Alep expõe grupo de Ratinho desunido e em guerra

A sessão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) desta terça (14) virou vitrine do racha governista horas depois de Ratinho Junior (PSD) oficializar Sandro Alex (PSD) ao Palácio Iguaçu e Alexandre Curi (Republicanos) ao Senado. O slogan do governador, “unidos e em paz”, ficou desmentido no plenário.

O governador Ratinho Junior (PSD) lançou a nova chapa governista e, poucas horas depois, a Alep mostrou o contrário do marketing oficial. Em vez de “unidos e em paz”, o que apareceu na tarde de terça-feira foi uma base trincada, deputados ressentidos e a bancada do Partido Liberal (PL) em modo de confronto aberto, num plenário carregado por bate-bocas, ironias e xingamentos.

Ratinho anunciou Sandro Alex para o governo e Alexandre Curi para o Senado em vídeo divulgado nas redes. O movimento tentou passar imagem de ordem e continuidade, mas a sessão na Assembleia tratou de desmontar essa fotografia. Antes do vídeo, Curi ainda dizia à imprensa que seguia pré-candidato ao governo. Depois, apareceu ao lado do governador como nome ao Senado. A virada foi rápida demais para uma base que já vinha dividida entre curistas, gutistas e grequistas.

O mal-estar mais explícito veio do deputado Moacyr Fadel (PSD). Em fala registrada na sessão, ele disse que esperava outra decisão, relatou que foi levado a acreditar que o candidato sairia entre Guto Silva, Márcio Nunes ou Alexandre Curi e avisou que Sandro Alex “não terá o apoio desse deputado”. A declaração desnudou o racha no campo ratista.

A resposta governista veio na mesma toada. O líder do governo, Hussein Bakri (PSD), tentou segurar a tropa e afirmou que pesquisas internas apontariam crescimento de Sandro Alex. Luiz Claudio Romanelli (PSD), líder do PSD na Casa, exaltou Curi por ter “aberto mão” do governo para manter a unidade e ainda cobrou que divergências como a de Fadel fossem resolvidas dentro da bancada. A sessão, porém, já havia ido para o terreno da exposição pública do conflito. “Lamento isso. Mas conosco estarão todos que deveriam estar e os que não estiverem se arrependerão”, disse Romanelli.

O MDB aproveitou o flanco. Em aparte, o deputado Antonio Anibelli Neto (MDB) ironizou a mudança repentina de humor do líder do PSD, Romanelli, ao lembrar a “paixão” que o parlamentar dizia ter por Guto Silva até a véspera e a conversão instantânea a Sandro Alex no dia seguinte.

“Agora, o que me causa estranheza era a paixão de vossa excelência pelo Guto Silva até ontem e hoje, de repente, muda da água para o vinho declarando completa paixão pelo Sandro Alex. Viva o PSD!”, ironizou Anibelli. A fala bateu no ponto mais sensível do Palácio: a impressão de improviso.

O outro foco de tensão veio da direita bolsonarista. O PL/Novo amanheceu com novo comando na Alep. O deputado Delegado Jacovós (PL) assumiu hoje a liderança do bloco PL/Novo, que reúne 14 parlamentares. Horas depois, o plenário já sentia o peso dessa nova musculatura.

Foi nesse ambiente que a sessão degringolou. O deputado Arilson Chiorato (PT), líder da oposição, criticou Sergio Moro (PL), e a bancada bolsonarista reagiu cobrando direito de resposta mesmo sem citação nominal a parlamentares da Casa. A presidência de Curi segurou a linha do acordo entre líderes e negou a abertura do microfone fora do combinado. O resultado foi o barraco: “lava a sua boca”, “vai me chamar de trapaceiro?” e ameaça de rever o acordo para que o bloco do PL passe a falar por último nas próximas sessões.

Arilson Chiorato e Tito Barrichello (PL) bateram boca e quase chegaram às vias de fato. Foi preciso a intevenção da turma do deixa-disso.

O plenário, portanto, não discutiu só regimento. Discutiu poder. O bloco ligado a Moro deixou claro que quer ocupar mais espaço político e de fala dentro da Casa. O grupo de Ratinho, por sua vez, mostrou que ainda tenta digerir a escolha de Sandro Alex e a acomodação de Curi no Senado.

A sessão desta valeu como retrato instantâneo da sucessão. O governador quis vender pacificação. A Alep devolveu conflito. O vídeo de Ratinho falava em um Paraná “unido e em paz”. O plenário respondeu com uma base desunida e em guerra.

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