O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a entrevista concedida nesta terça-feira (14) à mídia progressista para fazer um movimento político direto: entrou de vez no debate de 2026, disse que está motivado para disputar a reeleição e escolheu falar com a própria base digital, sem o filtro da mídia tradicional. A conversa reuniu Leonardo Attuch, do Brasil 247, Renato Rovai, da Revista Fórum, e Kiko Nogueira, do Diário do Centro do Mundo (DCM).
A fala mais forte veio logo na abertura. Lula disse que sua candidatura nasce de um compromisso moral e político de impedir a volta de um “fascista” ao poder e afirmou que ainda tem “muita coisa pra fazer” no país, segundo a transcrição bruta enviada nesta conversa.
Não foi uma entrevista burocrática. Lula puxou a conversa para o bolso do eleitor, reconheceu que muita gente segue apertada no fim do mês e disse que o governo prepara uma nova rodada de medidas para aliviar dívidas. Na mesma linha, atacou as bets, tratadas por ele como uma jogatina que entrou dentro da casa das famílias pelo celular.
Também houve recado para a Faria Lima. Lula afirmou que o mercado sempre vai preferir outro candidato porque, segundo ele, o setor financeiro não quer política de inclusão social. Em resposta, vendeu a ideia de um quarto mandato para consolidar crescimento, crédito, indústria e investimento público.
Na parte mais sensível da economia popular, o presidente reconheceu o desgaste da chamada taxa das blusinhas. Disse que considerava desnecessária a cobrança sobre compras pequenas e admitiu o prejuízo político da medida, que bateu sobretudo no consumidor de baixa renda.
Lula também usou a entrevista para subir o tom no plano internacional. Criticou Donald Trump, condenou a guerra envolvendo o Irã, atacou Benjamin Netanyahu e voltou a defender a democracia como algo que precisa entregar vida concreta, com trabalho, comida, estudo e dignidade.
O saldo político da conversa é claro. Lula escolheu a mídia progressista para reorganizar sua narrativa de saída: candidatura, combate à mentira, defesa da inclusão social e promessa de resposta ao aperto das famílias. A entrevista serviu menos para convencer o adversário e mais para reanimar a base que vai disputar 2026 no terreno digital.
Aqui está a íntegra da entrevista:
Lula concende entrevista à mídia independente
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Nesses 15 anos a gente teve a oportunidade de fazer várias entrevistas com o senhor, mas essa é a primeira que eu faço com meus dois amigos da revista Fórum e do DCM. Então é importante para a gente também, para simbolizar uma unidade progressista. Eu acho que a gente vai falar de vários temas importantes. A primeira pergunta que eu queria te fazer, partindo de um elogio, que é o seguinte: O senhor ganhou três eleições presidenciais, Pelé ganhou três Copas no mundo, o senhor é o Pelé da política brasileira. Nunca vai haver um outro Pelé e nunca vai haver um outro Lula. O Pelé não foi para a quarta Copa, o senhor vai para a quarta eleição. Por que o senhor quer o quarto mandato e por que o senhor acha que merece um quarto mandato?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Olha, primeiro não se trata de eu querer um quarto mandato. Nem sempre você quer o primeiro, quer o segundo, quer o terceiro. As circunstâncias políticas e o momento conjuntural que você vive, define se você deve ser ou não. Olha, primeiro porque nós temos um legado nesse país em que eu tenho muito orgulho das coisas que nós fizemos em todos os nossos mandatos. Segundo, porque é um compromisso moral, ético, eu diria até cristão, não permitir que um fascista volte a governar esse país. A democracia, para quem lutou para defender e para quem lutou para derrubar o regime militar, custou muito caro a muita gente. E a gente, depois de um aprendizado de convivência democrática nesse país, ainda muito, muito pequeno, com muitos saltos para cima e para baixo, com muitas quedas, A gente teve uma experiência muito bem sucedida com a eleição do Tancredo Neves, mesmo pelo colégio eleitoral, depois teve o desastre da eleição do Collor, depois tivemos o sucesso da eleição do Fernando Henrique Cardoso, tivemos o Itamar Franco, depois nós tivemos a minha vitória, o que foi uma passagem extraordinária, você passar de um cientista político, que era um cidadão considerado progressista para um metalúrgico, dirigente sindical, Depois da experiência bem sucedida, você cair, sabe? Eleger uma mulher primeiro como a Dilma e depois você ter um golpe de Estado e depois você cair na mão de um fascista. Sabe? Nós não temos o direito de permitir que isso aconteça no Brasil. Nós temos o direito de brigar. E eu me sinto, primeiro, fisicamente muito bem, politicamente eu tô muito bem, tô com a saúde muito bem preparada e tô motivado. Eu tô motivado porque tem muita coisa pra fazer pro Brasil que eu espero no transcorrer das entrevistas vocês perguntam o que que eu penso fazer. Mas a razão da minha candidatura é essa. Sou um cara que eu tenho um compromisso com esse país. Eu tenho um compromisso com o povo brasileiro. Você está lembrado, sabe, que eu disse desde o primeiro posse, se ao terminar o meu mandato esse povo estiver almoçando, jantando, tomando café, eu já realizei minha obra da minha vida. Depois disso, a gente aprendeu a fazer muitas coisas. E o Brasil vive hoje um bom momento, um bom momento. Nós temos a menor inflação acumulada em quatro anos. Nós temos a maior massa salarial. Nós temos um aumento do salário mínimo, um aumento real de salários já, todos os anos seguidos. Nós temos a maior exportação da história do Brasil. Nós estamos com a capacidade produtiva na indústria Brasil, muito grande. Voltamos a exportar através da nossa indústria. Nós estamos numa situação em que o povo está vivendo um pouco melhor, mas ainda aquém daquilo. aquilo que é a expectativa do próprio povo. Eu aprendi muito cedo uma frase: quem está contente com o que tem, não merece o que tem. É preciso sempre a gente estar querendo um pouco mais pra gente poder brigar. Então eu sou candidato político, eu tenho muita coisa pra fazer nesse país. Tem muita coisa. Nós apenas começamos a alicerçar porque foi mais difícil, sabe, recuperar dois anos de desastre do que foi o governo anterior do que 2003, mas muito mais difícil. porque no governo Fernando Henrique Cardoso não tinha coisa pra ser feita, aqui não, aqui eles destruíram. Então reconstruir uma obra destruída é muito mais difícil e nós fizemos isso e estamos colhendo muita coisa que no transcorrer da entrevista eu espero poder contar pra vocês. Agora, obviamente que como eu sou um democrata, sabe? O partido vai ter uma convenção em junho e o partido vai decidir se vai ser o Lula, se não vai ser o Lula, se vai ser outro ou não vai ser outro. A verdade é o seguinte, eu nunca tive com tanta energia vai ser Presidente da República comentou agora.
Renato Rovai, Revista Fórum
É eu acho que a manchete é é o seguinte, o senhor é candidato a presidente da república porque muito se falou aí nos últimos dias inclusive especulação do mercado que queria um outro candidato tal e o senhor tá dizendo aqui pra gente que…
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
O mercado o mercado se você analisar o mercado da Faria Lima eles sempre vão querer outro candidato.
Renato Rovai, Revista Fórum
Outro candidato.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Porque eles não querem política de inclusão social. Eles querem política para pagar a taxa de juros deles. E eu quero fazer política de inclusão social. Então a gente vai ter sempre uma divergência, muita divergência. E ele não sabe que eu quero fazer muito mais. Ele não sabe que nós vamos fazer muito mais investimento em política de inclusão social, porque o povo brasileiro merece um pouco mais do que tem.
