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Deltan chega ao debate do Senado após vitória no TRE-PR

Deltan Dallagnol (Novo) chega ao primeiro grande debate dos candidatos ao Senado pelo Paraná, nesta quarta-feira, 9 de setembro, menos de 24 horas depois de obter no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) uma vitória apertada que autorizou sua candidatura. O encontro da Band Paraná começa às 22h45, em Curitiba, e coloca o ex-deputado diante de cinco adversários em uma disputa por duas cadeiras.

Participam Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). A emissora confirmou a presença dos seis candidatos e informou que o debate terá três blocos, além de uma rodada de perguntas com jornalistas convidados.

A decisão do TRE-PR transformou Deltan no principal personagem político da noite. Na terça-feira, 8 de setembro, a Corte terminou o julgamento com placar de 4 votos a 3 pelo deferimento do registro. O presidente do tribunal, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, desempatou a votação ao acompanhar a relatora, juíza Vanessa Jamus Marchi.

O resultado rejeitou a impugnação apresentada contra a candidatura. A relatora sustentou que a situação jurídica examinada nas eleições anteriores não impede automaticamente a candidatura de Deltan em 2026 e considerou relevantes os fatos atuais relacionados aos procedimentos disciplinares que envolviam o ex-procurador.

A decisão, porém, não encerra definitivamente a disputa judicial. As partes contrárias ao registro podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Portanto, Deltan entra no debate autorizado pelo TRE-PR, mas ainda sob a possibilidade de uma nova análise da Justiça Eleitoral.

Deltan terá de defender a vitória no tribunal diante das câmeras

O timing coloca a questão jurídica no centro do confronto. O candidato do Novo poderá apresentar a decisão do TRE-PR como uma confirmação de sua tese de elegibilidade, enquanto os adversários terão espaço para questionar os fundamentos adotados pela maioria da Corte.

A controvérsia não é nova. Em 2023, o TSE havia indeferido o registro de Deltan para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2022, em processo relacionado à sua saída do Ministério Público Federal (MPF) enquanto havia procedimentos disciplinares em andamento. A discussão sobre os efeitos daquela decisão reapareceu no pedido de registro para o Senado em 2026.

O debate, portanto, oferece aos cinco concorrentes uma oportunidade de testar a estratégia eleitoral diante do próprio Deltan. A questão não será apenas jurídica. A disputa envolve também a tentativa de conquistar o eleitorado que colocou o candidato do Novo entre os nomes competitivos da corrida pelas duas vagas.

Pesquisa mostra Deltan no centro da disputa

A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 3 de setembro ajuda a dimensionar o tamanho do problema para os adversários. Deltan aparecia com 30,8% das intenções de voto para o Senado, seguido por Alexandre Curi, com 28,4%, Gleisi Hoffmann, com 25,7%, e Filipe Barros, com 22,9%.

Cristina Graeml tinha 14,4% e Dr. Rosinha, 13%. Como cada eleitor podia indicar até dois candidatos, os percentuais não podem ser somados para representar 100% do eleitorado. O levantamento ouviu 1.280 eleitores em 56 municípios entre 31 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e registro PR-03399/2026.

Esse cenário explica por que o debate interessa diretamente à estratégia dos seis candidatos. Deltan chega com uma posição eleitoral relevante e uma decisão judicial favorável recém-conquistada. Curi, Gleisi e Filipe aparecem próximos na pesquisa, enquanto Cristina e Dr. Rosinha tentam ampliar seu espaço na disputa.

A pesquisa do IRG realizada entre 31 de agosto e 3 de setembro também mostra uma corrida fragmentada. No segundo voto, Filipe Barros marcou 12,8%, Dr. Rosinha 12,4%, Alexandre Curi 12,3%, Deltan 12,1%, Cristina Graeml 10,8% e Gleisi 6,8%. Foram entrevistadas 1.200 pessoas, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais e registro PR-02179/2026.

Os números reforçam a característica peculiar da eleição para o Senado em 2026: cada eleitor paranaense escolherá dois candidatos. Por isso, uma campanha pode avançar não apenas retirando votos de um adversário direto, mas também disputando o segundo voto de eleitores que já possuem uma primeira preferência.

Quem tentará dividir o eleitorado de Deltan?

É nesse ponto que o debate pode produzir consequência eleitoral.

Deltan possui uma identidade política associada à Lava Jato, ao discurso anticorrupção e à oposição ao campo político de esquerda. Filipe Barros disputa parte desse eleitorado pela direita e pelo campo bolsonarista. Cristina Graeml também busca espaço nesse segmento, enquanto Alexandre Curi tenta combinar uma candidatura de centro-direita com a estrutura política do grupo governista.

Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, por sua vez, disputam o eleitorado de esquerda. A presença de dois candidatos do PT acrescenta uma questão própria à estratégia da legenda: ampliar a votação do campo petista sem deixar que a divisão entre os dois nomes reduza sua capacidade de conquistar as duas cadeiras.

O confronto também permitirá observar se os candidatos escolherão concentrar fogo em Deltan ou atacar adversários do mesmo campo eleitoral. Uma ofensiva coordenada contra o candidato do Novo pode reforçar sua centralidade na eleição. Já uma disputa pulverizada pode favorecer quem conseguir ocupar o espaço político deixado pelos concorrentes.

O fator Zanin também pode aparecer

Outro episódio recente envolvendo Deltan pode entrar no debate.

Na semana passada, o candidato anexou ao processo eleitoral documentos que continham dados protegidos por sigilo fiscal e bancário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin e de sua esposa. O TRE-PR colocou os documentos sob sigilo e determinou providências no caso. Zanin pediu responsabilização dos envolvidos.

O episódio ganhou novo peso após o julgamento de terça-feira. Ao deferir o registro, o TRE-PR também aplicou multa de R$ 100 mil a Deltan por litigância temerária relacionada à juntada dos documentos sigilosos, segundo informações sobre a decisão.

Se o tema for levado ao confronto desta noite, Deltan terá de responder politicamente a uma questão que ultrapassa a controvérsia sobre sua elegibilidade.

Primeiro teste eleitoral de Deltan após o TRE-PR

Deltan chega ao debate do Senado após vitória no TRE-PR
Fotos: reprodução

O debate da Band acontece, portanto, em uma circunstância incomum: Deltan entra no estúdio com uma decisão judicial favorável recém-proferida, mas com possibilidade de recurso ao TSE e com adversários que têm motivos eleitorais para explorar a controvérsia.

A noite também será o primeiro grande teste público da capacidade dos demais candidatos de confrontar o nome que liderava a pesquisa Paraná Pesquisas para o Senado.

Mais do que apresentar propostas, os seis candidatos terão de escolher onde colocar seus ataques e qual eleitorado pretendem conquistar. Para Deltan, a tarefa será transformar a vitória jurídica em segurança política. Para os adversários, o desafio será impedir que o julgamento do TRE-PR se transforme em impulso eleitoral para o candidato do Novo.

O debate começa às 22h45 desta quarta-feira, 9 de setembro.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura do debate e os efeitos do confronto sobre a disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado.

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