Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) encerraram seus programas eleitorais em bloco no rádio e na televisão nesta quarta-feira, 30 de setembro, com três pedidos distintos aos paranaenses: entregar o governo ao ex-juiz, mudar as prioridades do estado ou prolongar o projeto de Ratinho Junior (PSD). A decisão será nas urnas no próximo domingo, 4 de outubro, daqui a 3 dias.
Requião concentrou a despedida no orçamento das famílias. Moro apresentou uma mensagem de confiança, com pedido para resolver a eleição no primeiro turno. Sandro recorreu ao governador como fiador da continuidade, acompanhado de promessas para educação, saúde e emprego.
Nesta quinta-feira, 1º de outubro, será a vez do último programa em bloco dos candidatos à Presidência da República. O período do horário eleitoral gratuito do primeiro turno, iniciado em 28 de agosto, termina nessa data, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na peça de Requião, o conflito central foi a distância entre a riqueza do Paraná e o dinheiro disponível dentro de casa. A narrativa falou de contas de água e luz, renda insuficiente até o fim do mês e dificuldades de pequenos empreendedores.
“A riqueza do Paraná precisa servir para fortalecer as famílias paranaenses” sintetizou a mensagem da campanha do pedetista. O programa procurou transformar o crescimento econômico em uma pergunta sobre quem recebe seus benefícios.
A propaganda atribuiu ao atual governo a escolha de proteger os grandes e deixar os pequenos no fim da fila. Também classificou o Paraná como o segundo estado mais caro para viver, sem apresentar a fonte ou a metodologia dessa comparação.
Como resposta, a peça enumerou propostas de polícia presente, “ICMS zero”, energia mais barata, formação dos jovens para o trabalho, consultas e exames no tempo necessário e proteção às mulheres. A referência ao imposto não veio acompanhada de detalhamento sobre quais produtos ou operações seriam alcançados.
O fechamento retomou o slogan “Paraná que cuida” e fez críticas indiretas aos adversários: um prometeria aquilo que já poderia ter realizado; outro teria “ódio no coração”. Os nomes não foram mencionados nesse trecho.
Moro escolheu uma narrativa geográfica para sua despedida. O programa recuperou o início da campanha em Piraquara, nas nascentes do rio Iguaçu, e chegou a Foz do Iguaçu para apresentar o Palácio Iguaçu como destino político.
O senador prometeu trabalhar com “coragem, firmeza, transparência” e retomou a expressão “Paraná Fortaleza”. Nesse último programa, a ênfase recaiu sobre sua imagem e os depoimentos de apoio, com menos espaço para detalhar medidas de governo.
Uma das manifestações associou a confiança em Moro à Operação Lava Jato. Outras evocaram apoio familiar e feminino. A peça incluiu até a frase “É Moro, já ganhou”, pronunciada em um depoimento de campanha.
O encerramento pediu votos para resolver a disputa no primeiro turno. Trata-se de mobilização eleitoral: as manifestações selecionadas pela propaganda não demonstram vitória nem antecipam o resultado das urnas.
Sandro, por sua vez, abriu espaço para uma despedida política de Ratinho Junior. O governador agradeceu aos paranaenses e vinculou obras à parceria com o então presidente Jair Bolsonaro e com Sandro na Secretaria de Infraestrutura e Logística.
“Estou me despedindo do cargo de governador” foi a formulação usada por Ratinho na peça. A fala apresentou a passagem de comando desejada pela campanha, sem representar anúncio de saída imediata do cargo.
O programa identificou Rafael Greca (MDB) como candidato a vice e defendeu preservar o que funciona, melhorar o que precisa de ajuste e avançar sem recomeçar a administração.
Sandro prometeu 400 novas creches e apresentou a “Ponte do Amanhã”, proposta de formação com robótica, inteligência artificial e orientação vocacional para aproximar o ensino médio do mercado de trabalho.
Na saúde, enumerou hospitais em Curitiba, Colombo, São José dos Pinhais, Londrina, Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu. Também anunciou a meta de atingir 1 milhão de cirurgias eletivas, sem explicitar, no trecho transcrito, o prazo para alcançá-la.
A peça acrescentou apoio à agricultura familiar, ampliação do Banco da Mulher Paranaense e criação do “Impulso Mulher”, com incubadoras de negócios e crédito mais barato.
A comparação dos três programas mostra o conflito que cada campanha escolheu deixar com o eleitor. Requião questionou a distribuição da riqueza; Moro pediu confiança para assumir o Palácio Iguaçu; Sandro pediu continuidade com o aval do governador. A despedida da propaganda condensou a disputa sobre quem deve governar e quais prioridades devem orientar o dinheiro público.
Qual dessas mensagens responde melhor aos problemas do Paraná? Comente e acompanhe a cobertura eleitoral do Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