Renato Rovai, Revista Fórum
Então eu queria avançar exatamente nisso, presidente, porque, partindo desse pressuposto, eu queria lhe colocar uma pergunta na área econômica. A gente sai desse período do terceiro mandato com índices muito positivos, né? Tem o dólar ontem chegou a menos de cinco, a inflação tá controlada. E a bolsa? E a bolsa? A bolsa vai bater duzentos mil. Tem tudo isso, mas tem um sentimento de boa parte da população que o dinheiro não alcança o fim do mês. Aquela velha história, termina antes do fim do mês. E é meio generalizado, presidente, eu converso às vezes com gente classe média que tá Porque o nível social que ele alcançou, ele exige uma série de coisas e acaba tendo esse sentimento de que as coisas não vão bem. Como o senhor pretende dialogar com esse eleitor?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Olha, se tem uma coisa que eu aprendi a fazer na vida é saber o sentimento do povo brasileiro, sobretudo o povo que eu represento. Eu levanto de manhã, eu vou tomar café. Eu levanto de manhã, eu vou na academia. Sabe, quando é de domingo que eu vou sentar um pouco na beira da piscina Eu converso com as pessoas para saber o seguinte, a minha pergunta é o seguinte: Gente, como é que está a tua vida? Como é que está o teu salário? Você está com muita dívida? No que você gasta o teu dinheiro? Eu faço essa pergunta para eu ficar de acordo com aquilo que é a vida real das pessoas. Então eu acho que as pessoas, a massa salarial cresceu, mas também a necessidade de consumo do povo cresceu. Tem coisas que nós estamos falando de investimentos hoje que a gente não fazia. As pessoas gastam 300, 400 reais por mês por internet, com um monte de coisa que tem que contratar. As pessoas gastam dinheiro com o Mercado Livre e agora tem as bets para assaltar o povo. Nós que brigamos a vida inteira contra cassino, eu pelo menos como cristão, agora o cassino está dentro da sua casa, está dentro da sua sala, está no celular do seu pai, no celular do seu avô, no celular da sua avó. Ou seja, induzindo as pessoas a fazerem as apostas, sabe, que não deveria acontecer. Então, nós sabemos dessa situação, por isso nós estamos preparando um programa para resolver parte da dívida das pessoas, como nós já fizemos no Desenrola, em 2024, ou seja, o Desenrola não atendeu toda a necessidade, mas nós agora queremos aperfeiçoar um programa para que a gente possa amenizar. Esses dias eu estava conversando com um casal de companheiros, e ele falou assim pra mim: aluna, eu e meu marido ganhamos 11 mil reais por mês. Eu trabalho e ele trabalha. Mas é o seguinte, cara, não me sobra um centavo no final do mês. Não me sobra. Eu às vezes tenho que tomar um reto consignado, sabe, pra poder pagar o outro. Às vezes eu tomo no nome do meu marido, meu marido toma no meu nome pra gente poder ir rolando a dívida. Não é normal, é importante que essa pessoa, eu disse pra ela, primeiro é importante que a gente ligue pra você ganhar mais, segundo é importante que a gente controle a nossa capacidade de se endividar. Porque também tem muita coisa que facilita A Vida da Gente. Eu conto sempre a história do meu cheque. Eu nunca gostei de cartão de crédito, nunca gostei. Mas um dia, a Clara antes, a minha companheira Clara antes, resolveu me convencer que era importante o PT ter um cartão de crédito para os filiado do PT. Eu tentei no Banco do Brasil, não consegui, tentei na Caixa Econômica, não consegui. Onde é que eu consegui? Colado no plantão do Bradesco. E o Lázaro Brandão, além de dar um cartão de crédito pro PT, que depois ele tomou prejuízo porque a justiça eleitoral não deixou a gente fazer propaganda do cartão de crédito, sabe? Mas ele tinha adiantado 500 mil pro PT pra gente pagar com a nossa publicidade. E aí eu ficava com aquele cartão de crédito pensando como é que eu ia gastar. Eu tinha vontade de comprar um determinado produto que eu não vou dizer aqui porque eu não sou tabagista mais. Eu tinha vontade. eu tinha vontade de comprar um produto e toda vez que eu ia comprar custava 200 dólares ou 200 e pouco dólares eu falava não vou comprar é muito caro não vou comprar anos eu fiquei assim sem comprar quando eu peguei o cartão de crédito estava na Suécia cara eu vi o produto e eu botei ela no bolso não tinha dinheiro eu comprei eu comprei porque você não vê dinheiro é mais fácil você gastar é mais fácil e hoje é tudo pelo celular não tem mais dinheiro em circulação. Tem gente que não precisa mais o cheiro do dinheiro. Então, assim, estou tão preocupado com isso e nós vamos tentar encontrar uma solução definitiva para amenizar o sofrimento das pessoas, mas ao mesmo tempo é preciso que a gente tente controlar essa jogatina que tomou conta dos meios de comunicação no Brasil, seja no mundo digital, seja no mundo virtual. Ou seja, nós precisamos efetivamente tentar terminar com essa guerra de jogatina que está no Brasil
Renato Rovai, Revista Fórum
Para esse mandato?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Não, nós temos que brigar ontem. Nós estamos fazendo boas discussões a respeito disso. Eu sei que não é um tema fácil, mas nós não podemos deixar continuar do jeito que está. Nós não podemos há muita lavagem de dinheiro nesse mundo. E se a gente quer combater o crime organizado, a gente vai ter que atacar todos os francos. Todos, tem distinção. Não tem como a gente não fazer um combate ao crime organizado com todas as armas que a gente puder. Sabe, nós sabemos que tem muita lavagem de dinheiro na fintech, tem muitas, na BEC, tem muita gente fazendo a porta, tem muita gente que, sabe, explora demais o povo. E nós então precisamos agir. Obviamente que não é uma coisa difícil, nós estamos discutindo com a Justiça, com a Fazenda, com o Coaf, com o Banco Central. O que nós queremos é que seja um movimento do conjunto da sociedade brasileira pra tentar resolver o problema da dívida da sociedade nós vamos apresentar uma grande proposta e ao mesmo tempo a gente tentar amenizar o sofrimento do povo gastando dinheiro às vezes induzido pela jogatina que está sem nenhum controle nesse país. A minha geração é do tempo que o jogo do bicho era ilegal, ainda continua sendo ilegal, né? Eu sou do tempo que a Igreja Católica não deixava pensar em cassino porque era jogo de azar, o povo pobre, se bem que o pobre jamais vivia num cassino. por excesso dizê-lo nosso de não deixar criar o cassino eu lembro que aqui no Brasil vocês escutiam vamos fazer o cassino no Nordeste que a parte mais pobre vai desenvolver o Nordeste não o cassino veio para dentro da nossa sala o cassino veio para dentro do celular que muitas vezes a mãe dá para o filho de 10 anos de 12 anos sabe brincar então como é que a gente controla isso Então nós estamos levando muito a sério esse negócio. Então, eu tô te falando isso porque nós vamos tentar resolver parte do problema da dívida. Não que eu não queira que o povo tenha dívida. Eu acho que a gente tem que ter capacidade de se endividar. Quando a gente tem uma dívida, porque a gente comprou um patrimônio novo, adquirir um patrimônio é importante. Porque também ninguém tem dinheiro pra comprar a prazo. Mas o que é importante é que a gente seja regulado. Eu conto pra você uma coisa que é o seguinte dezembro de 2023, dezembro de 2008, quando veio a crise do subprime nos Estados Unidos, está lembrado? Claro, tinha uma crise comercial no mundo. O mundo estava sendo desativado. O que que eu fiz? Eu peguei a televisão, fiz um pronunciamento de oito minutos em rede nacional, convidando o povo brasileiro a se endividar, a se endividar com responsabilidade, só podendo gastar aquilo que o seu salário poderia pagar para que ele não se comprometesse. E foi pela primeira vez na história desse país que a classe C e D consumiram mais do que a classe A e B. Porque foram a compra com responsabilidade.
