Anvisa discute norma para manipular canetas emagrecedoras

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai discutir, no dia 29, uma proposta de instrução normativa sobre a manipulação de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras.

A proposta faz parte do plano de ação anunciado pela agência no dia 6, com medidas regulatórias e de fiscalização sobre esse tipo de medicamento. A minuta deve detalhar procedimentos e requisitos técnicos para importação, qualificação de fornecedores, ensaios de controle de qualidade, estabilidade, armazenamento e transporte dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs).

O tema ganhou peso porque a popularização desses remédios ampliou também o mercado ilegal. Semaglutida, tirzepatida e liraglutida são os princípios ativos mais associados a essa categoria, que hoje só pode ser vendida com receita médica retida.

Na semana passada, a Anvisa publicou portarias que criam dois grupos de trabalho para apoiar o controle sanitário e a segurança de pacientes. Um deles, pela Portaria 488/2026, reúne representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO).

A Portaria 489/2026 institui o segundo grupo, responsável por acompanhar a execução do plano de ação e subsidiar a diretoria colegiada na adoção de novas medidas.

Também nesta semana, Anvisa, CFM, CFO e CFF assinaram uma carta de intenção para promover o uso racional e seguro das canetas emagrecedoras. O texto fala em troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas para reduzir riscos sanitários.

Na quarta-feira (15), a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. A agência também proibiu comercialização, distribuição, importação e uso dos produtos, que não têm registro, notificação ou cadastro no órgão.

Na segunda-feira (13), a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, um ônibus vindo do Paraguai com canetas emagrecedoras e anabolizantes. Segundo a investigação, um casal embarcado em Foz do Iguaçu (PR) foi preso em flagrante com mil frascos de canetas emagrecedoras com tirzepatida e outros produtos irregulares.

O avanço da norma mostra que a Anvisa tenta fechar brechas num mercado que mistura promessa de emagrecimento, venda irregular e risco direto à saúde. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.