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Ressentimento ameaça o grupo de Ratinho Junior no voto de domingo

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O eleitor paranaense escolhe neste domingo, 4 de outubro, o sucessor de Ratinho Junior (PSD) com uma dúvida política que as planilhas das pesquisas não resolvem: qual sentimento vai pesar mais na urna, a paixão que organiza o voto em campos opostos ou o ressentimento que transforma o voto em cobrança. A resposta define se o candidato do grupo palaciano, Sandro Alex, chega ao segundo turno como favorito ou se vira alvo de um voto de revanche que pode beneficiar Requião Filho (PDT) e, em segundo plano, o senador Sergio Moro, que lidera as sondagens.

Dois motores emocionais, dois resultados possíveis

Paixão e ressentimento costumam ser tratados como sinônimos de polarização, mas movem o eleitor de maneiras diferentes.

A paixão é o terreno do amor e do ódio, dos binômios extremos: direita contra esquerda, Lula contra Bolsonaro, nós contra eles. O eleitor apaixonado vota por identidade, defende o seu lado e rejeita o outro sem pedir balanço de gestão. Esse voto é previsível e dificilmente muda por argumento.

O ressentimento é outro estado de ânimo. Está mais próximo da vingança, e a raiva é o combustível. O eleitor ressentido não vota necessariamente em quem admira, mas contra quem acredita que o prejudicou, o ignorou ou o traiu. Por isso ele migra com facilidade para a alternativa que parecer mais capaz de impor uma derrota ao grupo que está no poder.

A estratégia da união e o limite do discurso

Sandro Alex optou por não entrar na lógica da polarização. Apresentou uma candidatura de união, de convergência, de campo largo em torno do projeto do governo. É uma escolha legítima e, em tese, inteligente para quem quer falar a eleitores de vários matizes.

O problema, na minha leitura, é que a união vendida na campanha não correspondeu à união vivida nos bastidores. Um discurso de unidade só convence quando o eleitor percebe coesão em quem o enuncia. Se prefeitos, deputados e aliados de Ratinho Junior carregam mágoas acumuladas ao longo do processo eleitoral, a imagem de bloco unido se desfaz no interior, onde essas lideranças têm peso sobre o voto local.

Um alerta feito em 2024

Após as eleições municipais de 2024, durante um jantar da bancada federal do Paraná, em Brasília, alertei Sandro Alex, hoje candidato, para o risco do ressentimento contra o grupo de Ratinho Junior. Na ocasião, apontei como principais adversários dos governistas as privatizações e a percepção de perda de qualidade e de aumento de preços em serviços administrados pelo governo do Paraná.

Essa é uma avaliação política, não um dado de pesquisa. Mas ela se soma a um fator que se consolidou durante a disputa deste ano: o ressentimento político de prefeitos, deputados e aliados de Ratinho Junior. O desgaste do eleitor com serviços do dia a dia pode se encontrar com a mágoa de lideranças que tinham expectativa de espaço e não a viram atendida. Quando o ressentimento popular e o ressentimento das lideranças convergem, o efeito eleitoral tende a ser maior do que a soma das partes.

Os cenários para domingo

Se prevalecer a decisão do eleitor em sentido contrário ao ressentimento, ou seja, o voto de paixão, de identidade ou de continuidade, Sandro Alex se habilita como favorito na corrida. Nesse cenário, o voto de preferência pesa mais do que o voto de revanche.

Se o ressentimento for o sentimento dominante, o quadro se inverte. Nesse caso, Requião Filho pode ser o maior beneficiário, por ocupar o campo da oposição ao grupo palaciano com identidade política já consolidada no estado. Secundariamente, o senador Sergio Moro, que lidera as sondagens, também pode colher esse voto, na medida em que se apresente como alternativa ao grupo que governa o Paraná.

Há ainda um fator de calendário. Com a disputa pelas duas vagas ao Senado e pelas cadeiras na Câmara e na Alep ocorrendo no mesmo dia, o voto no governador sofre influência dos palanques estaduais e dos arranjos locais. É nesse ambiente que o ressentimento de aliados pode se traduzir em apoio frio, ou em apoio nenhum, ao candidato do governo.

O que o domingo vai medir

A eleição de 4 de outubro não mede apenas preferências, mede estados de ânimo. Se a paixão polarizada organizar o voto, a disputa seguirá a lógica dos campos. Se o ressentimento falar mais alto, o voto será menos de adesão e mais de cobrança, e o grupo de Ratinho Junior terá de responder nas urnas pelo que entregou e pelas relações políticas que deixou mal resolvidas. Em qualquer cenário, o segundo turno, marcado para 25 de outubro, será o desfecho de uma disputa decidida tanto pelo que o eleitor quer quanto pelo que ele não perdoa.

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