Kiko Nogueira, DCM
Quero aproveitar eh a gente tá vendo as pesquisas e o Flávio Bolsonaro aí pontuando eh o quanto que isso causa preocupação pro senhor é que quantas pessoas precisam saber disso que o senhor tá contando e por que que não tá chegando população esse Ricardo que você está dando?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Olha, eu tenho dito que esse ano vai ser o ano da verdade contra mentiras. Os dois primeiros anos foram o tema da reconstrução do país, sabe? Da reconstrução. O ano passado foi um ano que nós semeamos tudo que a gente tinha que semear e esse ano é o ano da colheita. Então, é o seguinte, quem mentiu, mentiu. Quem não mentiu daqui pra frente vai ser pego de calça curta como Já foi pego. Como o Flávio foi. aquela brincadeira do cara comendo um caminhão do pai dele. E ele se esqueceu de perceber que aquilo era no governo do pai dele. Então daqui pra frente é o seguinte: a política séria de olho por olho, dente por dente, com base na verdade. Nós não vamos deixar uma mentira, uma medida de vida longa. A mentira tem que ter vida curta e a verdade tem que durar, porque nós precisamos levar a sociedade brasileira ao momento eleitoral, discutir com a seriedade que precisa discutir para escolher um chefe de Estado. Se ela for na base da mentira, o resultado pode ser um desastre para a democracia e para a sociedade brasileira.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Deixa eu trazer um dado da verdade, que é muito importante, que inclusive justifica o fato de a gente ter criado uma empresa. Foi o final de 2010 o melhor momento da história econômica do Brasil. Isso é inegável. O Brasil bombando, crescendo 7,5% ao ano. E o debate, político, eleitoral, ele era feito com base em coisas racionais. Você viu os números, os resultados comparado e assim funcionava. Eu até trouxe uns dados aqui, o senhor não vai se lembrar. Isso aqui é Bovespa. Ela vai de 20 mil pontos para 70 mil pontos. Cai na crise de 2008 e volta, né? Isso aqui é o governo anterior ao seu, caiu. Andou para trás, caiu. Isso aqui é o governo Lula 3. Hoje, a gente vai dar sorte pro senhor, hoje a gente vai ter 200 mil pontos. da Bovespa. É possível que isso aconteça, né? E esse aqui eu achei mais interessante ainda, isso aqui é Embraer no governo passado, isso aqui é Embraer no governo Lula. A Embraer subiu 300% no seu governo. Aí algumas pessoas acham que isso acontece por milagre. “Ah, não, aconteceu porque subiu, porque resolveram comprar avião”. Mas não é assim, né? Quer dizer, tem BNDES, tem política industrial, tem muita coisa, né? A última vez que eu encontrei o emissor lá em São Carlos, foi para comemorar o negócio de 74 aviões comprados pela Latam. Agora o senhor está nessa
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Muito E também inauguração do primeiro supersônico brasileiro centro do Brasil.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Mas isso o senhor batalhou há muito tempo. O senhor foi no Chile atrás desse acontecimento. Então eu queria que o senhor falasse de coisas que às vezes as pessoas não percebem, mas que não estão caindo do céu como fruta madura. Isso é plantado.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Veja, toda vez que Que o
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Mercado, muita gente no mercado reconhece. Eu queria até mandar um abraço para o presidente, que eu tenho uma fonte no Faria Lima, que é o Faria Leimer Petista. ele sempre, sempre enfatiza esses dados do senhor, que são superiores a de qualquer governo.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Deixa eu te dizer uma coisa, Arducha. Desde que eu cheguei na presidência, em 2003, é importante contar essa história, porque quando eu cheguei em 2003, os economistas de esquerda do meu partido, eu vou dar o exemplo de uma inatacável, Maria da Conceição Tavares, ela dizia “O país está quebrado, o Lula não vai conseguir governar”. Até os de direita que ficavam dizendo, tá difícil, o Lula não vai dar conta do recado, não sei das contas e tal. O Brasil devia 30 bilhões de dólares para o FMI, não tinha dinheiro para pagar as nossas importações, o malano era recebido pelo presidente do FMI, era a inflação estava quase a 12%. Tá lembrado? Nós entramos aqui, vamos colocar a casa em ordem, vamos tentar fazer, foi um ano muito difícil, o primeiro ano, no segundo ano deu uma melhoradinha, no terceiro piorou, veio o tal do mensalão em cima de nós.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
O senhor falava desde o começo que viria um espetáculo
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Do crescimento. Eu não esqueço nunca, eu ia na Ford fazer uma assembleia com os trabalhadores e eu falei: Vocês vão ver que esse ano vai começar o espetáculo do crescimento. Avacalharam comigo, eu não vou citar nome de quem avacalhou, mais economista na televisão porque o Lula estava fazendo fantasia naquele ano a economia cresceu 5.8% essas pessoas nunca pediram desculpa para mim mas eu tinha consciência de que as coisas iam dar certo a gente estava trabalhando para isso e estava acontecendo um fenômeno na economia brasileira que era a gente estava calçando a parte de baixo da sociedade a gente estava colocando um pouco de concreto ali para fazer subir sabe a escala social das pessoas A gente começou a fazer muita política de crédito, o Banco do Brasil começou a emprestar mais, a Caixa começou a emprestar mais, o BNDES começou a emprestar mais, o BNB começou a emprestar mais, as pessoas começaram a ganhar mais, os trabalhadores de carteira assinada foram crescendo, ou seja, e nós chegamos a uma situação em que terminamos um ano com 7,5% de crescimento, o comércio crescendo quase a 13% e a inflação dentro da meta. É um lance de sorte. Sabe, o Lula tem sorte. No segundo mandato, foi a mesma coisa. Agora é a mesma coisa. A gente não tem sorte, a gente tem compromisso. O quarto pode ser melhor. Pode. E só tem uma razão de eu ser candidato é pra ele ser melhor. Depois nós vamos entrar em detalhe. Mas deixa eu lhe contar uma coisa do terceiro. A economia brasileira é importante a Faria Lima saber que não é por causa deles. A economia brasileira não crescia acima de 3% desde que eu deixei a presidência da república em 2010. Eu vou repetir. A economia brasileira não crescia acima de 3% desde que eu deixei a presidência da república em 2010. Ela só voltou a crescer acima de 3% quando eu votei a presidência da república em 2023. Agora, então, o que eu posso dizer para o brasileiro, se vocês quiserem escolher um presidente, por favor, escolha alguém que tenha muita sorte muita sorte porque de azarado já chega o povo é importante que a gente escolha alguém que tenha compromisso de verdade e não é só não é só a economia que cresceu a indústria Brasil fazia quanto tempo que a gente não tinha superávit comercial de coisa manufaturada começamos a ter abrimos 518 novos mercados em três anos e meio para os produtos brasileiros o Brasil voltou a ser um país levado a sério no mundo inteiro. Poucas vezes na história o Brasil foi respeitado, como o Brasil é respeitado hoje. Tanto pelo Trump quanto pelo Putin, quanto pelo Xijiping, porque nós fazemos questão de respeitar e queremos ser respeitado. Quantas vezes nesse país, quantas vezes nesse país teve tanto crédito como da onde? Você pegou a bolsa, pode pegar o Banco do Brasil, pega a Caixa Econômica, pega o BND, pega o BASA, pega o BNDF. passou quatro anos aqui dizer não, tem caixa preta no BNDF, tem caixa preta, eu vou abrir o caixa preta no BNDF, tem corrupção no BS. Por que que eles se encontraram no BS? Um banco falido por incompetência, o que que nós fizemos? Recuperar o BNDF e tá batendo recorde de financiamento outra vez. Quando você tem compromisso, quando você quer fazer, as coisas dão certo e eu jamais iria concorrer a um mandato pra fazer as coisas darem errado. o meu quarto mandato é pra fazer esse país dar um salto definitivo pra se transformar num país desenvolvido.
Renato Rovai, Revista Fórum
Eu quero, eu quero fazer uma pergunta então já olhando pro quarto mandato. A taxa de juros tá quinze por cento, presidente. Eu sei que o senhor deve tá satisfeito com isso, mas tem aí uma pressão também porque a meta da inflação definida no começo do governo foi de três por cento e teve que se construir o arcabouço fiscal. É difícil pra população entender essas coisas. Queria que o senhor explicasse e pro quarto mandato, isso muda? Depois da casa arrumada, é possível pensar em outras coisas ou vai se manter esse mesmo padrão na economia?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Uma coisa que você precisa entender, pra me ajudar a divulgar pro povo brasileiro, é que quando você encontra uma economia destruída, você não pode começar a administrar sem levar em conta que ela está destruída e que você precisa consertá-la para destruir. Você está lembrado que em 2004 eu levei o super arte primário para 4 de 25 porque a gente estava numa situação muito delicada e eu precisava passar seriedade para poder convencer as pessoas de que o Brasil era um bom receptor de recursos estrangeiros se a gente fosse com seriedade. Olha, eu fui procurar o presidente do FMI, que era o alemão, um tal de Kohler, para dizer para ele: aprendi economia com uma mulher analfabeta que me ensinava anão gastar mais do que eu ganhava e é assim que eu vou cuidar do Brasil. Você pode ficar quieto que eu vou pagar o FMI. E o que aconteceu em 2005 paguei o FMI e pela primeira vez a coisa que mais custou nesse país eu fiz que foi fazer um colchão de segurança econômico acumulando duzentos e setenta bilhões de dólares de reserva. A primeira vez que a gente teve reserva nessa magnitude. e até hoje essa reserva estão sustentando o Brasil até hoje essa reserva dou estabilidade para o Brasil olha porque meu eu quando eu tomei posse aí eu tinha na cabeça o fracasso do Valessa o Valeta foi meta rústico junto comigo ele fez a greve em 80 quando eu fiz a greve no ABC e o Valeta foi um fracasso no governo ele foi candidato a reeleição teve 0,5% aquilo que tava martelando a minha cabeça eu falava eu não posso fracassar eu tenho que dar certo eu tenho muito orgulho de pode me comparar com qualquer presidente da história do Brasil. Pode pegar todos. De Marechal Deodoro da Fonseca, sabe? Até o último cidadão que passou por aqui. Eu duvido que algum deles junto ou todos eles juntos fizeram cinquenta por cento da política de inclusão social que nós fizemos nesse país. Nós sozinhos fizemos mais universidade que todos eles juntos. Nós sozinhos fizemos mais escola, institutos federais do que todos eles juntos. Nós só vimos colocamos mais estudantes na universidade que todos eles juntos. Nós só vimos fizemos mais escola de integral do que todos eles juntos. É tudo, não. Ainda é pouco, diante da necessidade do atraso. Porque eu não sei se vocês sabem, meus queridos, quando Colombo chegou em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1492, em 1532, 40 anos depois, já tinha a primeira universidade em Santo Domingo. Cabral chegou aqui em 1500. A primeira universidade só foi feita 400 anos depois. Essa é a diferença do Brasil com outro país e é esse país que eu tenho que mudar.
Kiko Nogueira, DCM
Presidente, deixa eu aproveitar o cenário internacional um pouquinho. O senhor falou duas vezes aí no fato de ser cristão. O Papa está sendo hoje a principal voz contra o Trump. E o senhor vai para a Europa encontrar lideranças progressistas. Como é que o senhor encara o seu papel diante da ofensiva fascista no mundo?
