O senador Sergio Moro (PL-PR) e o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) reagiram em tom de confronto nesta terça-feira (19), no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu encontro com Daniel Vorcaro após a prisão do dono do Banco Master. A crise encosta no palanque da direita no Paraná e pega a dupla Moro-Deltan em sequência de derrotas judiciais e políticas.
Flávio Bolsonaro reconheceu ter se encontrado pessoalmente com Vorcaro depois de o banqueiro ser preso em 2025 e liberado com tornozeleira eletrônica. O senador disse que a reunião serviu para encerrar tratativas sobre financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
A visita ocorreu na residência de Vorcaro, em São Paulo, no fim de 2025, quando o dono do Banco Master já havia deixado a prisão. O próprio filho zero um do ex-presidente admitiu a aliados que foi à casa do banqueiro.
A maré não está para peixe para a dupla que tenta transformar a Lava Jato em passaporte eleitoral no Paraná. Deltan levou uma tungada no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e outra no Supremo Tribunal Federal (STF). Moro, por sua vez, reagiu a uma fala de Lula sobre a Petrobras com xingamento político e a velha defesa da operação.
No TRE-PR, a juíza auxiliar Gisele Lemke julgou improcedente a representação do Diretório Estadual do Novo contra o professor Thiago Bagatin, pré-candidato a deputado estadual pelo PCdoB. A ação tentava enquadrar uma postagem antiga, de maio de 2023, como propaganda eleitoral negativa contra Deltan para 2026.
A decisão afirmou que a publicação de Bagatin não tinha contemporaneidade com a eleição de 2026, não fazia pedido de não voto e se inseria no debate público sobre fato político da época. A Procuradoria Regional Eleitoral também opinou pela improcedência da representação.
No STF, o baque veio com Gilmar Mendes. O decano derrubou decisão do TRE-PR que mandava retirar publicações do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) contra Deltan. Segundo o Blog do Esmael, Gilmar entendeu que as críticas estavam baseadas em decisões e documentos públicos e não configuravam desinformação nem propaganda eleitoral antecipada negativa.
Deltan reagiu nas redes acusando Gilmar de parcialidade, falando em “absolutismo de toga” e dizendo que o ministro o julgou apesar de seus advogados terem pedido suspeição. A reação tenta deslocar o debate do conteúdo das decisões para a guerra contra o STF, terreno em que o Novo e a direita bolsonarista buscam mobilizar militância.
Moro também entrou no modo ataque. Depois de Lula dizer, em evento da Petrobras em Paulínia, que o combate à corrupção deveria punir responsáveis sem prejudicar trabalhadores nem a estatal, o ex-juiz chamou o presidente de “cara de pau” e voltou a defender a Lava Jato.
A fala de Lula foi direta. O presidente afirmou que setores de direita acreditaram nas “falcatruas” que Moro teria tentado fazer com a Lava Jato e disse que a operação prejudicou a imagem da Petrobras. A frase atingiu o nervo político de Moro porque recoloca a operação no campo do dano econômico, não apenas da disputa judicial.
O problema para Moro é que a defesa da Lava Jato já não circula no vazio. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou por unanimidade, em maio de 2023, o registro de candidatura de Deltan, então deputado federal mais votado do Paraná. A decisão segue como marca central da biografia eleitoral do ex-procurador.
A coincidência política é ruim para a direita paranaense. Flávio Bolsonaro tenta explicar sua relação com Vorcaro; Deltan tenta reagir a derrotas judiciais; Moro tenta salvar a narrativa da Lava Jato; e a aliança PL-Novo no Paraná fica exposta a uma crise nacional que não nasceu no estado, mas pode atravessar a eleição de 2026.
O caso Vorcaro não atinge apenas Flávio Bolsonaro. Ele cobra preço de quem amarrou destino político ao bolsonarismo e à reciclagem eleitoral da Lava Jato. No Paraná, Moro e Deltan descobriram nesta terça-feira (19) que o passado continua batendo à porta, agora com Banco Master, STF, TRE-PR e Petrobras na mesma conta.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




