Índice de Tópicos
- Corrupção vira principal confronto da entrevista
- Banco Master e Jaques Wagner
- INSS: Gleisi atribui origem do esquema a 2019
- Foro privilegiado: “Eu ia usar o quê?”
- Fim da escala 6×1
- Impeachment de ministros do STF
- Acidentes nas rodovias
- Gleisi quer proibir exportação de gado vivo
- Emendas PIX: Gleisi admite que “cresceu” demais
- Feminicídio
- “Quero voltar a ser senadora”
- Receba as notícias do Blog do Esmael
A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) afirmou nesta terça-feira, 1º de setembro, durante entrevista à RPC TV, afiliada da Globo no Paraná, que pretende atuar pelo fim da escala 6×1, pela redução das emendas parlamentares e por mudanças na legislação de trânsito. A petista também foi pressionada pelos entrevistadores sobre corrupção, Banco Master, INSS e o uso do foro privilegiado.
Gleisi foi entrevistada por Roberson Jannuzzi, Ana Carolina Oleksy e Marcelo Rocha em uma sabatina de meia hora transmitida ao vivo pela emissora e pelo G1 Paraná. A entrevista faz parte da rodada com candidatos ao Senado pelo Paraná.
A participação colocou a candidata diante de uma sequência de perguntas sobre casos de corrupção envolvendo governos e integrantes do PT, além de episódios recentes que atingem aliados do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Corrupção vira principal confronto da entrevista
Logo na abertura, Gleisi foi questionada sobre os escândalos de corrupção associados ao PT nas últimas duas décadas, incluindo Mensalão e Operação Lava Jato.
A candidata respondeu que os casos foram processados e julgados e sustentou que o eleitorado já teria dado uma resposta ao partido ao eleger Lula para a Presidência da República em três ocasiões e Dilma Rousseff (PT) em duas.
Quando os entrevistadores lembraram que existem investigações ainda em andamento, Gleisi afirmou que qualquer denúncia deve ser investigada e que eventuais responsáveis precisam ser punidos.
A petista, porém, também atacou adversários. Ao falar sobre o caso do Banco Master, citou Flávio Bolsonaro e cobrou explicações do senador e candidato à Presidência.
Gleisi também mencionou os inquéritos envolvendo Luiz Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. Segundo ela, o próprio presidente já teria indicado que o filho precisa prestar esclarecimentos caso as investigações comprovem irregularidades.
A candidata defendeu ainda que as investigações ocorram dentro do devido processo legal, sem transformar operações policiais em “shows midiáticos”.
Banco Master e Jaques Wagner
Questionada especificamente sobre Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, Gleisi reconheceu que o senador também precisa explicar sua participação no episódio citado pelos entrevistadores.
“Quem tem problema tem que explicar”, afirmou.
A candidata diferenciou, entretanto, a situação de Wagner daquela atribuída pelos entrevistadores a Flávio Bolsonaro, dizendo que o senador baiano teria relação com um sócio ligado ao caso em período anterior, e não diretamente com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Gleisi insistiu que os fatos ainda precisam ser esclarecidos pelas investigações.
INSS: Gleisi atribui origem do esquema a 2019
O escândalo dos descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi outro dos momentos de maior pressão da entrevista.
Os entrevistadores lembraram que a Controladoria-Geral da União (CGU) estimou em R$ 5,8 bilhões o prejuízo relacionado aos descontos e destacaram que mais de R$ 4 bilhões teriam sido registrados nos dois primeiros anos do atual governo Lula.
Gleisi atribuiu a origem do problema a 2019, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando, segundo ela, teria sido aberta a possibilidade de cadastramento de entidades para realizar descontos.
A candidata reconheceu que o volume cresceu posteriormente, mas argumentou que a Controladoria-Geral da União acionou a Polícia Federal e que integrantes da estrutura do próprio governo Lula foram afastados e investigados.
Ela apresentou como principal resposta do governo a devolução dos valores aos aposentados e pensionistas.
Os entrevistadores insistiram que havia alertas anteriores e que o problema aumentou justamente durante o atual governo. Gleisi respondeu que os anos de 2020, 2021 e 2022 também deveriam ser considerados na linha do tempo e voltou a defender a investigação.
Foro privilegiado: “Eu ia usar o quê?”
Gleisi também foi confrontada com uma contradição entre sua posição política contra o foro privilegiado e o recurso à prerrogativa quando era senadora, em 2016.
Na ocasião, após um mandado de busca e apreensão em seu apartamento funcional em Brasília, a então senadora recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a operação.
Na entrevista, Gleisi afirmou que utilizou uma prerrogativa prevista em lei porque considerava a medida injusta.
“Eu ia usar o quê?”, respondeu.
Ela também fez questão de corrigir a caracterização do resultado judicial. Segundo Gleisi, ela não teve uma pena anulada, mas foi absolvida por unanimidade pelo STF na Ação Penal 103, sob relatoria do ministro Edson Fachin.
Questionada novamente sobre a contradição, manteve a posição contra o foro privilegiado e afirmou que, caso ele seja colocado em votação no Congresso, votará pelo fim da prerrogativa.
Fim da escala 6×1
Na área trabalhista, Gleisi reafirmou apoio ao fim da escala 6×1.
A candidata associou a proposta principalmente às mulheres, argumentando que elas concentram empregos de menor remuneração e acumulam jornadas de trabalho doméstico e profissional.
Gleisi disse que o debate já ocorre há anos na Câmara dos Deputados e que houve audiências públicas e comissão especial. Por isso, rejeitou a ideia de que a tramitação tenha sido acelerada apenas por causa da eleição.
