Índice de Tópicos
- Deltan é o primeiro vencedor
- Alexandre Curi ganha espaço na conta
- Moro também entra na lista dos vencedores
- Álvaro Dias ganha uma porta para 2027
- Ratinho Junior também pode mirar 2027
- Filipe Barros é um dos que perdem
- Gleisi também enfrenta uma disputa mais dura
- A batalha pelo terceiro lugar pode ser o verdadeiro conflito
- E se o TSE mudar a decisão?
- A conta política depois do 4 a 3
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A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que por 4 votos a 3 deferiu nesta terça-feira (8) o registro de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado, redesenha a disputa pelas duas vagas do Paraná e beneficia diretamente o próprio candidato, Alexandre Curi (Republicanos), Sergio Moro (PL), Álvaro Dias (MDB) e, numa hipótese de nova eleição em 2027, até o governador Ratinho Junior (PSD).
Deltan saiu do julgamento com a candidatura liberada, embora tenha recebido multa de R$ 100 mil pela juntada de documentos protegidos por sigilo fiscal e bancário no processo. O caso ainda pode chegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, no cenário atual, seu nome está autorizado a disputar a eleição de 4 de outubro.
O efeito político da decisão é imediato porque Deltan aparece na liderança de levantamentos recentes para o Senado. Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 3 de setembro, ele marcou 30,8% das intenções de voto, seguido por Alexandre Curi, com 28,4%. Gleisi Hoffmann (PT) apareceu com 25,7% e Filipe Barros (PL), com 22,9%.
A pesquisa entrevistou 1.280 eleitores entre 31 de agosto e 2 de setembro. Como cada eleitor escolhe dois senadores, os percentuais não podem ser transformados mecanicamente em uma previsão das duas vagas. Eles, porém, mostram a fotografia eleitoral que alimenta a leitura dos partidos.
É justamente essa fotografia que os chamados luas-pretas do Centro Cívico passaram a considerar depois do julgamento do TRE-PR.
Deltan é o primeiro vencedor

O candidato do Novo é o vencedor mais evidente.
Deltan chegou ao julgamento com uma candidatura juridicamente contestada e saiu com o registro deferido pela Justiça Eleitoral paranaense. O placar de 4 a 3 não encerra a disputa judicial, porque ainda existe a possibilidade de recurso ao TSE, mas permite que sua campanha avance com o nome oficialmente autorizado pela instância regional.
Há também um fator eleitoral.
As pesquisas recentes colocam Deltan no bloco da frente. No levantamento do Paraná Pesquisas, ele aparece numericamente à frente de todos os concorrentes. No IRG, realizado entre 31 de agosto e 3 de setembro, o ex-procurador também aparece entre os nomes mais competitivos: 12,1% no segundo voto, em um cenário no qual Filipe Barros marcou 12,8%, Dr. Rosinha 12,4% e Alexandre Curi 12,3%.
O dado reforça a tese política de que a decisão do TRE-PR não apenas preservou uma candidatura, mas manteve na corrida um nome com capacidade de disputar uma das duas cadeiras.
Alexandre Curi ganha espaço na conta

O segundo beneficiário é Alexandre Curi.
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná aparece entre os dois primeiros colocados no levantamento mais recente do Paraná Pesquisas, com 28,4%, atrás de Deltan e à frente de Gleisi e Filipe.
A leitura dos bastidores é que Curi se beneficia de uma eleição na qual Deltan concentra parte importante do voto conservador e mantém uma candidatura própria, sem deixar a disputa inteiramente aberta para Filipe Barros.
Curi, nesse cenário, passa a disputar a segunda vaga com uma posição numericamente favorável.
Isso não significa eleição garantida. A votação para o Senado é diferente de uma disputa majoritária de uma única vaga: cada eleitor poderá escolher dois nomes, e a combinação entre os votos é decisiva.
Mas a permanência de Deltan cria uma referência eleitoral que, na avaliação dos estrategistas ouvidos nos bastidores, pode favorecer Curi na composição do voto duplo.
Moro também entra na lista dos vencedores