Leonardo Attuch (Brasil 247)
E o Trump, como Jesus Cristo, também.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Vamos fazer duas coisas. A primeira é com relação ao comportamento do presidente Trump.
Kiko Nogueira, DCM
Perfeito.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu acho que o presidente Trump, ele faz um jogo eminentemente na tentativa de agradar o povo americano para tentar passar a ideia do país potência, do país preponderante, do país onipotente, sabe?
Kiko Nogueira, DCM
Paulo Maga, né?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Daquele povo superior. Obviamente que nós somos admiradores dos Estados Unidos, um país que cresceu, se desenvolveu, a maior economia do mundo, o maior país bélico do mundo, maior tecnologia, tudo isso a gente admira, a capacidade de trabalho do povo americano. Mas isso não é pelo autoritarismo do presidente. Isso é, sabe, pela conjuntura econômica, pela importância do país, pelo grau de universidade que eles têm. Então o Trump não precisava ficar ameaçando o mundo. Eu disse pro Trump, olha, a gente tem que escolher se a gente quer ser temido ou a gente quer ser amado. Esse é o papel do líder. As pessoas podem me considerar liderança porque gostam de mim e as pessoas podem achar que eu sou líder porque tem medo e quem tem medo não vê liderança, vê um algoz, é diferente. Então eu acho que o Trump não precisava disso, o povo americano não precisava disso. Essas ameaças do Trump não fazem bem para a democracia. Essa guerra do Irã é inconsequente. Agora a gasolina nos Estados Unidos está 35% mais cara. O Brasil é um dos países em que o combustível está mais baixo no mundo nesse momento. Então eu acho que o Trump não precisava disso. Eu quando conversei com o Trump, eu disse olha, eu tenho 80 anos de idade. Você vai fazer 80 anos, 14 de junho. Portanto, doido é octaginário. Não tem que ficar falando coisa que não tem interesse do seu povo. Você tem interesse dos Estados Unidos, não tem interesse do Brasil. A base pela qual você nos taxou não é verdadeira. Você não tem déficit com o Brasil, você tem um superávit de 15 anos de 410 bilhões de dólares. É só você perceber que está errado a lógica. Eu acho que ele compreendeu. E a coisa está bem amenizada. Eu falei pra ela, se você quiser combater o crime organizado, fechamos o acordo agora. E a semana passada a nossa Receita Federal, com a receita dele, resolveram fazer troca de informações pra gente prender, sabe, contrabando de arma, prender anarco tráfico, prender o crime organizado. Sabe, isso teve alguma coisa? Ramagem acho que vai vir pra cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso numa multa, havia não. Ele foi preso e já estava condenado há 16 anos nesse país. ele foi um golpista que está condenado, porque ele tem que voltar pro Brasil pra cumprir a sua perna. Mas com relação ao Trump é isso, eu espero que ele aos poucos vá aprendendo aquela imagem de Jesus Cristo, aquilo é uma sinceramente que ele não contribui com o que acredita no sistema multilateral, que acredita na democracia.
Kiko Nogueira, DCM
O senhor tem muita reunião do Papa Francisco, o Papa Leão 14 está surpreendendo bem?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Não, tá bem, eu tive com ele, saí muito bem impressionado e aproveitar a tua pergunta pra ser solidária a ele, que está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump. Ninguém precisa ter medo de ninguém. Ninguém precisa ter medo de ninguém. Eu disse pro Trump o Trump não precisa ficar falando pra mim que você tem o maior navio do mundo. Eu não quero guerra com você. A minha guerra com você é no argumento. Eu quero o poder da palavra pra mostrar que nós não estamos certo e você tá errado. Bem, aí entra na questão da democracia.
Kiko Nogueira, DCM
Sim.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Nós tínhamos um fórum criado pelo por nós aqui, pelo perto da Colômbia, pelo pelo o presidente da Espanha e pelo o ex-presidente Boric. Agora vai ter uma reunião que vai ter muita gente. Barcelona. Barcelona vai tá, vai tá. Onde vai cobrir inclusive. Boric vai tá lá. O México vai tá África do Sul, vai ter muitos países. E nós vamos lá pra poder tentar mostrar a importância de fazer com que a democracia recupere o seu espaço, sabe? No coletivo mundial. Porque fora da democracia qualquer coisa é pior, não tem nada melhor. A democracia é um regime difícil, porque a democracia você tem que conviver com imprensa, você tem que viver com sindicato, você tem que conviver com greve, tem que conviver com oposição, tem que viver com congresso, sabe? Mas isso é que é a riqueza da democracia. É o contraditório, sabe? Estar presente a todo momento, ou seja, quando você fala democracia, você não está falando de um pacto de silêncio, não. Você está falando de uma sociedade em ebulição. A sociedade se movimentando, tentando conquistar, tentando protestar e o nosso exercício é esse, de lidar com essas coisas e construir sempre o caminho do meio.
Entrevistador 3 (provável Kiko Nogueira, DCM)
A derrota do Urban, né?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu sinceramente acho que nós precisamos apenas dizer o seguinte: é É preciso definir na cabeça do povo o que que é democracia. Democracia não é apenas o direito de votar. Democracia as pessoas querem votar, as pessoas querem controlar o comportamento dos seus eleitos, as pessoas querem o direito de trabalhar decentemente, as pessoas querem comer decentemente, as pessoas querem estudar, as pessoas querem ter acesso à cultura ao lazer, as pessoas querem construir sua família dignamente, as pessoas têm que ter direito de ser cidadãos e cidadãs. E a democracia não pode fugir disso, senão não tem explicação o exercício da democracia. É com essa força de vontade que eu vou defendendo a democracia e as instituições que garante a existência da democracia.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Presidente, o senhor falou dos combustíveis nos Estados Unidos, eu não queria deixar passar aqui no Brasil. Um dos grandes estragos desse golpe de 2016 foi o desmonte da Petrobras, a privatização da BR feita pelo governo Bolsonaro e o senhor falava na campanha pelo terceiro mandato em reestatizar a BR Distribuidora. A gente entende as dificuldades, obviamente, mas o senhor assume esse compromisso de que vai ter distribuição da Petrobras no quarto mandato? A Petrobras vai estar do poço ao posto, por exemplo?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Deixa eu só te dizer uma coisa. na privatização da BR, na privatização está descrito, que se a gente quiser readquiri-la só a partir de 2029, até lá ela pode ser vendida por qualquer pessoa menos para a própria Petrobrás,
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Que é um escândalo.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
E a mesma coisa vale para a Eletrobrás, tá? Porque são dois escândalos, ou seja. São dois escândalos, ou seja, a Petrobrás, como não tentaram, como não conseguiram privatizar a Petrobrás, eles foram tentando privatizar parte da Petrobrás. Então vendo uma refinaria aqui, vendo outra refinaria ali, venderam Clara Camarão que produz querosene de avião no Rio Grande do Norte, porque eu fui inaugurar, venderam venderam a refinaria da Bahia.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Mas às vezes o povo vai lá e sofreu o preço, né?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
E venderam a BR. Então veja, agora se a gente tivesse a BR na nossa mão o não aumento de preço seria controlado por nós. Agora, embora a gente esteja numa briga muito grande, porque nós visitamos e PIS e COFINS, sabe? Dos impostos do óleo diesel, nós fizemos um acordo com o governo do estado e estamos dando uma subvenção, eles abrem mão de uma parte do ICMS, estamos dando subvenção de outra parte, sabe? Estamos cobrando imposto dos exportadores que foi derrotado, mas nós que vamos ganhar pra gente poder compensar e não permitir que o preço do combustível e da guerra do Irã chegue ao preço do feijão, ao preço da salada, ao preço do pão. Esse é o nosso objetivo e muito menos o tanque de um caminhoneiro autônomo sabe que mal e porcamente consegue sobreviver com o preço dos 7 então essa é a nossa guerra essa é a nossa guerra e obviamente o que eu quero dizer para você da mesma forma que no meu primeiro mandato eu comprei uma empresa para distribuir gás para a gente poder controlar o preço e eles entenderam eu ainda sonho que a gente vai ter uma empresa distribuidora de gás eu ainda sonho que a gente vai ter distribuidora de combustível porque até agora ele usa a marca Petrobras sim Até agora. Então não tem sentido. Sabe aquele negócio? A competência de governança da direita é dizer o seguinte: o Estado é fraco, sabe? E entra a direita no governo para vender o quê? Para vender o Estado. Para vender as coisas que o Estado tem. Vamos pegar a Eletrobras como exemplo. Tem gente que não gosta que eu fale da Eletrobras não, mas a Eletrobras que era uma empresa modelo nesse país. Ela foi vendida e vocês sabem o jeito que ela foi vendida. Pois bem, essa empresa foi vendida para ser moralizada, um presidente da Eletrobrás ganhava 60 mil reais quando já era pública, hoje deve estar ganhando por volta de 400 mil por mês, fora milhões de bônus, milhões de bônus por ano, em nome de que moralização, que moralização, eu ainda sonho em que a gente vai criar uma outra Eletrobrás, porque tá uma empresa mais moderna e melhor.
