Início / deltan dallagnol

Novo ensaia substituto para Deltan no Senado do Paraná

O Novo sustenta que Deltan Dallagnol (Novo-PR) pode disputar o Senado em 2026, mas a própria pré-campanha do ex-deputado cassado já convive com uma pergunta que o partido tenta controlar: quem ocupa a vaga se a Justiça Eleitoral fechar a porta antes do registro ou depois da votação.

A dúvida tem efeito direto no Paraná porque duas vagas ao Senado estarão em disputa em 2026. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) informa que serão 54 cadeiras em disputa no país, duas por estado e duas pelo Distrito Federal, o que torna a chapa majoritária mais sensível a riscos jurídicos.

O Novo publicou, em 9 de abril, uma nota afirmando que Deltan está elegível e que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023 teria atingido apenas o registro da candidatura de 2022, sem produzir inelegibilidade automática para eleições futuras.

Esse é o discurso oficial. O problema político é outro.

Em 16 de maio de 2023, o TSE cassou por unanimidade o registro de candidatura de Deltan a deputado federal. Ele havia recebido mais de 345 mil votos e se tornado o deputado federal mais votado do Paraná.

O ruído jurídico voltou a crescer porque a discussão sobre a situação eleitoral de Deltan chegou novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao debate eleitoral no Paraná. O ministro Flávio Dino, do STF, derrubou em 11 de maio uma decisão liminar do TRE-PR que mandava retirar do ar reportagem sobre a situação eleitoral do ex-deputado.

Dino tratou da liberdade de expressão e de imprensa, não de uma declaração final sobre o direito de Deltan disputar o Senado. Essa distinção interessa ao eleitor porque o Novo tenta transformar a controvérsia em ataque político, enquanto adversários tentam vender a cassação de 2023 como impedimento líquido e certo para 2026.

A disputa subiu mais um degrau quando o ministro Gilmar Mendes foi sorteado relator de reclamação constitucional do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) contra decisão que determinou a remoção de postagem sobre a inelegibilidade de Deltan. O caso mistura liberdade de expressão, imunidade parlamentar, propaganda eleitoral antecipada negativa e a tentativa do Novo de blindar seu principal nome ao Senado.

A brecha do plano B apareceu em entrevista registrada pela Rádio Guaçu de Toledo. Questionado sobre alternativa para a candidatura, Deltan citou o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, e o advogado Jeffrey Chiquini como nomes possíveis do partido. A fala não confirma troca de candidato, mas admite que o Novo tem peças no banco.

O que ocorre é que a declaração de Deltan Dallagnol despertou os instintos mais primitivos de oposicionistas, da direita à esquerda, passando pelo centro, que já iniciaram a confecção de dossiês recheados até com delação premiada. Um horror, cujos detalhes o Blog do Esmael não se sujeita a publicar. São histórias capazes de arrepiar os cabelos do ministro Alexandre de Moraes e do líder de Ratinho Junior (PSD) na Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD).

Como pouca confusão é bobagem no Novo do Paraná, a influência de Deltan na seção paranaense subiu no telhado. O governador Ratinho Junior soltou a mão do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e, nos bastidores, já articula um palanque presidencial com o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo). Ou seja, a aliança PL-Novo está por um triz após o ex-deputado cassado divulgar nota oficial desautorizando a direção nacional do Novo.

Esse é o ponto sensível para a direita paranaense. Deltan é um nome forte no eleitorado lavajatista, conversa com o antipetismo e ajuda a manter viva a dobradinha política com Sergio Moro (PL). Ao mesmo tempo, a indefinição jurídica cria custo para aliados, doadores, prefeitos e candidatos proporcionais que precisam saber se o palanque terá estabilidade até outubro.

O caminho mais limpo seria o Requerimento de Declaração de Elegibilidade (RDE). A Resolução nº 23.754, de 2 de março de 2026, do TSE permite que pré-candidato ou partido, diante de dúvida razoável sobre capacidade eleitoral passiva, peça à Justiça Eleitoral uma declaração antecipada. O mesmo artigo prevê impugnação por partido, federação e Ministério Público.

O RDE não é cheque em branco. A resolução diz que o reconhecimento da capacidade eleitoral passiva fica restrito ao objeto do pedido e vale para a disputa imediatamente seguinte. Isso significa que Deltan e o Novo poderiam buscar uma resposta formal para a dúvida central, sem depender apenas de nota partidária, entrevista ou guerra de versões.

Sem esse passo, o Novo entra na pré-campanha com dois discursos simultâneos. Para fora, diz que Deltan é candidato. Para dentro, precisa calcular o dano de uma candidatura contestada numa eleição em que o eleitor votará em dois nomes ao Senado e em que cada palanque tentará reduzir risco antes das convenções.

Portanto, o Novo já foi obrigado a responder sobre alternativas, e Deltan já convive com uma dúvida que não depende mais só da narrativa partidária.

A eleição ao Senado no Paraná pode premiar quem chegar com voto, estrutura e segurança jurídica. Deltan tem voto e vitrine, mas ainda carrega uma pergunta que o Novo não resolve com slogan.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Folha gruda Filipe Barros no caso Master e leva crise ao palanque de Flávio Bolsonaro no Paraná; Direita se divide no Senado e PT vê Gleisi na briga por uma das vagas no Paraná; Gleisi Hoffmann leva vitória da 6×1 para disputa do Senado

🔴 SUPERLIVE DE APURAÇÃO 04/10/2026 | PRIMEIRO TURNO