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Quaest leva crise entre PF e STF para dentro da nova pesquisa presidencial

A Quaest inicia nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, uma nova pesquisa nacional para a Presidência da República que mede o impacto da crise envolvendo a Polícia Federal (PF), o Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e o banqueiro Daniel Vorcaro. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026 e tem divulgação prevista oficialmente para 14 de setembro (próxima segunda-feira).

Contratada pela TV Globo, a pesquisa terá 2.004 entrevistas presenciais em todo o país, com eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro máxima estimada é de aproximadamente 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O questionário revela que a Quaest decidiu medir especificamente os efeitos políticos da crise institucional que envolve Moraes e Mendonça. Os entrevistados serão perguntados se já tinham ouvido falar do caso ou se ficaram sabendo durante a entrevista.

A pesquisa apresenta aos eleitores a seguinte sequência de acontecimentos: Mendonça tornou público um relatório da PF com mensagens entre Vorcaro e um número atribuído a Moraes; posteriormente, Moraes pediu investigação sobre Mendonça por suposto abuso de autoridade e questionou sua atuação no caso; depois, Mendonça determinou o afastamento preventivo de dois diretores da PF por suspeitas de monitoramento ilegal contra ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A partir desse relato, a Quaest pergunta quem estaria agindo corretamente no conflito: Alexandre de Moraes, André Mendonça, os dois, nenhum dos dois ou se o entrevistado não sabe responder. A pesquisa também procura saber se a crise no STF interfere na escolha presidencial.

Nesse ponto está uma das perguntas politicamente mais relevantes da rodada. O entrevistado deverá dizer se o episódio reforça sua escolha atual para presidente, se o leva a considerar uma mudança de voto ou se não exerce influência sobre sua decisão.

A Quaest também vai medir a confiança dos eleitores no STF, na Presidência da República e no Congresso Nacional. Os entrevistados terão de classificar cada instituição entre “confia muito”, “confia pouco” e “não confia”.

A crise do STF não aparece isoladamente. O questionário inclui uma bateria de perguntas sobre o Banco Master e o impacto político das investigações envolvendo Daniel Vorcaro. A Quaest pergunta qual instituição ou grupo teve a imagem mais afetada pelo escândalo: Congresso, STF, governo Lula e PT, Banco Central, governo anterior e família Bolsonaro ou todos eles.

A rodada também testa a corrida presidencial com Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Escritor Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Pablo Marçal (PRTB), entre outros nomes. Há dois cenários de primeiro turno e cinco simulações de segundo turno, todas com Lula contra diferentes adversários.

Além da intenção de voto, a pesquisa mede aprovação do governo Lula, preocupação dos brasileiros, interesse nas eleições, percepção sobre quem deverá vencer a disputa e avaliação da honestidade dos principais candidatos.

Outro eixo chama atenção: a Quaest pergunta qual seria, na visão do eleitor, o melhor resultado para o Brasil entre uma nova vitória de Lula, o retorno da família Bolsonaro ao governo, a eleição de um candidato moderado fora da polarização ou a vitória de alguém de fora da política e também fora da polarização.

A pesquisa ainda investiga propostas de mudança no funcionamento do STF, incluindo mandato fixo para ministros, participação do Congresso e do Judiciário nas indicações, restrição às decisões monocráticas, novo código de ética, exigências profissionais e quarentena para políticos antes de uma indicação ao Supremo.

O desenho amostral combina sorteio probabilístico de municípios e setores censitários com cotas de sexo, idade, renda e escolaridade. A documentação informa ainda que 30% dos questionários serão submetidos a checagem de áudio para fiscalização da coleta.

A nova rodada, portanto, chega com uma combinação de disputa presidencial, avaliação do governo e teste de confiança nas instituições. O dado mais esperado será saber se a crise envolvendo PF e STF consegue ultrapassar o debate institucional e produzir efeito mensurável na intenção de voto para presidente.

Leia a íntegra da nova rodada da Quaest e acompanhe os números no Blog do Esmael.