Renato Rovai, Revista Fórum
Eu queria falar de economia popular, assim, tem algumas essas questões obviamente são muito importantes, mas tem questões que tão ali no no dia a dia do do povo trabalhador. Uma essa questão de do endividamento, as famílias estão endividadas, o senhor não sabe disso? Eu queria saber se o senhor já pode anunciar aqui pra gente o que que vem aí de projeto do governo nessa área. Não, mas tem mais uma. A questão dos dos dos dos aplicativos, dos trabalhadores de aplicativo, tem tá tendo um problema lá com o congresso de de aprovação disso. E por fim, Eu sei que não é de vocês, mas colou no governo, como sendo do governo, essa questão da taxa das blusinhas. O que teve de gente me pedindo para perguntar disso quando eu falei que vinha falar com o senhor? Então queria ouvir, porque eu sei que na época, por exemplo, a Jan já era contra, teve toda essa conversa, não foi um tema fácil. O senhor mesmo estava bem em dúvida se devia ou não aprovar, mas os governadores, o Congresso, aprovaram, foi aprovado quase por unanimidade.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Na verdade, o Congresso aprovou. sob pressão do comércio varejista, comerciante de São Paulo, do Rio de Janeiro, ou seja, as lojas mais organizadas fizeram uma pressão, o que eu achava um absurdo, e nós concordamos com o Congresso Nacional, porque ele aumentou 20%, mas depois os governadores voltaram a aumentar a ICMS. Eu achava desnecessária o aumento da blusinha, achava desnecessário, porque são compras muito pequenas, Pois é. São compras de 50 reais, 60 reais, 70 reais, sei lá, coisas que não tem nada muito significativo, mas as pessoas de baixo poder aquisitivo que compravam aquilo. E que ainda compra, né? Eu sei do prejuízo que eles trouxe pra nós. Eu sei do prejuízo, né? A economia popular, veja, eu converso muito com o companheiro que trabalham, sabe, no comércio, nos bancos, nas fábricas. Eu converso muito com o pessoal terceirizado. ainda ontem aqui em Brasília a gente fez com que a a a gente vai ressarcir o valor da creche para os terceirizados vai receber por mês quinhentos e quinze mil reais, quinhentos e quinze mil reais, quinhentos e quinze reais por cada filho com menos de cinco anos, onze meses e trinta dias, ou seja, com menos de seis anos. Então, nós temos que que levar em conta essa necessidade de pensar na economia, levando em coisa sempre o privilégio para as pessoas que têm menor poder aquisitivo. E não prejudica o grande comércio, porque se você entrar numa loja grande em São Paulo, você vai ver roupa vindo do Vietnã, roupa vindo da China, roupa vindo de Progatech. A diferença é que um tá vendendo na loja, outro tá vendendo na calçada e outro tá vendendo pelo celular, pelo Mercado Livre, sabe? Esse é um problema que nos trouxe problema e inquietação.
Renato Rovai, Revista Fórum
Vai mudar isso?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Deixa eu te falar, eu só não posso anunciar o que nós vamos fazer, porque nós temos um plano de trabalho pra determinado momento a gente fazer o anúncio. São vários anúncios que nós queremos fazer e a gente agora só vai anunciar quando tiver tudo pronto. Eu não quero anunciar mais nada, que ao anunciar, vai demorar 40 dias pra entrar e vir.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Ninguém falou de 20% do FGTS.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu quero anunciar as coisas tudo de uma vez, quando tiver tudo pronto pra funcionar. Mas vai ter nação? Vai ter coisa boa, sabe? Se não a vacina não é pra ser boa, não vamos fazer. Nós estamos pensando em vários setores. É um trabalho meticuloso, sabe? Exige muita seriedade. Eu estou envolvendo todas as pessoas que têm alguma coisa a ver com isso, para que quando a gente denuncia isso possa ter um efeito no bolso das pessoas. A ideia básica é você fazer com que sobre alguma coisa para o povo brasileiro. A gente não tinha discutido o FIES na primeira reunião, mas outra vez o pessoal do FIES está devendo. Então, a gente vai ter que colocar também como é que a gente vai aliviar a conta do cara que fez um crédito para estudar, que está continuado e pagar.
Kiko Nogueira, DCM
Presidente, eu queria falar dois pontos que são difíceis assim para o governo comunicar o que está sendo feito: segurança pública e combate à corrupção. Por que é tão difícil para o governo dar o recado sobre o que está sendo feito e para a direita é só bandido bom e bandido morto e onde é que a coisa pega aí?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Letícia, o que que isso é uma coisa, isso é uma coisa crônica no Brasil. Quem é de São Paulo sabe que nos anos 80, quem disputava a campanha política era, tinha que ouvir Gil Gomes, a Fanac Jazari, sabe? Bandido bom é bandido morto, sabe? Essa história, né? O que acontece que em 1988 houve uma constituinte que foi aprovada uma nova constituição. E nessa constituição, nós, os constituintes, atendendo ao apelo dos Estados, porque estavam cansados do governo federal, através dos militares, terem interferência nas políticas de segurança dos Estados, nós garantimos na constituição que a segurança pública é da responsabilidade do Estado. O governo federal tem a política federal que é quase uma política fazendária que ela só pode entrar quando tem quando tem um pedido e tem a política rodoviária federal que cuida das estradas federais, tá? Então eu eu tô com a PEC no Congresso Nacional, ela já foi aprovada na Câmara, a hora que a PEC for aprovada no Senado, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública. Ao criar o Ministério da Segurança Pública, você vai ter que ter o orçamento muito poderoso. Só está definido isso. Você vai ter que ter o orçamento, ou seja, não dá pra você pensar em segurança pública, sabe quanto é que, sabe qual é o fundo de segurança pública que tem o governo federal? Hoje, 2 bilhões. Sabe quanto que um estado como a Bahia gasta? Quase 10 bilhões. Então o que que nós temos? Nós fazemos alguma ajuda, comprou uma viatura aqui, comprou uma coisinha ali, mas segurança pública não é isso. Na hora que foi aprovada a PEC que definiu o papel da união da segurança pública, esse país vai ter segurança pública, sabe? Com política federal, com mais gente, com mais inteligência, com mais gente, com mais inteligência e com uma guarda nacional, sabe? Para fazer as intervenções necessárias para ninguém nunca mais falar em GLO, tá? Então isso está na minha cabeça e a gente está trabalhando com muito carinho a elaboração de um plano. A outra coisa é a questão do crime organizado e a questão da Polícia Federal, nesses nossos três anos de governo, já desbaratou dez milhões, sabe? De bandido nesse país. Já muito boa. Qual é o problema da violência? É que quando você apura a corrupção, você prende o bandido, aparece a corrupção. Aparece no governo de quem? Aparece no governo de quem combate a corrupção. No governo de quem não combate a corrupção não aparece. Então, é como o governador pra escolher o crime, sabe? Nunca define tipificar o crime. Então, o cara morreu, não apareceu. Você não acha quem matou? Você não sabe quem morreu? Ou seja, então o crime não aparece. Aí começa a cair. Não, o que nós queremos é um jogo da verdade. Sabe? Nós, agora, diz pro delegado geral da Polícia Federal, todo crime que a Polícia Federal desvendar, todo e qualquer crime, tem que dizer. quando é que começou a funcionar a quadrilha, quanto ela foi criada e em que governo? Pra que a gente dê a sociedade a dimensão, sabe? Da serpente que botou o ovo, que germinou, falando disso.
Renato Rovai, Revista Fórum
O crime organizado e o banco master, né? Que eu acho que é uma uma conversa que que eu que eu gostaria de ouvi-lo, porque eh tem dois diretores do do Banco Central que foram presos tão com tornozeleira eletrônica, eh isso teve origem, a gente sabe aonde, não foi na gestão do ao mesmo tempo, foi na na gestão do Roberto Campos Neto. O senhor não acha que o Galípolo deveria falar um pouco mais sobre isso? Até em defesa da da da gestão.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Deixa eu te falar uma coisa aqui é muito importante, veja. Se você pegar cronologia do Banco Maffer, tem Você vai perceber o seguinte, em dois mil e dezenove, no começo em fevereiro, houve o primeiro pedido de legalização do Banco Master. O presidente do Banco Central era o Ilan.
Renato Rovai, Revista Fórum
Ele negou.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Ele negou. Quando chegou em setembro do mesmo ano, já era o Roberto Campos, ele legalizou. Então, De Lá Pra Cá, você pega a área cronológica de quem foi quem, você vai perceber que foi tudo no governo passado. Tudo no governo passado, a mesma coisa do INSS, tudo no governo passado. Então, o que que eu disse ao companheiro Galin, olha, o que eu quero de você é que você preste conta da sociedade da onde é que a origem disso. Ou seja, eu não quero que você acuse o Roberto Campos, eu não quero que você acuse ninguém porque você não é policial, você não é procurador, eu só quero que você morte pra sociedade quem é quem no cinema, quem é o artista principal, quem é o coadjuvante, sabe? Pra que o povo saiba quem é as coisas. E ele tá, aliás, o deputado Pimenta fez isso muito bem na CPI, quando ele fez a cronologia do Banco Master, que ele chamou de Bolsonaro. Então, eu tive conversa, eu tive conversa aqui, não sei se você se lembra do PowerPoint que a GloboNews fez.
