Lula cobra democracia e esperança em encontro global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado, 18 de abril, em Barcelona, na Espanha, do encerramento da Mobilização Progressista Global e defendeu democracia, multilateralismo e combate à desigualdade.

No discurso final, Lula parabenizou o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, pela organização do encontro e disse que a mobilização progressista precisa agir todos os dias para enfrentar o extremismo e proteger direitos.

“O que nós estamos fazendo aqui é o começo de um movimento que tem que agir todo santo dia, durante toda a semana, todo mês e durante 365 dias por ano, para que a gente restabeleça a coisa mais sagrada no mundo, que é a democracia e o multilateralismo”, afirmou.

Lula disse que o campo progressista avançou na garantia de direitos, mas não conseguiu romper com a lógica econômica que, segundo ele, aprofunda a fome e a desigualdade. O presidente afirmou que governos de esquerda também acabaram presos à austeridade, isto é, ao corte de gastos públicos.

“O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança”, disse. Em seguida, acusou a extrema direita de explorar a frustração social com ataques a mulheres, negros, população LGBTQIA+ e migrantes.

O presidente também afirmou que a desigualdade não é um destino, mas uma escolha política. Ele disse que a concentração de riqueza nas mãos de bilionários sustenta privilégios e impede oportunidades reais para a maioria da população.

Na parte dedicada à política internacional, Lula defendeu um multilateralismo reformado, com regras iguais para países ricos e em desenvolvimento. Ele citou a ONU, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) como instituições que precisam de mudanças.

O presidente também criticou os gastos com armas em meio a guerras e disse que esses recursos poderiam ser usados para combater a fome e enfrentar a crise climática. Segundo ele, o Sul Global paga a conta de conflitos que não provocou e de mudanças climáticas que não causou.

Lula ainda voltou a atacar a desinformação nas redes sociais e disse que a disputa política não pode ficar restrita às telas. Em outro trecho, afirmou que a extrema direita representa risco real à democracia e citou a tentativa de golpe no Brasil, com menção a tanques nas ruas e assassinatos.

O presidente encerrou a fala com um apelo à esperança. “Temos que substituir o desalento pelo sonho. O ódio pela esperança”, disse.

Mais cedo, Lula já havia discursado na Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, também em Barcelona, ao lado de Pedro Sánchez. Na sexta-feira (17), os dois líderes defenderam a regulação das redes sociais e assinaram atos no Palácio Real de Pedralbes, entre eles um memorando de entendimento sobre minerais críticos.

O encontro em Barcelona reuniu lideranças políticas de vários países e colocou no centro do debate a defesa da democracia, da cooperação internacional e da justiça social. O discurso de Lula reforça a estratégia do governo brasileiro de se apresentar como voz ativa do Sul Global em temas de poder, economia e clima. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.