Verdadeiro motivo da desistência de Guto Silva, segundo o Palácio Iguaçu

Investigação sobre licitação empurra Guto para fora do plano de Ratinho

O governador Ratinho Junior (PSD) recuou da aposta em Guto Silva (PSD) depois que o nome do ex-secretário voltou ao radar de uma investigação sobre suposta fraude em licitação no Paraná, segundo a avaliação que passou a circular no Palácio Iguaçu. A troca de rota ganhou forma pública em segunda-feira (13), quando Ratinho escolheu o deputado federal Sandro Alex (PSD), o Rei do Pedágio, para a disputa do governo estadual.

A peça que pesou nesse movimento veio à tona nesta quinta-feira (16). Reportagem de O Globo informou que a Justiça do Paraná determinou a quebra do sigilo bancário do empresário Adolfo Jachinski Neto e da empresa EBTS, num inquérito que apura suspeitas de fraude em licitação, pagamento de propina e desvio de dinheiro público. Nos diálogos reunidos pela investigação, Guto é citado pelo empresário.

O dado político é esse. Guto não foi denunciado nem condenado, mas voltou a aparecer associado a um caso sensível para qualquer projeto eleitoral, licitação sob suspeita, áudios comprometedores e menções a dinheiro de campanha. Para um nome que já vinha patinando nas pesquisas, o estrago é evidente.

Na decisão judicial citada pela reportagem, o juiz Leandro Campos afirma que a quebra de sigilo é imprescindível para rastrear o fluxo financeiro e localizar eventuais repasses a terceiros. O período alcançado vai de abril de 2020 a fevereiro de 2021. A decisão também registra referências, nos diálogos, a agentes da administração estadual da época, entre eles Luiz Augusto Silva, o Guto Silva, então chefe da Casa Civil.

A investigação nasceu em 2022, depois da circulação de material sobre um pregão realizado em 2019 pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná para compra de unidades de treinamento virtual de tiro. Segundo o relato reunido por O Globo, o caso explodiu a partir de uma briga societária entre empresários, com gravações entregues às autoridades e questionamentos sobre a lisura do certame.

Um relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) já havia apontado supostas irregularidades nessa licitação, inclusive diferença relevante de preço em comparação com contrato semelhante em Goiás. O documento citado pela reportagem menciona valor de R$ 1,6 milhão em Goiás para o mesmo objeto, contra R$ 3,8 milhões no Paraná, além de multas a servidores.

Guto negou qualquer ligação com o empresário e com a empresa investigada. Em nota reproduzida na reportagem, disse que a acusação é antiga, que já foi esclarecida em 2022 e que o pregão foi conduzido pela Secretaria da Segurança Pública, sem participação da Casa Civil nem do então secretário.

O problema para Ratinho é que Guto já não chegava forte politicamente. Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada dia 13 de abril, ele apareceu com 3,6% em um cenário estimulado e 5,9% em outro. Na AtlasIntel publicada em 2 de abril, marcou 5,6% e 6,1% nos cenários em que foi testado. Era pouco para quem precisava nascer como herdeiro natural do governador.

Quando Ratinho bateu o martelo por Sandro Alex, a leitura no meio político foi imediata. O governador preferiu um nome mais competitivo e menos vulnerável a desgaste colateral. A investigação não explica tudo sozinha, mas ajuda a esclarecer por que Guto deixou de ser ativo eleitoral e passou a ser risco.

No Palácio Iguaçu, a sucessão entrou numa fase em que o governador já não pode errar duas vezes. Com Sandro Alex, Ratinho tenta estancar o desgaste antes que ele contaminasse de vez o seu projeto para 2026.

Entrentanto, na Assembleia Legislativa do Paraná, a combativa Alep, o clima é de “desunião e guerra” na base governista, como registrou na terça-feira (14) o Blgo do Esmael.

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