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Hidalgo destaca Requião no debate contra Moro e Sandro

Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) transformaram o debate da RPC, na noite de terça-feira, 29 de setembro, em um confronto sobre alianças contraditórias, privatizações e o legado de Ratinho Junior (PSD). Em entrevista ao Blog do Esmael, Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, destacou o desempenho de Requião, mas remeteu às urnas de 4 de outubro a resposta sobre o efeito eleitoral do encontro.

“Se debate influencia o voto, Requião Filho deu um passo importante”, afirmou Hidalgo. Para o dirigente do instituto, os paranaenses revelarão no domingo se a disputa termina no primeiro turno. Caso haja segundo turno, o resultado também ajudará a avaliar se o confronto fez diferença.

A avaliação favorece o pedetista no desempenho diante das câmeras. Não equivale a uma pesquisa sobre quem venceu o debate nem permite afirmar que houve transferência de votos. Mesmo depois da votação, isolar o efeito do programa exigirá mais do que comparar o resultado com levantamentos anteriores.

Como numa rinha de galos, os três se enfrentaram sem dó nem piedade. Moro abriu os ataques; Sandro respondeu com o passado do senador; Requião explorou as contradições dos dois e procurou distinguir sua candidatura nas discussões sobre educação, energia e proteção às mulheres.

O primeiro movimento de Moro foi escolher Sandro para o duelo. O senador suprimiu o primeiro nome do adversário e o chamou de “Alex”, tratamento que repetiu durante a noite. Sua ofensiva procurou apresentar a chapa governista como uma aliança sem identidade presidencial definida.

Moro apontou a contradição entre o PSD ter Ronaldo Caiado como candidato à Presidência e Sandro declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Acrescentou que Rafael Greca (MDB), vice de Sandro, flertava com o PT e Lula. A vinculação de Greca ao campo petista foi um argumento do senador contra a composição adversária.

Sandro devolveu a cobrança: disse que Moro havia convidado Greca para sua própria chapa. Também recordou o rompimento do ex-ministro com Jair Bolsonaro e acusou o adversário de abandonar compromissos políticos. Moro respondeu que as divergências com a família Bolsonaro estavam superadas e reafirmou sua candidatura pelo PL.

A disputa tinha uma contradição central: Moro questionava as alianças de Sandro enquanto precisava explicar sua reconciliação com os Bolsonaro. Sandro, por sua vez, usava o rompimento do senador para disputar o eleitor de direita, embora seu partido tivesse outro presidenciável.

O candidato do PSD ainda afirmou que Moro votara pela indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal (STF). Moro negou. A acusação reapareceu no encontro, sem que a troca de afirmações resolvesse a divergência para o espectador.

No confronto seguinte, Sandro tentou enquadrar Requião como ameaça às escolas cívico-militares. Defendeu o modelo e perguntou por que o pedetista queria fechar essas unidades. Requião contestou a premissa: “Não tem fechamento de escola, tem mudança de modelo.”

A diferença era concreta. Sandro associava a proposta adversária ao encerramento das escolas; Requião defendia alterar sua organização. O pedetista perguntou sobre diferenças de currículo e cobrou o fechamento de turmas noturnas na gestão estadual. Sandro sustentou a defesa das unidades com o apoio dos pais e os resultados educacionais.

Requião classificou a discussão anterior entre os adversários como um “ringue divertidíssimo”. O comentário marcou sua entrada no confronto, mas a cobrança sobre currículo levou a disputa para o conteúdo da política educacional.

Na rodada com Moro, Requião abordou a violência contra as mulheres. O senador prometeu encaminhar feminicidas a um presídio estadual de segurança máxima. O pedetista defendeu prevenção, educação e apoio para que mulheres possam trabalhar com os filhos protegidos. A divergência colocou em debate o peso da punição e das medidas anteriores à agressão.