Ela defendeu, entretanto, atenção especial às microempresas, que poderiam sentir mais os efeitos da mudança.
A candidata afirmou que o Parlamento ainda poderá discutir ajustes com o setor produtivo depois da aprovação da proposta.
Impeachment de ministros do STF
Sobre pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, Gleisi adotou uma posição de abertura.
Ela afirmou que o Senado possui constitucionalmente a competência para processar e julgar ministros dos tribunais superiores e disse não enxergar tabu na discussão.
Para a candidata, o critério deve ser objetivo: havendo crime e processo regularmente instaurado, cabe ao Senado analisar o caso.
“Se tiver crime, tem que ter”, afirmou.
Gleisi não apontou, contudo, nomes específicos de ministros que deveriam ser alvo de eventual processo.
Acidentes nas rodovias
A segurança viária também ocupou parte importante da entrevista.
Os entrevistadores citaram dados da Polícia Rodoviária Federal segundo os quais 50,5% das mortes em acidentes nas rodovias federais do Paraná envolvem caminhões.
Gleisi defendeu uma revisão das políticas de fiscalização e do Código de Trânsito Brasileiro.
Entre as propostas mencionadas está a fiscalização por velocidade média, em vez de concentrar o controle apenas em pontos específicos onde existem radares.
A candidata também defendeu responsabilização das empresas que utilizam veículos com excesso de carga.
Para Gleisi, a política de segurança viária precisa combinar fiscalização, legislação, infraestrutura e educação no trânsito.
Ela afirmou que, se eleita, pretende trabalhar no Senado em conjunto com a Câmara para acelerar a discussão sobre mudanças no Código de Trânsito.
Gleisi quer proibir exportação de gado vivo
Outro ponto de conflito com o setor produtivo foi a proposta apresentada por Gleisi para proibir a exportação de animais vivos destinados ao abate e à engorda.
Os entrevistadores citaram dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR) segundo os quais as exportações paranaenses do grupo de animais vivos, excluindo crustáceos e pescados, cresceram 298% em 2025 na comparação com 2024.
Gleisi manteve a defesa do projeto.
Segundo ela, o Paraná deveria abater e processar o gado dentro do Estado, agregando valor à produção e gerando empregos na indústria frigorífica.
A candidata também argumentou que a exportação de carne processada poderia gerar aproximadamente R$ 2 bilhões adicionais em valor agregado.
Ela fez uma distinção entre animais destinados à formação de novos rebanhos e aqueles enviados para abate, afirmando que concorda com o primeiro caso desde que haja transporte adequado.
Emendas PIX: Gleisi admite que “cresceu” demais
As emendas parlamentares foram outro ponto sensível da entrevista.
Gleisi foi questionada sobre a chamada emenda PIX, criada a partir de proposta de sua autoria, e sobre críticas relacionadas à falta de transparência e ao custo das despesas realizadas por meio desse mecanismo.
A candidata disse que não se arrepende de ter criado a ferramenta.
Segundo Gleisi, a ideia original era permitir que municípios recebessem recursos diretamente para obras menores e emergenciais, evitando a perda de poder de compra provocada pela inflação durante a tramitação de convênios.
Ela reconheceu, entretanto, que o mecanismo posteriormente passou a ser utilizado em volumes maiores.
A candidata defendeu mais controle e citou a exigência de plano de trabalho e identificação dos recursos.
O ponto mais contundente veio quando Gleisi criticou o tamanho atual das emendas parlamentares.
Ela afirmou que os R$ 44 bilhões destinados a emendas representam quase o nível de investimento do país e disse que o Congresso precisa rever esse modelo.
Para a petista, o excesso de pulverização de recursos prejudica o planejamento de investimentos de longo prazo.
A crítica ganha peso eleitoral porque parte de uma candidata que, ao mesmo tempo, defende a manutenção das emendas parlamentares como instrumento legítimo do Legislativo.
Feminicídio
Na reta final da sabatina, Gleisi destacou sua atuação na legislação de combate ao feminicídio.
Ela afirmou ter sido relatora da lei que criou o feminicídio como tipo penal específico.
A candidata também citou o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, elaborado quando ocupou a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula.
Entre as medidas mencionadas estão operações policiais contra agressores, uso de tornozeleira eletrônica e redução do tempo para concessão de medidas protetivas.
Gleisi afirmou que mais de 33 mil agressores foram presos desde março nas operações citadas por ela e associou a política a uma redução de 2,5% dos feminicídios no primeiro semestre.
Ela prometeu transformar o eventual mandato no Senado em uma plataforma de combate à violência contra a mulher.
“Quero voltar a ser senadora”
Na conclusão, Gleisi apresentou a candidatura como uma tentativa de retornar ao Senado para representar o Paraná e ampliar a participação das mulheres nas posições de decisão.
Ela lembrou que já ocupou uma cadeira no Senado e citou a convivência parlamentar com Roberto Requião, Álvaro Dias e Osmar Dias.
A candidata afirmou que a atuação parlamentar precisa superar a disputa ideológica e produzir resultados em saúde, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Gleisi encerrou pedindo voto para sua candidatura ao Senado nas eleições de 4 de outubro.
A sabatina da RPC continua nesta quarta-feira, 2 de setembro, com Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Novo.
A entrevista de Gleisi deixa três frentes de disputa eleitoral bem definidas: a tentativa de defender o legado dos governos do PT diante das investigações recentes, a agenda social com o fim da escala 6×1 e feminicídio e uma agenda de maior controle sobre as emendas parlamentares.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




