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CPI do Banco Master ameaça oligarcas do sistema financeiro

O escândalo do Banco Master entrou no centro do poder porque ameaça interesses graúdos. Um pedido de CPI com 201 assinaturas foi protocolado na Câmara para investigar suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e o BRB. A comissão mira os oligarcas do sistema financeiro que prosperaram sob uma regulação frágil.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), alcançando o número necessário para instalação. A CPI pretende apurar operações de crédito, garantias, relações contratuais e possíveis omissões de órgãos de controle que permitiram a escalada do risco.

Nos bastidores, líderes admitem que a investigação incomoda porque toca em bancos públicos, fundos privados e intermediários financeiros. O caso rompe o silêncio que historicamente protege grandes operadores quando o custo dos erros recai sobre a sociedade.

A crise se agravou com o pedido de recuperação judicial do grupo Fictor. A empresa, que tentou comprar o Banco Master, declarou dívidas de cerca de R$ 4 bilhões e atribuiu o colapso ao processo de liquidação da instituição. Para especialistas em finanças públicas, o episódio revela falhas de coordenação regulatória e decisões tardias que amplificaram perdas.

A reação preventiva atingiu o crédito consignado. O INSS bloqueou cerca de R$ 2 bilhões em operações ligadas ao caso. A medida busca estancar danos, mas evidencia quem paga a conta quando a supervisão falha. Aposentados aparecem como vítimas de um sistema que protege ganhos privados e socializa prejuízos.

O foco inevitável recai sobre o Banco Central do Brasil, que passou a ter gestão dita “independente” a partir de 2021, durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Desde então, a autoridade monetária foi progressivamente afastada do controle político e social, ao mesmo tempo em que se aproximou dos interesses do mercado financeiro. Economistas críticos ao modelo apontam fragilidade na supervisão, demora na identificação de problemas e comunicação opaca com a sociedade, ainda que eficiente com bancos e investidores.

A regulação não acompanhou a sofisticação das operações financeiras, criando um ambiente propício à acumulação de riscos sistêmicos, como revelou o caso Banco Master, em que a falha preventiva custou caro e só veio à tona quando o dano já estava consumado.

A CPI também deve investigar conexões políticas e institucionais, inclusive interfaces com o Judiciário e contratos de consignado. O objetivo é identificar responsabilidades e eventuais redes de proteção que blindaram operações suspeitas.

O caso Banco Master ameaça privilégios. Ameaça a zona de conforto dos oligarcas do sistema financeiro e expõe o modelo “independente” do Banco Central que reage tarde quando o problema já estourou. A CPI só terá sentido se romper essa engrenagem e produzir responsabilização real. Do contrário, será mais um ensaio sem consequências.

Portanto, o debate precisa ir além da CPI e alcançar a estrutura que permite a repetição desses escândalos. A encampação do Banco Central do Brasil é o passo político necessário para romper a lógica da autonomia sem responsabilidade.

Um Banco Central submetido ao interesse público, com comando alinhado ao projeto democrático eleito nas urnas, fiscalização permanente do Congresso e transparência ativa, tende a agir antes do colapso, não depois.

Enquanto a autoridade monetária permanecer blindada, respondendo mais ao mercado do que à sociedade, novos Bancos Master, BRB e Fictor surgirão, sempre protegendo os mesmos de cima e empurrando a conta para quem nunca foi ouvido.

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