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Ex-ministro de Bolsonaro aproximou Vorcaro de Moraes, mostram mensagens

O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, do governo Jair Bolsonaro (PL), intermediou o contato entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular do banqueiro. Os registros indicam que Faria repassou o telefone de Moraes a Vorcaro e ajudou a organizar encontros entre os dois.

O relatório da PF, tornado público pelo ministro André Mendonça em 1º de setembro, aponta ao menos seis encontros presenciais entre Vorcaro e Moraes. A primeira reunião teria ocorrido em fevereiro de 2024, na casa de Fábio Faria, em São Paulo. Também aparecem referências a encontros em dezembro de 2023, julho e novembro de 2024 e fevereiro, março e abril de 2025, segundo a documentação analisada pela polícia.

A intermediação começou no fim de 2023. De acordo com o material, Faria enviou a Vorcaro o número de telefone de Moraes pelo WhatsApp. Em seguida, passou a tratar de agendas com o banqueiro.

Uma das mensagens recuperadas pela PF registra Faria informando que havia confirmado um jantar com o ministro. Em outro episódio, o ex-ministro pediu dados do veículo de Vorcaro para que a segurança autorizasse sua entrada na garagem da residência de Moraes.

O conteúdo também registra Faria organizando novos encontros. Em março de 2024, ao ser informado sobre uma possibilidade de reunião, Moraes teria respondido que não conseguiria jantar, mas que haveria tempo para “tomar um whisky”.

O contrato de R$ 131 milhões

A sequência de mensagens ganha peso porque ocorre no mesmo período em que o Banco Master firmou contrato de aproximadamente R$ 131 milhões com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF.

Segundo a análise da Polícia Federal, Faria também aparece nas conversas relacionadas ao contrato. Em janeiro de 2024, ele perguntou a Vorcaro se havia respondido a “Vivi”. Dois dias depois, o contato identificado como “Vivi Moraes” enviou a versão final do contrato.

Metadados do documento analisado pela PF indicam que a última modificação ocorreu em 15 de janeiro de 2024 e foi atribuída ao usuário “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso ao documento, mas afirmou que o contato ocorreu no âmbito do procedimento de compliance da banca para verificar possíveis impedimentos legais.

O relatório também registra uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, que previa pagamento com cotas de um jatinho e de um helicóptero.

Faria também cobrava pagamentos

As mensagens recuperadas pela PF mostram que a atuação de Faria não se limitou à aproximação inicial.

Em março de 2024, ele cobrou Vorcaro sobre pagamentos ao escritório. Segundo mensagens, Faria escreveu que “o careca não pode atrasar”, numa referência que os investigadores associaram a Moraes. Depois da cobrança, Vorcaro acionou um ex-sócio para que a transferência fosse realizada.

O banqueiro classificou o contrato como um dos compromissos mais importantes do banco.

O que o relatório prova e o que ainda precisa ser apurado

O material da PF documenta a existência da intermediação de Faria, os contatos entre os envolvidos e referências a encontros presenciais. Também registra as discussões sobre contratos entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.

Isso não significa, por si só, que a documentação tenha comprovado crime ou que pedidos feitos por Vorcaro a Moraes tenham sido atendidos. A própria Folha ressalta que parte das mensagens é atribuída diretamente ao ministro, enquanto em outros trechos a PF apenas suspeita da identidade do interlocutor. O relatório também não demonstra que todas as solicitações feitas pelo banqueiro tenham produzido alguma providência das autoridades.

A descoberta coloca Fábio Faria no centro de uma conexão política que envolve o ex-governo Bolsonaro, o Banco Master e um ministro do STF. O elo é especialmente relevante porque Faria ocupou o Ministério das Comunicações durante o governo Jair Bolsonaro e é casado com Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos.

O caso agora depende da apuração sobre o conteúdo dos encontros, a natureza das tratativas e eventual relação entre as conversas, os contratos e as decisões tomadas por órgãos públicos. A existência dos contatos e das reuniões está documentada; a eventual existência de ilícitos é uma questão distinta e ainda precisa ser demonstrada.

O Blog do Esmael acompanha o caso Master e os novos documentos da Polícia Federal.

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