nesta quinta-feira (21). O dado atinge a vitrine que o ex-juiz tenta trazer de Brasília para a disputa pelo governo estadual em 2026.
O número não diz que Moro não apresentou propostas. Ele mostra outra coisa, mais dura para uma campanha majoritária: a produção legislativa do senador não virou lembrança concreta para quase todo o eleitorado entrevistado pela sondagem.
Moro está no mandato iniciado em 2023 e ainda tem mandato até 2031, portanto, ele tem mais quatro anos para tentar virar esse jogo da produção legislativa.
A aprovação do trabalho dele aparece em 54,6%, contra 35,1% de desaprovação e 10,3% de eleitores que não souberam responder. O contraste político está aí: Moro tem maioria de aprovação, mas quase ninguém consegue apontar uma entrega legislativa com nome e sobrenome.
Para quem pretende trocar o Senado pelo Palácio Iguaçu, a pergunta vira munição eleitoral. Se o eleitor conhece o personagem, mas não lembra a obra parlamentar, adversários ganham uma linha simples de ataque: qual lei de Moro mudou a vida do Paraná?
A desaprovação também mostra recortes sensíveis. Entre as mulheres, 38,3% desaprovam o trabalho de Moro. Entre eleitores com 60 anos ou mais, a desaprovação chega a 39,6%. A pesquisa não informa, nesse bloco, as razões da avaliação negativa.
A bancada paranaense no Senado sai mal no teste de lembrança. Flávio Arns (PSB), também listado na pesquisa, tem 36,4% de aprovação, 32,8% de desaprovação e 30,8% de eleitores sem resposta.
No caso de Arns, 93% dos entrevistados não sabem citar lei ou projeto do senador. O dado pesa porque ele cumpre mandato desde 2019, com período até 2027.
Oriovisto Guimarães (PSDB) aparece com 20,8% de aprovação, 32,3% de desaprovação e 46,9% de eleitores que não souberam responder. Ele também cumpre mandato de 2019 a 2027.
A lembrança legislativa de Oriovisto é a pior entre os três senadores medidos: 97,5% dos entrevistados disseram não saber citar uma lei ou projeto dele. Apenas 2,5% responderam que sim.
A fotografia da IRG separa popularidade de memória de mandato. Moro aparece como o nome mais forte da bancada no índice de aprovação, mas o dado dos 95% sem lembrança concreta abre uma brecha no discurso de eficiência que acompanha sua carreira pública desde a Lava Jato.
A pesquisa não permite afirmar por que o eleitor aprova ou desaprova cada senador. Ela mede percepção. Também não substitui levantamento oficial de projetos apresentados, relatados ou aprovados. O que ela revela é a distância entre mandato em Brasília e reconhecimento popular no Paraná.
O levantamento ouviu 1.000 eleitores entre os dias 16 e 20 de maio, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-06178/2026.
A disputa de 2026 passa por esse ponto. Moro pode ter voto, recall e presença nacional, mas a IRG colocou no centro da campanha uma pergunta simples, verificável e difícil de driblar: o que o mandato dele entregou ao Paraná que o eleitor consiga lembrar?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




