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Gleisi cola BolsoMaster no clã Bolsonaro

A deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT-PR) elevou nesta sexta-feira (15) o caso BolsoMaster ao núcleo familiar de Jair Bolsonaro ao chamar o Banco Master de “banco da família Bolsonaro e de seus cúmplices”, em reação à nova reportagem do The Intercept Brasil sobre Eduardo Bolsonaro e o filme “Dark Horse”. A fala é acusação política, que muda o eixo da crise para 2026.

O ponto novo é que o Intercept afirma ter obtido contrato e mensagens que atribuiriam a Eduardo Bolsonaro poder de gestão e decisão sobre a produção do filme, ao lado de Mário Frias e da GoUp Entertainment. A reportagem também diz que uma minuta de aditivo qualificava Eduardo como financiador, embora não confirme se o aditivo foi assinado.

A escalada de Gleisi interessa ao PT porque tira a discussão do terreno defensivo do “filme privado” e empurra o caso para uma pergunta eleitoral: quem bancou, quem administrou e quem se beneficiaria do projeto sobre Jair Bolsonaro. Esse é o conflito que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, terá de enfrentar fora das redes bolsonaristas.

O primeiro ponto do caso é documental. O Intercept afirma que mensagens e documentos indicam tratativas financeiras ligadas ao “Dark Horse”, inclusive com recursos negociados por Flávio Bolsonaro junto a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo a reportagem, Vorcaro teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões, dos quais ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

O segundo ponto é a defesa pública. Em entrevista à imprensa, Flávio Bolsonaro admitiu a possibilidade de novos diálogos ou encontros com Vorcaro virem a público, mas sustentou que o contato com o banqueiro se restringiu ao filme sobre Jair Bolsonaro. Ele também negou que Eduardo tenha se beneficiado dos recursos.

O terceiro ponto é a acusação política. Gleisi usou a reportagem para transformar o caso em linha nacional de ataque contra o clã Bolsonaro. Ao falar em “família Bolsonaro” e “cúmplices”, a petista busca colar o Banco Master não apenas em Flávio Bolsonaro, mas também em Eduardo Bolsonaro, em Mário Frias e no entorno político que orbitava o projeto audiovisual.

O vocabulário mudou. A esquerda começou tratando os áudios como constrangimento de campanha, porque Flávio Bolsonaro aparecia pedindo dinheiro a Vorcaro. Com a nova reportagem, o discurso passou a falar em engrenagem financeira, emendas, fundos nos Estados Unidos e possível uso político de dinheiro privado em ano eleitoral.

O Blog do Esmael também registrou que Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado financiamento com Vorcaro para o filme, mas negou contrapartida e disse que a negociação não tinha relação com a investigação contra o banqueiro. O blog apontou que o caso complica a candidatura do senador porque o Banco Master se tornou um ponto de desgaste transversal na política brasileira.

Para 2026, a crise atinge a direita em dois lugares sensíveis. O primeiro é a narrativa moral do bolsonarismo, construída sobre discurso anticorrupção, família e combate ao sistema. O segundo é a confiança interna de aliados que agora precisam defender uma operação financeira internacional antes mesmo de a campanha começar.

O risco para Flávio Bolsonaro não está apenas no áudio já conhecido. Está na sequência. Quando o próprio senador admite que novos diálogos podem aparecer, a crise deixa de ter uma data de encerramento previsível. Cada nova peça documental reabre a pergunta sobre origem, caminho e destino do dinheiro.

A defesa de Eduardo Bolsonaro também entrou no centro da disputa. Ele negou ter recebido recursos do fundo usado para produzir o “Dark Horse” e afirmou não ter exercido gestão ou emprego no fundo, dizendo que apenas cedeu direitos de imagem. A negativa existe, mas não elimina a disputa sobre o que dizem os documentos citados pelo Intercept.

Gleisi aposta no desgaste nacional porque o caso conversa com o eleitor que não acompanha tecnicalidade jurídica, mas entende a contradição política. Um filme sobre Bolsonaro, dinheiro de banqueiro investigado, mensagens atribuídas ao filho candidato e documentos envolvendo outro filho formam uma sequência difícil de reduzir a “perseguição”.

A leitura editorial possível, com os fatos disponíveis, é que o BolsoMaster entrou na fase de narrativa nacional. Ainda não há decisão judicial dizendo que houve crime no financiamento do filme, mas já há material suficiente para transformar a defesa de Flávio Bolsonaro em pauta diária de campanha.

A direita pode tentar segurar Flávio Bolsonaro como nome presidencial, mas o PT já encontrou uma linha de ataque simples para 2026: perguntar por que o clã Bolsonaro orbitava dinheiro de Daniel Vorcaro enquanto vendia ao país uma imagem de pureza moral.

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