O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, informou à TV Globo em 30 de setembro que não participará do debate presidencial de quinta-feira, 1º de outubro. Na mesma noite, concederá entrevista ao Flow Podcast, anunciada para as 20h45, antes do encontro entre os adversários na emissora.
Segundo o g1, a ausência foi comunicada pela assessoria do presidente. Estão confirmados Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Com isso, o último debate da Globo antes da votação de 4 de outubro não terá confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A entrevista ao Flow foi anunciada pelo perfil oficial do podcast na tarde de 30 de setembro. A divulgação encerrou a fase em que a participação era tratada nas reportagens como uma alternativa ainda em negociação pela campanha petista.
A decisão de faltar à Globo tem um cálculo político atribuído aos aliados de Lula. Segundo apuração, integrantes da campanha avaliaram que o presidente receberia ataques dos demais concorrentes e teria pouco tempo para responder. Trata-se da avaliação não oficial sobre o formato, não de um fato consumado sobre a conduta dos adversários.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, havia defendido mais oportunidades de interação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro. Conforme integrantes da legenda, o dirigente questionou o intervalo entre as intervenções dos candidatos na dinâmica do programa.
A escolha repete a estratégia adotada no debate da Band, em 23 de agosto. Naquela ocasião, Lula não participou do confronto e teve uma entrevista exibida pela Record no mesmo horário. Agora, buscará a atenção do eleitor em uma plataforma digital durante a noite do debate televisivo.
Segundo as informações divulgadas pelo g1, César Tralli mediará o encontro nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A transmissão começará às 21h30, depois do Jornal Nacional, pela TV Globo, pelo g1 e pela GloboNews. Pela primeira vez, o debate ocupará a faixa da novela das 21h, “Quem Ama Cuida”.
O programa terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Dois serão dedicados a temas determinados e dois terão tema livre. Cada candidato terá dois minutos para distribuir entre pergunta e réplica; quem responder terá três minutos para dividir entre resposta e tréplica.
Um mapa do Brasil no centro do cenário orientará discussões sobre as regiões do país. Entre os assuntos previstos estão preservação da Amazônia, segurança nas fronteiras, combate ao crime organizado e infraestrutura para as exportações. Os candidatos também poderão selecionar temas apresentados no telão.
A presença de Romeu Zema decorre de uma decisão liminar, portanto provisória, concedida em 29 de setembro pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, a pedido do Novo. Segundo o g1, a medida alterou o entendimento anterior sobre os critérios de participação e garantiu aos candidatos do partido acesso aos debates das emissoras de rádio e televisão a partir daquela data.
Para o eleitor, a consequência da escolha de Lula é concreta: o presidente responderá a entrevistadores, enquanto os concorrentes trocarão perguntas entre si. A entrevista oferece espaço para apresentar propostas, mas não substitui a possibilidade de comparar respostas e contestações dos candidatos no mesmo encontro.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura do debate presidencial e da reta final das eleições de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