Sergio Moro aparece como outro beneficiário político da permanência de Deltan.
A razão está na composição da chapa ao governo do Paraná.
Deltan e Filipe Barros formam uma frente eleitoral de direita na disputa pelo Senado, enquanto Moro disputa o Palácio Iguaçu pelo Partido Liberal. A presença de Deltan na urna amplia a identificação entre a candidatura ao Senado e o campo político que sustenta Moro.
A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 3 de setembro colocou Moro na liderança da disputa pelo governo, com 45%, contra 24% de Requião Filho (PDT).
Nesse ambiente, Deltan funciona politicamente como um nome capaz de mobilizar o eleitorado identificado com a direita e reforçar a chapa de Moro.
A ressalva é importante: isso é uma leitura de bastidor, não um efeito mensurável diretamente pela pesquisa.
Álvaro Dias ganha uma porta para 2027

Álvaro Dias aparece em uma posição diferente.
O ex-senador não é candidato ao Senado em 2026, mas seu nome continua presente nas articulações políticas do Paraná. A hipótese levantada nos bastidores é que uma eventual cassação posterior de Deltan, caso ele seja eleito, poderia provocar uma nova eleição para a vaga.
Nesse cenário, Álvaro poderia voltar ao jogo.
A possibilidade, porém, deve ser tratada como hipótese política, não como fato consumado.
A decisão desta terça-feira não determina nova eleição e tampouco existe, neste momento, decisão do TSE cassando Deltan. Para que uma eleição suplementar em 2027 entre efetivamente no radar, seria necessário que o registro ou o mandato de Deltan sofresse uma decisão posterior com efeitos capazes de provocar a vacância da cadeira.
Ainda assim, a hipótese já circula no Centro Cívico porque Álvaro tem histórico eleitoral e segue sendo lembrado nas pesquisas.
Na pesquisa Quaest de julho, ele aparecia com 20% na soma dos dois votos para o Senado, liderando os cenários em que seu nome era apresentado. A mesma pesquisa mostrava Alexandre Curi com 14%, Deltan com 12%, Filipe Barros com 12% e Gleisi Hoffmann com 11%.
Ratinho Junior também pode mirar 2027

O governador Ratinho Junior aparece na mesma equação de longo prazo.
Caso uma eventual cassação de Deltan produza uma nova eleição para o Senado em 2027, o governador poderia ser um dos nomes com condições políticas de entrar na disputa.
Até lá, Ratinho estará fora do governo e juridicamente habilitado para disputar o cargo naquele momento, desde que exista uma eleição suplementar convocada pela Justiça Eleitoral.
Portanto, a possibilidade de Ratinho concorrer ao Senado em 2027 pertence hoje ao campo das hipóteses políticas.
Ela ganha espaço nos bastidores porque a presença de Deltan cria uma situação inédita: uma candidatura autorizada pelo TRE-PR, mas ainda sujeita a eventual revisão pelo TSE.
Filipe Barros é um dos que perdem

No outro lado da equação está Filipe Barros.
O deputado federal do PL disputa uma das duas cadeiras e aparece entre os nomes competitivos, mas a presença de Deltan torna a disputa dentro do campo da direita mais congestionada.
No Paraná Pesquisas, Filipe marcou 22,9%, atrás de Deltan, Curi e Gleisi.
A leitura dos estrategistas é que Deltan ocupa parte importante do eleitorado conservador que poderia ser disputado por Filipe.
Isso não significa que Filipe esteja fora da disputa. Pelo contrário: 22,9% o coloca ainda dentro do bloco competitivo.
O problema é que, com duas vagas e quatro nomes numericamente fortes, a diferença entre ficar entre os dois eleitos e terminar em terceiro pode depender de poucos pontos e, sobretudo, da forma como o eleitor combinará seus dois votos.
Gleisi também enfrenta uma disputa mais dura

