A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) afirmou na quinta-feira (16) que a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), em Araucária, voltou a produzir amônia na terça-feira (14). A unidade já havia retomado o gás carbônico no domingo (12) e deve religar a fabricação de ureia nos próximos dias.
Depois de ficar hibernada desde 2020, a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), controlada da Petrobras, foi reativada em 2024. Em fevereiro de 2026, a estatal voltou a enquadrar a planta como peça da sua estratégia nacional de fertilizantes e informou capacidade instalada de 720 mil toneladas por ano de ureia, 475 mil toneladas por ano de amônia e 450 mil metros cúbicos anuais de Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32).
Gleisi atribuiu a retomada a um compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a reabertura da fábrica e a recontratação dos trabalhadores. A Petrobras, de fato, recolocou fertilizantes no portfólio do plano estratégico 2024-2028+ ao aprovar a retomada da unidade de Araucária em abril e junho de 2024.
O impacto do retorno é medido na produção perdida. Antes da hibernação, a Fafen-PR respondia por 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia e por 65% do ARLA 32; com o fechamento, o país deixou de produzir por dia 2 mil toneladas de ureia e 1,3 mil toneladas de amônia, segundo a Federação Única dos Petroleiros.
A conta externa continua alta. Segundo projeção da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o Brasil ainda importa 88% dos insumos para fertilizantes mesmo com as fábricas da Bahia e de Sergipe em operação, e a entrada da Fafen-PR pode reduzir esse índice para 80%. A Petrobras usa uma régua parecida de relevância industrial: informou em janeiro de 2026 que as três unidades nacionais, somadas, responderão por 20% da demanda brasileira de ureia.
A Petrobras destinou R$ 1,2 bilhão ao processo de reativação da Fafen-PR, que voltou a operar com a missão de recuperar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência externa do setor. Com a retomada, o Paraná volta ao mapa de uma indústria estratégica para a agricultura brasileira.
No mercado, o peso da planta é direto. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais consumido no Brasil, com demanda na faixa de 8 milhões de toneladas por ano, enquanto a amônia é matéria-prima básica para fertilizantes e petroquímica. A volta da Fafen-PR não zera a dependência externa, mas fecha parte de um rombo aberto em 2020 e devolve ao Paraná uma peça estratégica da indústria nacional.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




