Requião Filho desafia bloco PL/Novo a bancar CPI real contra Ratinho

O deputado estadual Requião Filho (PDT) desafiou publicamente o bloco PL/Novo da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) a trocar o que chamou de “CPIs laranjas” por uma comissão parlamentar de inquérito que investigue de fato o governo Ratinho Junior (PSD). Em declaração ao Blog do Esmael, nesta quinta-feira (16), o pedetista lançou a conta política sem rodeios: se o bloco da direita assinar uma CPI de verdade contra o Palácio Iguaçu, cai por terra a suspeita de acordo branco entre o senador Sergio Moro (PL) e o governador.

A matemática da Alep dá lastro ao desafio. Depois da janela partidária, o PL passou a ter 12 deputados e o Novo, 2. Somados, chegam a 14 cadeiras. Pelo regimento da Assembleia, que tem 54 parlamentares, uma CPI exige o apoio de um terço desse total, ou seja, 18 assinaturas.

É aí que Requião Filho aperta Moro por tabela. Se o bloco PL/Novo topar entrar numa investigação sobre o governo Ratinho, bastaria atrair mais quatro apoios para protocolar a comissão. No campo progressista, a oposição formal soma 8 cadeiras entre PT, com 6 deputados, e PDT, com 2. No papel, portanto, 14 mais 8 dariam 22 assinaturas, quatro acima do mínimo regimental.

O desafio não foi lançado no vazio. Moro lidera a disputa pelo governo do Paraná na rodada de abril da Paraná Pesquisas, com 46,0% no cenário principal e 52,5% em outro recorte estimulado. É justamente por isso que, nos bastidores, cresceu a conversa sobre um entendimento tácito entre o governador e o senador: um lançaria candidato, mas sem agressividade suficiente para romper o favoritismo do outro. A cobrança de Requião Filho tenta forçar o bloco de Moro a escolher um lado na prática, não no discurso.

O ponto mais sensível dessa pressão atende por pedágio. Segundo apuração do Blog do Esmael, a CPI do Pedágio voltou a rondar o entorno de Ratinho depois que o governador escolheu Sandro Alex (PSD) como herdeiro político. A escolha reacendeu um tema que já vinha queimando na Alep. Sandro foi secretário de Infraestrutura e Logística e apareceu, pelo próprio governo, como um dos formuladores da nova modelagem das concessões rodoviárias do Paraná. Em 2023, ele disse que o modelo feito pelo governo estadual, em conjunto com o governo federal, serviria de referência para outros estados.

O problema para o Palácio é que o pedágio já tinha voltado à veia da Assembleia antes mesmo da escolha de Sandro. Em 6 de abril, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) afirmou que o free flow já causava prejuízos a cerca de 6 mil usuários e voltou a falar em “indústria da multa”. Um dia depois, Romanelli e Arilson Chiorato (PT), líder da oposição, apareceram juntos em Brasília, ao lado de Gleisi Hoffmann (PT), para anunciar a suspensão de cobranças indevidas do sistema. O tema, portanto, já estava politicamente armado e agora ganhou um rosto eleitoral no campo governista.

É nessa quadra que Requião Filho tenta emparedar o bloco PL/Novo. Se o grupo de 14 deputados insistir em CPIs sem alvo real no Executivo paranaense, o pedetista dirá que a tese do acordo branco continua de pé. Se assinar uma CPI que alcance o governo Ratinho, a direita terá de explicar por que resolveu investigar um aliado eventual no exato momento em que Moro lidera as pesquisas e Sandro Alex carrega o apelido de “rei do pedágio” nos corredores da política paranaense.

O desafio de Requião Filho, no fundo, é menos sobre regimento e mais sobre coragem política. A Alep já mostrou que tem número para abrir uma CPI. Falta saber quem quer, de fato, encostar no vespeiro do Palácio Iguaçu.

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