Gleisi Hoffmann é outra candidata que perde espaço relativo com a manutenção de Deltan na corrida.
A deputada federal do PT aparece com 25,7% no Paraná Pesquisas, acima de Filipe, mas abaixo de Deltan e Curi.
A petista ainda tem um eleitorado próprio e apresenta uma das maiores estruturas políticas entre os candidatos ao Senado. O problema, segundo os luas-pretas do Centro Cívico, é que a permanência de Deltan cristaliza uma disputa na qual ela precisa superar pelo menos um dos nomes posicionados à frente.
A situação é agravada pela rejeição.
No mesmo levantamento, Gleisi registrou 42,3% de rejeição, o maior índice entre os candidatos testados. Deltan apareceu com 12%, enquanto Curi marcou 6,3% e Filipe Barros, 5,9%.
A rejeição não determina o resultado eleitoral, mas reduz o universo potencial de combinações do segundo voto.
A batalha pelo terceiro lugar pode ser o verdadeiro conflito
A permanência de Deltan na disputa muda a pergunta política.
Em vez de discutir apenas quem lidera, as campanhas precisam saber quem ocupará as duas posições de eleição.
No cenário atual das pesquisas, Deltan e Curi aparecem à frente, enquanto Gleisi e Filipe disputam a faixa seguinte.
Por isso, os bastidores passaram a tratar Gleisi e Filipe como os principais prejudicados pela decisão do TRE-PR.
A situação pode mudar rapidamente porque ainda há quase um mês até a votação e porque o eleitorado do Senado permanece pouco consolidado.
Na pesquisa Quaest de 24 de agosto, 53% dos entrevistados afirmavam que ainda poderiam mudar o voto para o Senado.
Ou seja: a fotografia atual é relevante, mas não é sentença eleitoral.
E se o TSE mudar a decisão?

É justamente aqui que o jogo jurídico volta a interferir na política.
O TRE-PR autorizou Deltan por 4 votos a 3. A maioria considerou que os fatos existentes em 2026 não reproduzem automaticamente a situação analisada pelo TSE em 2023.
A tese vencedora também sustentou que os procedimentos disciplinares que serviram de base para o julgamento anterior foram posteriormente arquivados ou perderam eficácia, alterando o quadro jurídico e fático.
A posição derrotada, por outro lado, considerou que a decisão do TSE continua produzindo efeitos e que a inelegibilidade prevista na alínea “q” da Lei Complementar nº 64/1990 permanece aplicável.
O caso, portanto, pode voltar ao TSE.
E esse é o ponto que impede qualquer conclusão definitiva sobre a eleição senatorial.
Se o TSE mantiver Deltan na disputa, consolida-se o cenário atual: Deltan e Curi na frente das pesquisas, com Gleisi e Filipe tentando romper a barreira das duas vagas.
Se o TSE reformar a decisão do TRE-PR e impedir Deltan de concorrer, a eleição muda de configuração e abre espaço para uma redistribuição dos votos.
É nesse segundo cenário que os perdedores de hoje podem virar beneficiários amanhã.
Caso o TSE mantenha a decisão do TRE-PR, Filipe e Gleisi terão de mudar suas estratégias para continuarem vivos na corrida pelo topo.
A conta política depois do 4 a 3
O julgamento desta terça-feira produziu, portanto, dois mapas.
No primeiro, imediato, Deltan é o principal vencedor, Curi ganha estabilidade na disputa pelas duas vagas e Moro recebe um reforço político para sua chapa ao governo.
No segundo, de médio prazo, Álvaro Dias e Ratinho Junior aparecem como possíveis beneficiários de uma eventual eleição suplementar, caso Deltan seja eleito e posteriormente perca a cadeira por decisão judicial com efeitos que provoquem nova eleição.
Do outro lado, Filipe Barros e Gleisi Hoffmann precisam enfrentar uma disputa mais apertada pelas duas cadeiras.
Os números explicam a tensão: Deltan tem 30,8%, Curi 28,4%, Gleisi 25,7% e Filipe 22,9% no levantamento mais recente do Paraná Pesquisas.
Mas a política paranaense ainda não chegou à urna.
A decisão do TRE-PR apenas mudou o ponto de partida: Deltan agora está autorizado a disputar, enquanto adversários e aliados recalculam o valor de cada voto.
O próximo capítulo será escrito no TSE, caso haja recurso. E, dependendo desse resultado, os vencedores e perdedores desta terça-feira podem trocar de lado.
Continue acompanhando os bastidores do poder, da política e das eleições 2026 pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