Renato Rovai, Revista Fórum
Pois é, essa história do
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
PowerPoint, eu tive uma conversa com um dirigente da Globo. Tive uma conversa pra mostrar, pra mostrar irresponsabilidade daquele PowerPoint. Mostrar irresponsabilidade. Tentar mostrar a conexão de um cara com o Presidente da República, tentar mostrar a conexão de um cara com o Banco Central, com Gali, e ainda colocar a bandeira do PT? Bandeira do PT? Como eu já fui vítima muitas vezes, eu tive uma conversa muito séria, não dá para a gente admitir, mas desse tipo de sacanagem. Então, não dá.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
E está muito em democratização da mídia, antes de vencer essa terceira eleição. O senhor acha que hoje a mídia brasileira é mais ou menos democrática do que era quando o senhor ganhou?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu acho que nós temos um problema, obviamente que com a internet solta do jeito que é, não pode ter nada mais democrático do que os meios de comunicação nesse país. eu acho que tem agora agora tem preferência tem preferência política tem preferência ideológica sabe eu fui vítima disso em 89 fui vítima disso em 94 em 98 fui vítima disso em 2002 em 2002 eu chamei a Globo para conversar comigo porque o jornal O Globo dava mais destaque em Luiza Helena que era a última colocada do que o presidente que era o primeiro colocado. A gente dá para perguntar qual era o critério. Qual era o critério? Depois veio 2006, sabe? Nós fizemos a campanha contra o Alckmin, depois veio 2010, depois veio 2014, a canalite que foi feita com a Lava Jato. Ou seja, que a imprensa não pede desculpa, então também não vou ficar lamentando, mas eles criaram alguns monstros. Em nome do combater a corrupção, você levar em conta o que estava acontecendo nesse país, você levar em conta o que estava acontecendo nesse país, e eu sei o preço que eu paguei. E pra mim, aceitar concorrer a um terceiro mandato era deixar todo o rancor de lado, porque ninguém consegue governar se ficar, sabe, com o espírito de vingança. E é assim que eu estou governando esse país, mas eu não posso permitir que eles achem que eu esqueci o que eles fizeram. Não pode, eu sei que a minha família foi destruída. Deixa eu só aproveitar.
Kiko Nogueira, DCM
Essa conversa precisa saber o que eles disseram para o senhor, o que eles falaram.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu só queria, disseram que não foi, que foi uma pessoa que fez e foi mandado embora. Foi uma pessoa que fez. Ou seja, quem é que pagou o pato, um magrinho.
Kiko Nogueira, DCM
Foi.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Um magrinho. Ou seja, de que lado que a corda arrebenta? Do lado mais fraco. Sabe, então é isso. Mas eu sei qual era a intenção. Comecei qual era a intenção do Alberico em 89 na montagem daquele debate com o Collor. Então, o fato de eu relativizar essas coisas é porque eu também não posso ficar em guerra a vida inteira como o Brizola fez com a Globo. Eu não quero ficar em guerra. Eu fui eleito para governar esse país, eu quero governar. Mas é importante a gente lembrar, sabe, a questão da Previdência Social. Você sabe que eu sou um cara que eu tenho mágoa pessoal dessa CPI, porque eu queria que a CPI fosse feita pelo PT. é a bancada do PT que quer convocar CPI. Porque foi a Polícia Federal e a nossa CGU que descobriu a falcatrua montada no governo passado. Então vamos nós fazer, não, não é possível fazer CPI porque nós estamos no governo, não é o governo que vai fazer CPI, é o partido que vai fazer. É a oposição que vai fazer, o nosso partido, nós não queremos fazer, eles fizeram. Não colocaram nenhuma pessoa dele. Nomes que todo mundo sabia quem foi. E aí colocaram dois, aí colocaram dois relatores que são candidatos à eleição pro Senado, que quiseram fazer da da da CPI uma peça de campanha, passando a mentir o tempo inteiro.
Renato Rovai, Revista Fórum
Começaram pelo seu irmão e acabaram no seu filho.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Então o seguinte, é o seguinte, essa história toda eu já conheço, então o que que eu disse, sabe, nessa discussão? É importante que a gente tenha muita responsabilidade daqui pra frente. a gente não pode aceitar mais essa falcatrua, essa sacanagem, vamos fazer o jogo da verdade, eu jamais vou pedir para o jornalista, jamais eu vou pedir pra Folha, pro Estadão, pra Bandeirantes, jamais eu vou pedir, fale bem de mim, eu não falo nada, seja livre, fale mal, mas fale a verdade, não inventem história, porque eu sei o que eu passei com as mentiras contadas e até hoje eu estou esperando que algum sacana prove Morte uma prova, presidente. Então, as pessoas precisam pedir desculpa, desculpa. Eu queria só votar um tema. O senhor acha melhor uma previsão? Eu vou só votar um tema. Você pega a questão do mercado financeiro. Todo ano começa o ano, todo ano começa o ano, com o mercado fazendo a previsão catastrófica do ano fiscal.
Kiko Nogueira, DCM
O cara é pago pra ele?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Todo ano. Todo ano começa o ano a mesma catastrófica e é sempre no mesmo jornal. mas na lista que você não sabe quem é parece o Zezinho de Piracicaba, coloca lá o Zezinho de Piracicaba. Aí o cara faz um abraço, catasse não porque o governo está gastando demais. Você sabe qual é a desgraça desse país? Ele sabe qual é a desgraça histórica do Brasil? É que as pessoas ficam dizendo que a gente gasta com educação, que a gente gasta com isso. E as pessoas nunca pararam para discutir quanto custou ao país a gente não ter feito as coisas na hora certa. Quanto custou a gente não ter resolvido a educação do Brasil nos anos 50 quando começou o ex rural? Quanto custou não ter feito reforma agrária na década de 50 quando o mundo fez? Ou seja, quanto custou a gente fazer tudo atrasado? Em nome do que? A única coisa que é obrigado a gente pagar, que é obrigado a dar, é o juro da dívida. Então você tem que fazer o superado porque tem que pagar o juro da dívida todo ano. Nós sabemos que temos que pagar e nós temos responsabilidade, Nós temos responsabilidade, mas é preciso que essa gente seja mais honesta com a opinião pública. Esse país nunca, nunca esteve tão controlado como ele está agora, pega o que era o déficit fiscal no governo passado, pega a loucura dos precatórios que foi feito, ou seja, nós tratamos com responsabilidade, sabe por quê? Porque não apenas eu, mas o pessoal que trabalha comigo tem biografia, o Haddad tem biografia, e ele não quer destruir a biografia dele, inventando história. Sabe, ele quer fazer as coisas mais sérias possível. O arcabouço fiscal, rapaz, foi uma necessidade. Eu queria que isso fosse uma necessidade de mostrar seriedade no momento difícil da economia brasileira.
Renato Rovai, Revista Fórum
E para o próximo.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Ninguém, você está lembrado que eu cheguei na presidência, rapaz? O Brasil não era mais lembrado para nada. Ninguém convidava o Brasil para nada. O presidente era um palha. o eremita que ficava sozinho no mundo ou seja hoje o Brasil é respeitado e muito respeitado o Brasil é levado em conta e muito levado em conta e mais importante do que isso mais importante do que isso nós acabamos de fazer um acordo que estava há 25 anos rolando por esse mundo velho chamado acordo União Europeia Mercosul um acordo que envolve uma população de quase 750 milhões de habitantes e um PIB de 22 trilhões de dólares que começa a vigorar a partir de primeiro de maio. Então, daqui para frente, eu tenho o mundo todo para frente.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Isso aqui é bem importante e eu sou testemunha desse sucesso. Eu encontrei o senhor na viagem à Índia e foi impressionante ali, o entusiasmo dos empresários, enfim, uma coisa maravilhosa como foi na China, como foi o BRICS, tudo muito bem sucedido. Agora, quando se fala em política externa do seu governo, e o senhor falou que o mundo está melhorando, que o Trump talvez vá acomodar, Tem um ponto que é muito criticado. Tem um ator descontrolado que se chama Benjamin Netanyahu, que continua em guerra, agredindo o Líbano, agredindo outros países. E muitas pessoas perguntam se o Brasil não deveria romper relações diplomáticas com Israel. Eu sei que é um tema delicado, por várias razões, mas queria te ouvir. E quero também ouvir como é que o senhor sente, como ser humano, aquelas cenas de 165 meninas assassinadas numa escola no Irã. um milhão de pessoas deslocadas no Líbano. Tudo isso que está acontecendo, quer dizer, e como é que o senhor vê esse ator chamado Benjamin Netanyahu?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Olha, Benjamin, eu acho que é o tipo do político que faz mal à humanidade. É o tipo do político que o comportamento dele para ficar no poder exige que ele faça o que ele está fazendo, o que não cabe na minha cabeça, não cabe. Agora, o Israel, Eu só tenho muito cuidado para falar de Israel para não confundir o povo de Israel com Netanyahu. O povo de Israel tem muita gente que quer paz. Tem muita gente que não concorda com Netanyahu. Tem muita gente que gostaria, sabe, que não tivesse acontecido a Faixa de Gaba. Mas o José Netanyahu foi eleito por uma maioria, sabe, muito pequena e continua fazendo isso. Então eu acho que o Estado de Israel, ele age porque a complacência dos Estados Unidos. Se não fosse os Estados Unidos permitir, Israel não estaria fazendo o que está fazendo. Às vezes eu acho que o Israel é até utilizado para fazer determinadas coisas no Oriente Médio.
