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Debate da Globo implode sem Lula e Flávio Bolsonaro

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Com Lula no Flow e Flávio Bolsonaro fora após decisão do TSE, a Globo chega ao debate esvaziada pelos dois principais candidatos e aposta na presença de Renan Santos, garantida pelo STF, para recuperar tensão e audiência.

O debate presidencial da TV Globo previsto para a noite desta quinta-feira, 1º de outubro, chegou às horas finais antes da transmissão sem os dois candidatos que polarizam a disputa pelo Palácio do Planalto. Depois de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocar o confronto por uma entrevista ao Flow Podcast, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou às 19h29 que também não compareceria, atribuindo a decisão a uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A sucessão de acontecimentos desmontou parte do desenho preparado pela Globo para o último debate antes do primeiro turno de 4 de outubro. A emissora havia deslocado o programa para a faixa imediatamente posterior ao Jornal Nacional, retirando do ar nesta quinta-feira a novela “Quem Ama Cuida”.

A avaliação de que o programa pode representar um dos maiores reveses da história dos debates da emissora pertence, neste momento, ao campo da análise, não a um dado mensurável. Uma analista de mídia ouvida reservadamente pelo Blog do Esmael considera especialmente problemática a combinação entre a perda dos principais protagonistas eleitorais, a alteração da grade e as decisões judiciais tomadas poucas horas antes da transmissão.

O cenário ficou ainda mais imprevisível porque, praticamente no mesmo momento em que Flávio Bolsonaro desistia, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinava a inclusão de Renan Santos, candidato do Missão, no debate. A decisão tem efeito imediato.

A Globo, portanto, preparou um debate para Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), mas viu a composição mudar nas últimas horas por decisões políticas dos candidatos e determinações do Judiciário.

Flávio Bolsonaro usa decisão do TSE para abandonar debate

A nova crise começou com uma liminar da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral.

A magistrada determinou que a Globo não exibisse o púlpito reservado a Lula vazio e identificado com o nome do presidente. A decisão também impediu perguntas dirigidas ao candidato ausente. A liminar atendeu a pedido da coligação de Lula e suspendeu regras previstas pela emissora para o encontro.

Segundo Estela Aranha, a regra da Globo apresentava aparente intenção de compelir candidatos a participar do debate, apesar de a presença ser facultativa pela legislação.

Pouco depois, Flávio Bolsonaro anunciou que também ficaria fora.

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu o candidato do PL no X.

“Censura” é a caracterização empregada por Flávio Bolsonaro. O fato objetivo é que a decisão judicial restringiu elementos previstos nas regras elaboradas pela Globo para representar e questionar candidatos ausentes.

A desistência também representa uma mudança abrupta na estratégia da própria campanha de Flávio Bolsonaro. Horas antes, a CNN Brasil informava que o candidato treinava para assumir um tom moderado no debate e buscava aproveitar a ausência de Lula para falar com eleitores indecisos.

Sem Lula, Flávio Bolsonaro teria uma vitrine nacional sem confronto direto com seu principal adversário. Ao abandonar o programa depois da decisão do TSE, o candidato do PL trocou essa oportunidade por outro movimento político: transformar a interferência judicial nas regras do debate em tema da própria campanha.

Globo perde protagonistas enquanto Flow recebe Lula

O problema da Globo não se resume a duas ausências.

O Blog do Esmael mostrou em 30 de setembro que Lula decidiu participar do Flow Podcast em vez do debate. A entrevista foi anunciada para começar às 20h45, enquanto o encontro da Globo estava programado para 21h30.

Isso produz uma disputa direta por atenção na reta final da campanha. A Globo reservou sua principal faixa noturna para o debate e suprimiu a novela das 21h, enquanto Lula escolheu uma plataforma digital para falar sem o confronto simultâneo com os adversários.

A decisão de Flávio Bolsonaro aumenta essa assimetria.

A emissora deixa de oferecer justamente o confronto que poderia concentrar a maior expectativa eleitoral: Lula versus Flávio Bolsonaro. Também perde a possibilidade inicialmente prevista de mostrar visualmente a ausência de Lula, porque a liminar do TSE proibiu a exibição destacada do púlpito vazio.

Ao mesmo tempo, o STF obrigou a Globo a receber um candidato que originalmente não integrava a lista definida pela emissora.

Renan Santos havia tentado anteriormente garantir sua presença judicialmente. O presidente do TSE, Nunes Marques, negara o pedido, enquanto outra tentativa no STF havia sido rejeitada por Cármen Lúcia por questão processual. Horas antes do debate, Gilmar Mendes determinou sua inclusão.

É essa sequência que sustenta a avaliação crítica feita ao Blog por uma analista de mídia sob reserva de identidade.

Para ela, a Globo fez uma aposta extraordinária ao colocar o debate no horário nobre, sacrificando inclusive a novela, mas terminou a preparação sem Lula, depois sem Flávio Bolsonaro e obrigada judicialmente a reorganizar a bancada poucas horas antes de entrar no ar.

A expressão “maior desastre da história da Globo”, usada pela analista, deve ser entendida dentro desse contexto. Não existe, antes da audiência consolidada e da repercussão posterior, base objetiva para estabelecer um ranking histórico de fracassos da emissora.

Para o Blog do Esmael, diferente da analista, a presença de Renan Santos no debate é uma tentativa de salvar a Globo de um desastre total. A confirmação de um personagem sem travas na língua, agora, pode ser a tábua da salvação na luta pela atenção.

O diagnóstico possível antes da transmissão é mais preciso: o planejamento editorial sofreu uma sequência excepcional de mudanças nas horas anteriores ao programa.

Politicamente, a configuração também muda o sentido do encontro.

Sem Lula e Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Cury e Renan Santos passam a disputar uma vitrine diferente daquela originalmente planejada. Não haverá confronto entre os dois nomes que ocupam o centro da polarização eleitoral; haverá competição entre candidaturas que procuram espaço próprio na reta final.

Para a Globo, o teste passa a ser outro: transformar um programa reorganizado judicial e politicamente às vésperas da transmissão em um debate capaz de manter interesse eleitoral.

Para Lula, a aposta estará fora da televisão aberta, no Flow.

Para Flávio Bolsonaro, a ausência vira instrumento de confronto com a Justiça Eleitoral.

Para Renan Santos, uma decisão do STF abriu, nas últimas horas da campanha, acesso ao maior palco televisivo desta reta final.

O resultado dessa disputa de atenção só poderá ser medido depois da transmissão, com audiência, alcance digital e repercussão. Antes disso, chamar o episódio de “maior desastre da história” é uma leitura editorial atribuída. A sucessão de baixas, liminares e mudanças de última hora, entretanto, já é um fato documentado.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura do debate da Globo, da entrevista de Lula ao Flow e da reta final das eleições de 2026.