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Governo lança campanha pelo fim da escala 6×1

O Governo do Brasil lançou neste domingo, 3 de maio, a campanha pelo fim da escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, sem redução de salário. A ofensiva publicitária tenta empurrar para o centro do debate uma mudança que, segundo o governo, pode alcançar 37 milhões de trabalhadores.

A proposta mira a rotina de quem trabalha 44 horas por semana e quase não tem tempo livre fora do expediente. O Planalto sustenta que a redução da escala melhora a vida familiar, o descanso e a saúde, sem mexer no salário.

O texto enviado ao Congresso em mensagem presidencial assinada por Luiz Inácio Lula da Silva, em 13 de maio, reduz o limite semanal de 44 para 40 horas e mantém dois dias de repouso remunerado. A mensagem foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

Na prática, a mudança consolida o modelo 5×2 e atinge também categorias com regras próprias, como domésticos, comerciários, aeronautas e radialistas, além de prever negociação coletiva para definir os dias de descanso. O governo diz que a regra vale para escalas especiais, desde que respeitada a média semanal.

Os números ajudam a explicar por que o tema ganhou peso político. Em um universo de 50,2 milhões de trabalhadores celetistas, 37,2 milhões fazem jornada de 44 horas semanais, 26,3 milhões não recebem horas extras remuneradas e 14,8 milhões estão na escala 6×1, segundo dados citados pelo governo com base no Ministério do Trabalho e Emprego e no Sebrae.

O Planalto também tenta vender a medida como política econômica, não só trabalhista. A linha oficial é que jornadas mais equilibradas podem reduzir afastamentos, melhorar o desempenho e diminuir a rotatividade, num país que registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho em 2024.

O debate, porém, não está fechado. O governo fala em impacto social amplo, enquanto empresários e setores produtivos ainda medem o custo da mudança e o efeito sobre a organização das empresas.

Fora do Brasil, o tema já avançou em outros países. Chile e Colômbia estão em transição para jornadas menores, e experiências em Reino Unido, Portugal e Islândia são usadas pelo governo como vitrine para defender produtividade com mais tempo de vida.

O ponto central é simples: o governo quer transformar a escala 6×1 em peça de campanha e em projeto de lei com efeito direto sobre salário, descanso e rotina de milhões de brasileiros.

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