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Folha gruda Filipe Barros no caso Master e leva crise ao palanque de Flávio Bolsonaro no Paraná

A Folha de S.Paulo publicou neste sábado (13) uma coluna de Celso Rocha de Barros que amplia o cerco político sobre Filipe Barros (PL-PR) no caso Banco Master; depois de O Globo ligar o deputado paranaense a iniciativas legislativas que poderiam beneficiar Daniel Vorcaro, a nova cobrança desloca o problema para o palanque de Flávio Bolsonaro no Paraná, onde Filipe, Sergio Moro (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) desfilaram juntos em Curitiba em 29 de maio.

A pergunta lançada pela Folha é direta: Eduardo Bolsonaro mandou salvar o Master? A resposta ainda depende de investigação, documentos e contraditório. O fato político, porém, já existe. Filipe Barros deixou de ser apenas pré-candidato ao Senado pelo Paraná e passou a carregar, na disputa estadual, o peso de uma crise bancária que bate no coração do bolsonarismo.

O dado documental mais objetivo está na Câmara dos Deputados. Filipe Barros apresentou o Projeto de Lei 4.395/2024 para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por CPF ou CNPJ. O fundo protege investidores em caso de quebra de instituição financeira. Num banco sob desconfiança, aumentar essa proteção muda a percepção de risco de quem coloca dinheiro no papel.

O projeto foi retirado pelo próprio Filipe em fevereiro de 2026, quando o escândalo do Master já havia deixado de ser rumor de mercado e virado incêndio político. O deputado nega irregularidade, diz que queria proteger investidores e afirma que não atuou a serviço de Daniel Vorcaro. Essa negativa precisa constar porque não há condenação judicial contra Filipe Barros nesse episódio.

A cobertura de O Globo, assinada na coluna de Malu Gaspar, já havia colocado Filipe no centro da engrenagem. Segundo a apuração, o deputado usou o mandato e a presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) para pautar temas ligados ao Banco Central (BC), à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à Previc e a rivais de Vorcaro no mercado financeiro. A comissão, em tese, cuida de política externa e defesa nacional, não da regulação miúda da Faria Lima.

A Folha foi além no enquadramento político. Celso Rocha de Barros ligou a ascensão de Filipe na CREDN à indicação de Eduardo Bolsonaro, que deixou o país e manteve influência sobre a comissão, segundo a leitura do colunista. A coluna trata a movimentação como parte de uma pergunta maior: se Eduardo continuava mandando no colegiado por intermédio de Filipe, quem orientou a ofensiva em favor de pautas que interessavam ao Master?

É nesse ponto que a crise encontra Flávio Bolsonaro. O senador do PL, pré-candidato à Presidência da República, confirmou que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega ter recebido vantagem, nega contrapartida e sustenta que se tratava de patrocínio privado para uma produção privada. O problema político é que o caso deixou de ser privado quando atravessou banco quebrado, investigação federal, Congresso Nacional e campanha presidencial.

No Paraná, a fotografia é ainda mais incômoda para a direita. Em 29 de maio, Flávio Bolsonaro, Filipe Barros, Sergio Moro e Deltan Dallagnol subiram no mesmo palanque em Curitiba. O ato testou uma estética de ódio, com xingamentos contra Lula (PT), Gleisi Hoffmann (PT), Requião Filho (PDT), o Partido dos Trabalhadores (PT) e adversários locais, mas quase nenhuma resposta concreta para emprego, pedágio, tarifa, saúde, segurança ou desenvolvimento do Paraná.

Agora, o mesmo palanque recebe uma segunda legenda. Não é apenas a reunião da direita que quer derrotar Lula em 2026. É também o agrupamento político que terá de explicar ao eleitor paranaense por que um de seus nomes ao Senado aparece, de forma recorrente, em reportagens nacionais sobre o Banco Master.

A velha mídia corporativa, que por anos tratou a Lava Jato como produto de exportação moral, agora mira um aliado de Moro e Deltan. O sistema financeiro, que costuma preferir silêncio quando o problema nasce dentro da Faria Lima, também pressiona porque o FGC não é detalhe técnico. Quando um banco quebra e a garantia cresce, alguém paga a conta. E a conta, no fim da fila, sempre encontra correntista, banco sólido, contribuinte ou Estado.

Filipe Barros tenta se apresentar como acusador de Vorcaro, não como defensor do ambiente regulatório que poderia beneficiar o Master. Essa é sua linha de defesa. Mas política não se move apenas por sentença judicial. Política também se move por coerência, histórico e fotografia. O deputado que quer disputar o Senado no Paraná terá de explicar por que apresentou um projeto com efeito favorável ao modelo de captação de um banco que viraria sinônimo de escândalo nacional.

Moro e Deltan também não escapam da pergunta. Os dois construíram capital político com o discurso de combate à corrupção. Se o caso Master é grave quando atinge adversários, também precisa ser grave quando chega ao palanque de Flávio Bolsonaro em Curitiba. O eleitor paranaense viu a cena. Viu Filipe, Flávio, Moro e Deltan juntos. Agora tem o direito de cobrar resposta conjunta ou distância pública.

O limite ético é claro: Filipe Barros nega irregularidade, Flávio Bolsonaro nega vantagem indevida e Eduardo Bolsonaro nega as acusações feitas contra ele no caso “Dark Horse”. O limite político também é claro: a direita paranaense que prometia limpar o país não pode tratar o Master como assunto de terceiros quando seus principais nomes dividiram microfone, palco e projeto eleitoral.

A Folha entrou no caso depois da Globo. O recado é que Filipe Barros virou alvo nacional, não apenas personagem local. Para o Paraná, a consequência é objetiva: a eleição ao Senado pode deixar de ser uma disputa sobre conservadorismo, lavajatismo ou bolsonarismo e virar um plebiscito sobre quem carregou o Banco Master até a campanha de 2026.

Continue acompanhando no Blog do Esmael os bastidores do caso Master, da disputa pelo Senado no Paraná e da pré-campanha presidencial de 2026.

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