Kiko Nogueira, DCM
Tem gente que acha que o Netanyahu manda no Trump, né?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu não acho que ele manda no Trump, eu acho que tem uma certa subordinação histórica, sabe? Não é de hoje, não é de hoje, é muito tempo. Ou seja, o Netanyahu o governo de Israel com exceção de dois momentos históricos sabe que tinha governos progressistas que tentou fazer acordo de paz a maioria não quer fazer acordo de paz as terras que foram demarcadas para o Estado Palestino até hoje está sendo ocupada por Israel sem nenhum critério você nenhum respeito a nenhuma decisão da ONU então eu estou convencido que Netanyahu é uma figura fora da linha ele é um político, sinceramente, não tem nada de humanismo dentro da cabeçada. Eu eu não tenho, veja, eu nós não temos embaixador lá e ele não tem embaixador aqui, ou seja, agora nós temos uma relação histórica com Israel, nós temos duzentos e cinquenta mil, quase trezentos mil, sabe? Judeus que moram aqui no Brasil, que ajudaram muito esse país a crescer, a se desenvolver, nós temos que respeitar isso Então pra gente interromper relações eu preciso ter uma coisa mais, mais, eu pensei em romper relações, mas a gente precisa ter cuidado, a gente não pode tomar nenhuma atitude precipitada que depois dificulta você voltar atrás, presidente. Eu sempre estou achando que em algum momento o povo de Israel vai tirar o Netanyahu e vai eleger alguém civilizado, democrático, humanista pra governar aquele país e aí a gente pode votar a viver com mais tranquilidade.
Renato Rovai, Revista Fórum
Já que a gente está falando de países que estão sofrendo com a política do Trump, eu queria falar de Cuba. Eu estou indo inclusive para Cuba amanhã, vou visitar Cuba e estou levando a solidariedade aqui do pessoal da área, de todos os canais progressistas que estão transmitindo, inclusive, a entrevista hoje. Queria que o senhor falasse sobre o que está acontecendo em Cuba e como o Brasil pode ajudar mais Cuba.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Olhe, deixa eu lhe falar de Cuba. Primeiro, A relação minha com Cuba é uma relação de paixão pela revolução cubana. Eu faço parte da geração que nasceu admirando a revolução cubana. Isso não significa que eu sou obrigado a concordar com todas as políticas colocadas a partir da revolução. Eu, por exemplo, acho que, sabe, a existência de partido único não condiz com a melhor prática de exercício da democracia para participar o povo. mas foi o jeito que eles encontraram pra se organizar e como eu respeito da autodeterminação dos povos, cada um toma conta, sabe, do seu quintal e eu tomo conta do meu quintal. A situação econômica é a mais grave de toda a história de Sul. Porque Cuba tá faltando comida, Cuba tá faltando energia, Cuba tá faltando energia elétrica, falta petróleo, está faltando carne, seringa, esparadrapo, tá faltando tudo, tá? Tá faltando tudo. A exigência dos Estados Unidos, eu imaginei que quando o Fidel morresse, os Estados Unidos ia flexibilizar o acordo com o Cuba, porque o Fidel era o símbolo, sabe? Do do cara que tinha derrotado os Estados Unidos. O Raul tentou, sabe? Também não conseguiu Depois veio o Obama, deu uma pequena melhorada na liberação de recursos, mas depois veio o Trump, sabe? O Biden também não fez muita coisa. E hoje Cuba está vivendo a situação mais crônica de toda a história cubana desde a revolução. O Brasil tem mandado remédio, o Brasil tem mandado semente, o Brasil tem mandado alimento pra Cuba. Agora, o que precisa, na verdade, é que a China tem ajudado. Agora ninguém consegue adotar um país, ou seja, o que era preciso era ter um plano, um plano de recuperação de Cuba de médio e longo prazo. Mas aí somente os cubanos é que podem fazer. Eu acho que os cubanos poderiam ir ver no Vietnã o que foi feito no Vietnã que está dando certo no Vietnã. Eu poderia ir ver, poderia ir ver na China o que está sendo feito na China que que deu certo na China, ou seja, porque a situação tá muito difícil, ou seja, a produção de cana diminuiu, o sonho do Fidel quando sai da revolução era chegar a 10 milhões de toneladas de cana, nunca conseguiu chegar, sabe? Em Cuba não tem dinheiro circulando na mão do povo, então o comércio é muito pequeno, porque se não tem dinheiro, não tem comércio, se não tem comércio, não tem dinheiro, ou seja, é uma coisa absurda, então era preciso que os cubanos discutissem um jeito e somente eles podem escutar. Não vai ser o Lula que vai chegar lá pra dar palpeito, faça assim. Agora eu ouvi dizer que o Marco Rubio chegou a dizer o seguinte, se trocar o presidente, a gente vai flexibilizar, na verdade.
Kiko Nogueira, DCM
Em revista, a revistadora sugeriu pro Jascanel renunciar.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
É, eles tão querendo uma delsi cubana agora.
Kiko Nogueira, DCM
Aproveita e fala da Venezuela.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Cuba não vai acontecer isso. Cuba não vai. Eu acho que os cubanos precisariam encontrar uma solução política, sabe? Se você vai lá, aproveita e discute, deve encontrar com o Chico Buarque que ele tá lá. Pois é, acho que ele voltou, já voltou.
Kiko Nogueira, DCM
Queria aproveitar e falar da Venezuela, sequestro do Maduro e também o senhor falou em quintal, qual a preocupação com essa ideia dos Estados Unidos, é isso?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
O Quico e Rovai e Artuge. eu eu tô envolvido com a Venezuela desde que eu fui eleito em dois mil e três.
Kiko Nogueira, DCM
Sim.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu lembro que eu só tinha vinte e cinco dias de mandato, eu fui a posse do presidente do Equador que era o coronel Guterres e lá eu tive uma reunião com o Chaves que tava contando a crise política lá e lá eu tive a ideia de propor a chave da criação do grupo de amigos da Venezuela. Ali fizemos, fizemos o grupo de amigos o Quando foi uma hora da manhã, o Chaves já tinha ido embora, que ele estava ia para Nova Iorque fazer não sei o quê. E o Fidel estava muito irritado, porque o Fidel não, vocês estão entregando, sabe, a Venezuela para o imperialismo, porque nós colocamos os Estados Unidos e a Espanha no grupo de amigos. Eu falei pro Chaves, falei pro Fidel, o seguinte, nós não estamos criando um grupo de amigos do Chaves. É um grupo de amigos da Venezuela. É pra tentar estabelecer uma relação entre o governo e a oposição. não é o grupo de amigos do Chaves e deu certo participou o Colin Power participou a fundação a fundação Carter Carter participou o Asnar eu coloquei o Asnar porque ele foi o primeiro presidente a reconhecer os golpistas eu falei tem que ter alguém que tenha crédito junto à direita na Venezuela e deu certo criamos um grupo de amigos e houve um referendo e De Lá Pra Cá eu tive muitas reuniões com o Bucha a respeito do Chaves muitas com o Obama Com o Maduro foi mais difícil, mais difícil, porque o Maduro não tinha a perpicácia política do Chaves, sabe? O Chaves era muito esperto, era muito, sabe? E a coisa ficou ruim. Quando foi de eleição, eu encontrei com o Maduro em Santo Domingo, em Granadina, e eu falei pro Maduro, Maduro, é importante que você faça essa eleição a mais livre possível. que você permita a maior quantidade de observadores possíveis para que não pare nenhuma dúvida do processo eleitoral. Bem, quando chegou perto da eleição, o Celso Amorim ia para lá como observador do Brasil e o Maduro chegou a pedir para ele não ir. Eu falei, Maduro, o Celso pode não ir se você não quiser, mas eu vou ser obrigado a ter para a imprensa que você não quer que o Celso vá. O Celso foi sob a condição de que chegando na Venezuela iria conversar com o ministro da relação de exteriores e assim foi feito. O Celso foi lá, conversou com o ministro da relação de exteriores, conversou com o Maduro, conversou com vários embaixadores, conversou com a oposição, conversou com toda a oposição. E na hora do Celso se despedir, o Celso me telefonou e disse, olha, aqui não há nenhuma denúncia que houve qualquer problema no processo eleitoral. Até agora está tudo muito tranquilo. Então o que que nós pedimos pro Maduro? Maduro era importante que você, sabe, divulgasse as atas do processo eleitoral para que não parasse dúvidas sobre você. Ele não publicou agora. Aí ficou de mandar para nós, não mandou. Bom, então, e de surpresa mandou para a Justiça Eleitoral. O que que eu fiz? Eu não reconheci o resultado eleitoral, mas também não fiquei fazendo crítica. ao Maduro. Eu achava que ele deveria ter feito. Aliás, eu disse, você convocava uma nova eleição. Ele não fez. Bom, aconteceu o que aconteceu. Aí Adelson assumiu. Segundo o que o Trump falou todo dia, Adelson assumiu porque ele quis que ele assumisse. Ele foi tirar a Corina, foi tirar o cara que estava na Espanha, que era o que concorreu contra o Maduro. Porque Adelson tem que assumir, porque ele é vice mesmo, ela teria que assumir. Mas o sequestro do Maduro não deixava a entender que ela era que ia sumir. Porque ela era vista do Maduro e ela é uma mulher do partido. Ela sumiu. Eu conversei com ela só um dia depois eu não conversei mais com ela, porque eu estou vendo o Trump toda hora dizer que é tudo dele, que ele que vai vender petróleo, ele que vai comprar, ele que vai vender, vai deixar entrar lá. Uma coisa meio absurda que eu acho que é difícil um presidente de um país mandar no outro país.
