Paulo Martins entra se Deltan dançar no Senado do Paraná

O vice-prefeito de Curitiba Paulo Martins (Novo) virou a arma secreta do Novo para o Senado no Paraná, caso o ex-deputado cassado Deltan Dallagnol (Novo) seja barrado de vez pela Justiça Eleitoral. O Blog do Esmael apurou que essa hipótese já circula nos bastidores do partido, e ela ganhou peso porque Paulo hoje reúne duas credenciais objetivas: está no comando político da vice-prefeitura da capital e já foi incorporado formalmente ao Novo como ativo eleitoral do campo conservador no estado.

A pressão sobre Deltan subiu no fim de semana com a certidão expedida em 16 de abril pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exibida pelo PT, que mostra a consolidação do trânsito em julgado da decisão que indeferiu seu registro de candidatura de 2022. A defesa dele sustenta que isso não produz, por si só, uma inelegibilidade automática para 2026, e lembra que a Justiça Eleitoral já mandou retirar postagens que tratavam esse ponto como fato fechado.

Paulo Martins não entra nesse enredo como nome decorativo. Em 2022, quando disputou o Senado pelo PL, ele ficou em segundo lugar no Paraná, com 1.697.962 votos, ou 29,12% dos válidos. Perdeu para Sergio Moro, então no União Brasil, que foi eleito com 1.953.188 votos, ou 33,50%. Em linguagem simples, Paulo já bateu na trave para o Senado e saiu daquela eleição com musculatura estadual.

A movimentação de abril em Curitiba reforçou que ele joga com o calendário eleitoral na mão. Entre 10 e 15 de abril, com o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) em viagem a Boston e Paulo Martins em agenda oficial no México, a Prefeitura caiu no colo do vereador Leonidas Dias (Podemos). O vice e o presidente da Câmara evitaram assumir interinamente para não correr risco eleitoral caso entrem na disputa deste ano.

É aí que Paulo cresce no script do Novo. Se Deltan conseguir atravessar a briga judicial e registrar candidatura, o partido mantém seu nome mais barulhento para o Senado. Se a porta fechar, Paulo aparece como reposição de alto calibre, com voto testado em 2022, mandato na vitrine de Curitiba e comportamento calculado para não produzir problema jurídico antes da largada. Essa leitura decorre dos resultados de 2022 e dos movimentos de abril, que mostram o vice atuando para preservar elegibilidade e capital político.

Nos bastidores do Novo, há outro temor: se Deltan ficar inelegível, pode tentar empurrar a própria mulher, Fernanda Dallagnol, para a disputa ao Senado. Mas essa conversa ainda pertence ao capítulo seguinte.

No Paraná, a pré-campanha deixou de ser só disputa de pesquisa e virou disputa de sobrevivência jurídica. Deltan insiste que está no jogo. O PT trabalha para empurrá-lo para fora dele. E o Novo, pelo que se desenha nos bastidores, já tratou de colocar Paulo Martins de prontidão para o caso de a candidatura principal dançar.

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