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Campanhas temem “bala de prata” a três dias da eleição

A três dias do primeiro turno de 4 de outubro, as principais campanhas presidenciais e do Paraná entraram na fase mais delicada da eleição: impedir que um episódio inesperado, provocado pelo adversário ou pela própria tropa, altere uma disputa já comprimida pelo relógio. O Blog do Esmael apurou junto a integrantes das campanhas que o medo recorrente nesta reta final ganhou um nome conhecido no vocabulário político: a “bala de prata”.

No Paraná, integrantes das campanhas de Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) relatam uma preocupação comum: evitar iniciativas individuais de aliados capazes de produzir uma crise quando praticamente não existe mais tempo eleitoral para administrar seus efeitos.

Segundo a apuração do Blog, as três campanhas reforçaram internamente a orientação para que figuras consideradas capazes de provocar ruído político reduzam a exposição pública e não tomem iniciativas em nome dos candidatos sem coordenação prévia. O Blog preserva os nomes porque as informações foram obtidas em conversas de bastidor e não há fato público que justifique atribuir antecipadamente a essas pessoas alguma conduta irregular.

A cautela não se limita às próprias fileiras. Campanhas também acompanham adversários em busca de movimentos, denúncias, documentos, vídeos, decisões judiciais ou episódios capazes de modificar o ambiente eleitoral nas últimas horas.

Nesse sentido, “bala de prata” não significa necessariamente um acontecimento planejado. No jargão das campanhas, a expressão pode descrever qualquer fato de alto impacto que apareça perto demais da votação para permitir uma reação política proporcional.

O precedente de 2022 ajuda a explicar o temor.

Na véspera do segundo turno presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro, em 29 de outubro de 2022, a então deputada federal Carla Zambelli protagonizou uma perseguição armada após uma discussão na região dos Jardins, em São Paulo.

Documentos posteriores do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) registraram que Zambelli portava uma pistola 9 mm e perseguiu Luan Araújo depois de cair durante a discussão. Um policial militar que acompanhava a parlamentar também participou da perseguição e efetuou um disparo, segundo os autos.

O episódio ocorreu quando restavam poucas horas para a abertura das urnas.

Outro caso de violência envolvendo um aliado de Bolsonaro havia ocorrido seis dias antes. Em 23 de outubro de 2022, o ex-deputado Roberto Jefferson recebeu com tiros de fuzil e granadas policiais federais que cumpriam uma ordem de prisão em Levy Gasparian, no Rio de Janeiro. Dois integrantes da Polícia Federal ficaram feridos.

Os dois episódios tiveram ampla repercussão durante a fase decisiva daquela campanha. Isso não permite medir isoladamente quanto cada ocorrência interferiu no voto, mas demonstra por que comandos eleitorais procuram reduzir riscos quando a eleição entra nas últimas horas.

Em 2026, essa janela ficou ainda mais sensível nesta quinta-feira, 1º de outubro.

O calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece esta quinta-feira como último dia do horário eleitoral gratuito de primeiro turno no rádio e na televisão, dos comícios e dos debates transmitidos por rádio e TV. Também termina a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet.

A partir desta quinta-feira também fica proibida, até 24 horas depois do encerramento da votação, a publicação ou republicação de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial com imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas, mesmo quando identificados como artificiais.

O primeiro turno será realizado neste domingo, 4 de outubro, para presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

Há ainda uma medida diretamente relacionada à segurança da eleição. A partir de sábado, 3 de outubro, colecionadores, atiradores e caçadores ficam proibidos de transportar armas e munições em todo o território nacional até 5 de outubro.

No Paraná, o temor da “bala de prata” alcança diferentes níveis da disputa.

Moro, Requião Filho e Sandro Alex chegam às últimas horas de campanha sabendo que um fato extraordinário pode reorganizar a discussão política quando o horário eleitoral já estará encerrado. A preocupação vale tanto para uma iniciativa adversária quanto para um erro cometido por alguém da própria campanha.

O mesmo raciocínio atravessa a corrida pelas duas vagas paranaenses ao Senado. Na disputa proporcional, candidatos a deputado federal e estadual também enfrentam confrontos localizados por bases eleitorais, municípios, bairros, categorias profissionais e segmentos específicos do eleitorado.

Nesse ambiente, uma denúncia ou documento divulgado às vésperas da votação pode ganhar enorme repercussão. Mas uma acusação de última hora não se transforma em fato apenas porque apareceu perto da eleição: sua procedência, autoria, documentação e contexto precisam ser verificados.

Esse é também o outro lado da “bala de prata”. Quanto menor o tempo para o eleitor votar, menor é a janela disponível para contraditório, investigação jornalística e esclarecimento dos fatos.

Por isso, o maior receio ouvido pelo Blog nesta reta final não está apenas no ataque preparado pelo adversário.

Está no aliado que resolve agir sozinho, que é denominado “imbecil com iniciativa” pelas próprias campanhas.

Depois de meses de campanha, milhões gastos em propaganda, debates, pesquisas e articulações, uma eleição pode entrar nas últimas 72 horas com comandos políticos tentando fazer algo aparentemente simples: impedir que alguém da própria trincheira produza o fato que domine a conversa até a abertura das urnas.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura da reta final das eleições de 2026, as decisões da Justiça Eleitoral e os movimentos das campanhas até a abertura das urnas em 4 de outubro.