Moro também levou ao primeiro bloco uma acusação sobre prioridades de infraestrutura. Alegou que Sandro favorecera a pavimentação de uma estrada de acesso ao Tayayá Resort, empreendimento que vinculou ao ministro Dias Toffoli. A fala foi uma acusação eleitoral do senador, não uma comprovação de favorecimento.

No segundo bloco, Requião usou as críticas anteriores de Moro aos Bolsonaro para questionar a coerência do discurso anticorrupção. Moro voltou a dizer que as divergências estavam superadas e contra-atacou com referências a Carlos Lupi, presidente do PDT, e às fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Requião defendeu Lupi, afirmando que ele não havia sido responsabilizado.

Sandro levou a discussão ao Porto de Paranaguá e atacou administrações anteriores. Requião respondeu com referências às apreensões de drogas no porto. Sandro afirmou que a estrutura portuária atua em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal no combate ao tráfico.

A saúde também virou disputa de cargos. Sandro sugeriu que Moro permanecesse no Senado para buscar melhorias na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Moro apresentou sua proposta de um SUS paranaense e cobrou melhores serviços de energia.

A Companhia Paranaense de Energia (Copel) deixou Sandro diante de críticas dos dois concorrentes. Moro cobrou qualidade e tarifas menores; Requião atacou a privatização. Sandro tentou atribuir o aumento da conta ao governo federal. Os adversários responderam que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autoriza o reajuste solicitado pela companhia.

Essa convergência tinha limite. Moro defendia cobrar eficiência da empresa; Requião questionava a mudança de controle e a prioridade aos acionistas. Criticar o serviço não significava compartilhar a mesma proposta para a Copel, como mostrou o confronto sobre a companhia no terceiro bloco.

Na última rodada de perguntas, Sandro anunciou duplicações rodoviárias e pediu a Moro propostas para a região central e o Vale do Ribeira. O senador deslocou a resposta para o Banco Master e a autorização do CredCesta no Paraná. Sandro devolveu a cobrança citando Filipe Barros (PL), candidato ao Senado aliado de Moro.

O confronto deixou uma pergunta sobre obras sem detalhamento e outra sobre o banco respondida com uma referência ao aliado do acusador. A sequência concentrou a disputa em responsabilidades políticas, com pouco espaço para explicar os projetos rodoviários solicitados.

Requião encerrou os confrontos cobrando Sandro sobre a fila de transplantes. O candidato governista apresentou hospitais e propostas de atendimento, mas, segundo a cobertura do Blog do Esmael, não respondeu especificamente à cobrança sobre transplantes.

Nas considerações finais, os candidatos retomaram suas identidades: Requião reivindicou coerência e lado político; Moro reafirmou sua ligação com o bolsonarismo e o combate à corrupção; Sandro defendeu a continuidade dos programas estaduais, porém não definiu seu palanque nacional.

Quem venceu? Hidalgo destacou Requião Filho como o candidato que deu um passo importante, condicionado à influência do debate sobre o voto. Moro e Sandro concentraram os ataques mais duros entre si. O pedetista aproveitou esse confronto para contestar os dois e sustentar diferenças nas políticas públicas.

A expectativa de que Sandro e Requião se consumissem numa disputa exclusiva pela segunda colocação, discutida na Superlive do Blog do Esmael antes do debate, não descreve todo o encontro. Moro entrou na ofensiva desde a abertura e também precisou responder pelas próprias alianças.

Em 4 de outubro, as urnas definirão se haverá nova rodada da disputa. Até lá, o elogio de Hidalgo registra uma avaliação favorável a Requião, sem antecipar o resultado eleitoral.

Acompanhe a cobertura das eleições no Blog do Esmael e compare as propostas dos candidatos ao governo do Paraná.

Superlive do Blog do Esmael aponta segundo turno no Paraná
Murilo Hidalgo na Superlive. Foto: reprodução/Blog do Esmael

🔴 SUPERLIVE: Paraná Pesquisas e a disputa pelo 2º turno