O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na terça-feira (7) diante do avanço da crise no Oriente Médio: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve o ultimato final ao Irã sobre o Estreito de Ormuz, o petróleo voltou a rodar acima de US$ 110 e o Planalto já abriu nova frente para tentar conter o repasse do choque ao diesel e ao transporte no Brasil.
Na agenda oficial, Lula recebe o ministro da Fazenda, Dario Durigan, às 9h30, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, às 11h30, no Palácio do Planalto. A sequência indica que Brasília trata a escalada militar como problema diplomático, fiscal e inflacionário ao mesmo tempo.
Trump disse na segunda-feira (6) que o prazo dest terça-feira é final e ameaçou ampliar os ataques se não houver acordo. O mercado reage porque Ormuz é a rota de cerca de um quinto do petróleo e do gás do mundo. Na manhã desta terça, a Reuters registrou o Brent em US$ 111,28 por barril.
Ainda nesta segunda-feira, o governo federal anunciou subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, somada ao apoio de R$ 0,32 por litro já em vigor. Também anunciou decreto para zerar Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) sobre o biodiesel e sobre o querosene de aviação (QAV).
Segundo o Planalto, a zeragem de tributos gera alívio estimado de R$ 0,02 por litro no biodiesel e de R$ 0,07 por litro no QAV. O pacote ainda ampliou a subvenção ao diesel importado e abriu linhas de crédito de até R$ 9 bilhões para o setor aéreo, numa tentativa de reduzir o repasse da guerra aos preços internos.
No papel, Brasília tenta ganhar tempo antes que o choque externo atravesse o frete, as passagens e a cadeia de preços. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já avisou que a guerra no Oriente Médio empurra a economia global para inflação mais alta e crescimento mais lento, quadro que ajuda a explicar a pressa do governo brasileiro.
Se Ormuz continuar bloqueado e o barril permanecer nesse patamar, a guerra deixa de ser assunto distante e vira custo concreto no tanque, na tarifa aérea e na comida. É esse o tamanho da crise que desembarca no gabinete de Lula nesta terça-feira.
Enquanto isso, a guerra EUA-Israel contra o Irã entra no 39º dia. Pelo menos 2.076 pessoas foram mortas e 26.500 ficaram feridas, segundo autoridades iranianas. Também são registradas dezenas de mortes de militares e civis em Israel e entre 13 e 15 mortes de militares americanos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




