O senador Sergio Moro (PL) lidera a nova sondagem da IRG Pesquisas para o governo do Paraná, divulgada nesta quinta-feira (21), mas o dado que mais interessa ao Palácio Iguaçu está no desempenho de Sandro Alex (PSD) quando aparece associado ao governador Ratinho Junior (PSD).
No cenário estimulado sem padrinhos políticos, Moro marca 39,4%. Requião Filho (PDT) aparece com 18,1%, Rafael Greca (MDB) tem 14,7%, Sandro Alex soma 12,3%, Tony Garcia (DC) registra 0,9% e Luiz França (Missão) fica com 0,3%.
O primeiro retrato mostra Moro isolado na dianteira e Sandro ainda atrás de Requião Filho e Greca. Para Ratinho Junior, o problema não é pequeno: seu candidato aparece em quarto lugar quando o eleitor vê apenas os nomes.
O quadro muda quando Greca sai da cartela e os pré-candidatos são apresentados com apoios nacionais ou estaduais. Moro, com o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), vai a 40,6%. Sandro Alex, com o apoio de Ratinho Junior, sobe para 26,2% e assume o segundo lugar.
Requião Filho, apresentado com o apoio do presidente Lula (PT), aparece com 20,5%. Tony Garcia, com apoio de Aldo Rebelo (DC), marca 1,2%. Luiz França, com apoio de Renan Santos (Missão), fica com 0,9%.
É nesse ponto que o chamado DataRatinho entrega o recado político. A máquina estadual ainda não vence Moro, mas empurra Sandro para fora do porão eleitoral. O deputado praticamente dobra sua pontuação quando o eleitor é informado de que ele é o nome do governador.
A sondagem também mostra que o Paraná ainda não fechou a cabeça sobre a sucessão. No cenário espontâneo para governador, quando os nomes não são apresentados, 63,8% dizem não saber ou não respondem. Moro aparece com 14,3%, Requião Filho com 7,6%, Ratinho Junior com 4,4%, Sandro Alex com 3,2% e Greca com 3,1%.
O número espontâneo é relevante porque mede lembrança real, não apenas reação a uma lista. Moro larga com vantagem porque já é conhecido no estado. Sandro ainda depende da carona de Ratinho. Requião Filho aparece como herdeiro de um campo político que precisa organizar o palanque de Lula no Paraná.
Nas simulações de segundo turno, Moro também aparece à frente. Contra Requião Filho, o senador marca 55,4%, contra 31,2% do deputado estadual. Não sabe ou não respondeu somam 8,6%, e nenhum, branco ou nulo chegam a 4,8%.
Contra Sandro Alex, a diferença cai. Moro aparece com 43,2%, e Sandro chega a 38,1%. Não sabe ou não respondeu somam 9,7%, enquanto nenhum, branco ou nulo chegam a 9%.
Esse é o dado que o Palácio Iguaçu deve guardar. Sandro perde, mas encosta. A distância de 5,1 pontos no segundo turno, considerando margem de erro de 3,1 pontos, transforma a disputa em cenário competitivo se a campanha estadual conseguir nacionalizar menos Moro e estadualizar mais Ratinho.
O Paraná chega à pré-campanha com uma contradição evidente. Ratinho Junior tem máquina, obras, base municipal e candidato escolhido. Moro tem voto próprio, nome conhecido e dianteira nas pesquisas. A pergunta que fica é se o governador conseguirá transferir prestígio a Sandro antes que o eleitor cristalize a disputa em torno do ex-juiz.
A pesquisa ouviu 1.000 pessoas no Paraná entre os dias 16 e 20 de maio. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, com índice de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-06178/2026.
Sondagem não é urna. Mas, quando o próprio ambiente político ligado ao governador mostra Sandro crescendo só com a bênção de Ratinho, o recado é direto: a sucessão estadual ainda depende mais do padrinho do que do afilhado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




