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Defesa Civil prevê outubro pior que setembro no Paraná

O Paraná entra em outubro sob alerta de agravamento climático depois de somar 173 registros de desastres até 29 de setembro, número acima das 138 ocorrências de agosto, segundo a Defesa Civil do Paraná. A previsão de um cenário mais severo foi reforçada pelo coordenador-executivo do órgão, coronel Ivan Ricardo Fernandes, que apontou a intensificação do El Niño como a principal causa e disse que o fenômeno deve atingir o pico no verão.

Em 2026, os temporais já atingiram 253 municípios paranaenses e afetaram cerca de 300 mil pessoas, conforme a Defesa Civil. Levantamento atribuído ao órgão aponta 11 mortes apenas em setembro. Já o boletim da Defesa Civil atualizado às 17h de 30 de setembro não registrava óbitos entre as ocorrências cadastradas pelos municípios, embora a imprensa tenha confirmado separadamente a morte do advogado Rafael Paião, de 42 anos, atingido pelo desabamento de parte da estrutura de uma quadra de tênis durante o temporal em Umuarama.

Ainda segundo o balanço citado pela Defesa Civil, 18.782 pessoas foram afetadas em 46 municípios, 3.087 casas foram danificadas, 340 pessoas ficaram desalojadas e 26 precisaram de abrigo público. Clevelândia e Pinhão decretaram situação de emergência.

O Simepar analisou imagens de danos registrados em Toledo, Altamira do Paraná, Ivaiporã, Umuarama e Piraí do Sul, além de dados de radar e satélite, e não encontrou indícios de tornado em nenhum dos casos. Uma linha de instabilidade atravessou o estado a partir da tarde de terça-feira, 29 de setembro, durante a passagem de uma frente fria, com rajadas acima de 100 km/h em pelo menos duas estações: 105,12 km/h em Santa Maria do Oeste, às 17h15, e 101,5 km/h em Umuarama, às 16h.

O granizo também deixou estragos. Em Clevelândia, o fenômeno afetou 6.150 pessoas e danificou 1.565 casas. Guarapuava registrou 1.110 pessoas afetadas e 281 residências com danos, e Pinhão contabilizou 1.064 pessoas atingidas e 230 casas danificadas. São Miguel do Iguaçu teve 430 pessoas afetadas, 210 desalojadas e 20 desabrigadas após o vendaval de 29 de setembro, enquanto Campo Bonito somou 5.801 pessoas afetadas e 51 casas danificadas, e Medianeira teve 1.008 pessoas atingidas e 500 residências com danos.

Em Apucarana, um dos temporais mais severos do mês afetou 21.020 moradores e danificou cerca de cinco mil residências, segundo a Defesa Civil Estadual. A cidade foi atingida por um fenômeno conhecido como downburst, com ventos de até 124,9 km/h, que derrubaram árvores, danificaram postes e deixaram bairros sem energia e água. O município decretou situação de emergência, com cerca de mil pessoas desalojadas e 20 desabrigadas.

O Simepar informou que setembro de 2026 foi o mês mais chuvoso da história em 14 cidades do Paraná. Curitiba acumulou 339,4 milímetros, quase o triplo da média de 129,5 milímetros para o mês e próximo do recorde de 359,4 milímetros de 1998. Antonina registrou 476,8 milímetros, com média histórica de 157,4 milímetros; Cerro Azul, 363,4 milímetros, contra média de 110,1; Telêmaco Borba, 356,6 milímetros, contra 133,3; e Ponta Grossa, 341,4 milímetros, contra 124. O Simepar também registrou dois tornados em setembro, em Francisco Alves, no dia 9, e em Goioerê, no dia 11, sem classificação na escala Fujita. A maior temperatura do mês foi 39,9°C em Capanema, em 27 de setembro, e a menor, -0,1°C em General Carneiro e em Horizonte, distrito de Palmas, no dia 7.

Para o domingo da votação, 4 de outubro, o Paraná aparece com alertas laranja e amarelo para tempestades, conforme levantamento das autoridades estaduais. O Simepar passou a monitorar os locais de votação para reduzir o impacto do tempo na eleição. A orientação da Defesa Civil é que prefeituras e população acompanhem os alertas e acionem o telefone 199, da Defesa Civil, ou o 193, do Corpo de Bombeiros, em caso de emergência climática.