Renato Rovai, Revista Fórum
O senhor tem receio que os Estados Unidos queiram interferir na eleição brasileira agora em outubro?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Olha, deixa eu te falar uma coisa, receio eu não tenho. Eu acho que ele me ajudaria muito se ele fizesse.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Como na Hungria, né?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu acho, mesmo se ele usasse big tags, presidente. Deixa eu lhe falar uma coisa, o que eu tenho acompanhado, agora mesmo o vice dele foi na Hungria fazer candidato, o Orbán,
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Ele tem o dedo podre.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Ele foi lá fazer campanha, eu tenho visto Eu tenho visto ah. É o pelo menos. Eu tenho ouvido mensagem. Deve ser candidato contra a embaixada Brasil. Mensagem do do Trump dando palpite na eleição de Hondura, na eleição da Costa Rica, na eleição, você vê o que eu acho absurdo. É uma intromissão sem precedente na soberania de um país. Aqui ele ainda não fez, mas os meus adversários tem um filho lá. Você sabe que foi pedir pro ganpo pro Trump inteiro aqui no Brasil?
Kiko Nogueira, DCM
Seu ex-camisa 10, é isso, né?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Tem o filho pedindo, pega uma intervenção americana aqui no Brasil. Virou um meme, presidente, hein?
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Virou um meme o senhor cantando, solta meu pai, né?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Então, deixa eu lhe falar uma coisa, quer dizer, eu acho isso, sabe, um erro de comportamento, sabe? Tanto deles pedindo quanto do. Então a senhora não tem receio, não é? Eu não tenho receio, sinceramente.
Kiko Nogueira, DCM)
Em relação às tropas, isso não me tira, não tira o sono. Em relação a transformar o PCC e o UCV em organizações narcoterroristas, isso causa preocupação de uma intervenção aqui?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Não, não causa. Não causa porque, vejam, nós temos clareza do que significa o PCC, o Comando Vermelho. Isso está tipificado na legislação brasileira e nós vamos enfrentar essa gente. Nós aprovamos agora a lei anti facção, sabe, que vai nos permitir ter uma atuação muito mais poderosa para tentar destruir. sabe essas organizações. Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos. O que nós queremos fazer parceria com os Estados Unidos é no combate ao narcotráfico, no combate ao crime organizado, sabe, no contrabando de armas, isso nós estamos dispostos, até porque parte das armas clandestinas que vem do Brasil vem dos Estados Unidos. E a Polícia Federal tem isso documentado porque já fez muitas aprisões. Então na medida que o presidente Trump queira jogar sério nessa coisa, o Brasil será parceiro. O Brasil não recusará participar, sabe? Com a nossa polícia federal, com o nosso Ministério Público, com a nossa receita federal, sabe? Com aquilo que a gente puder, a gente vai participar, porque nós queremos derrotar o tempo organizado.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Presidente, eu acho que essa entrevista aqui eliminou qualquer dúvida sobre a sua candidatura. E eu queria propor, inclusive, aqui aos meus colegas, que o senhor assumisse um compromisso público depois da convenção, de fazer uma nova rodada para debater o seu plano de governo e para que a sociedade conheça propostas, inclusive de longo prazo. Todo mundo fala da juventude sem esperança, desalentada. Quando a gente passar por esse processo de convenção e a confirmação da sua candidatura, eu acho que vale muito uma nova rodada. com esses veículos, eu acho que seria muito bom.
Renato Rovai, Revista Fórum
Eu queria ouvir o senhor falar pra juventude, presidente, porque.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Aproveitando.
Revista Fórum
Já que já que a gente tá nesse momento.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Um pouco mais jovem que o senhor. Um pouquinho mais jovem.
Renato Rovai, Revista Fórum
Os jovens a menos tem.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Pode ter com menos idade, mas mais jovem não tem.
Renato Rovai, Revista Fórum
Jovens a menos tem.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Pode ter. Porque veja os negócio, qual é o meu dilema? Veja, eu sei que eu não consigo parar a rotação da terra. Então ela vai rodando e eu vou ficando Hoje eu tenho oitenta, depois eu volto a oitenta e um. Mas o que acontece é que eu não deixo envelhecer por dentro a minha causa. A minha causa é renovada todo santo dia, por isso eu tô com a minha idade de trinta anos. A minha cabeça minha voltar de um jovem de trinta anos sabendo que eu tenho tudo pra fazer ficar. Andando na esteira seis. Deixa eu lhe contar uma coisa, deixa eu lhe contar uma coisa. Eu tenho orgulho de algumas coisas que é o seguinte Um jovem, uma pessoa presa no presídio de segurança máxima do governo federal custa R$ 40 mil reais por ano. Uma pessoa presa na delegacia de qualquer estado aí custa em média R$ 35 mil reais por ano. Um jovem fazendo engenharia aeroespacial, Na única universidade brasileira que tem esse curso, que é do AVC, o jovem custa R$ 20 mil reais por ano. No Instituto Federal, um jovem custa R$ 16 mil reais por ano, menos da metade do que custa um prisioneiro. Eu estou dizendo isso para dizer para você o seguinte: Em 100 anos, a elite brasileira fez R$ 140 Institutos Federais. Eu vou entregar, no final do meu mandato, 780 Institutos Federais. Nós, em pouco tempo de governo, colocamos mais alunos na universidade do que toda a elite colocou a vida inteira. Sabe por quê? Porque a juventude, que ela está sempre querendo mais, eu tive cinco filhos muito jovens, não sei com o que é que se comporta a juventude, ou seja, o que nós fizemos a primeira coisa foi garantir que ele tivesse possibilidade de ir para a escola, possibilidade de chegar a ser doutor, de competir uma vaga na universidade. Esse é um valor inestimável, sabe, que vai passar para a história. Então nós fizemos mais universidades, mais campus, mais hospitais universitários, ou seja, tem muita coisa acontecendo neste país e agora quando você vai dando ao jovem poder de conhecimento, Você vai ter do que garantir para ele o poder de ter acesso ao mercado de trabalho. Porque se ele estuda e não tem mercado de trabalho, ele vai ficar desanimado.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Exatamente. Só pegar um ponto aqui. Eu lembro, presidente, quando o senhor falava do segundo mandato, teve um ano que o Brasil chegou a ser a sexta ou sétima economia do mundo. Vamos ser a quinta, vamos passar a França. O senhor vai vender 120 anos? O senhor vê o Brasil como uma superpotência?
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Que Deus te ouça.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Entre as quatro Não, mas é verdade, mas com trabalho. O senhor vê, o Brasil tem que estar entre as quatro maiores economias do mundo, três, cinco
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Eu acho que o Brasil pode estar entre as quatro ou cinco economias do mundo. O Brasil tem tudo pra dar. Se nós soubermos aproveitar o potencial de minerais críticos de terra rara que nós temos. Se nós soubermos aproveitar o potencial da transição energética que o mundo precisa, Não há porque o Brasil não dá um fato de qualidade. Além do que, meu caro, além do que, além dessa possibilidade das tetas raras, dos minerais críticos e da revolução energética, nós estamos nesse instante virando verdadeiramente o celeiro do mundo. Nós estamos agora com 40 milhões de hectares de terra para recuperar, para plantar o que a gente quiser. Então, meu caro, o Brasil tem um potencial exuberante. Agora vamos dizer o seguinte, o cara falar, mas o Lula não realizou o país. Veja, eu tinha feito a indústria naval que chegou a 86.000 trabalhadores. Quando eu voltei, eles tinham desmontado para 15 já está com 50 mil outra vez.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Tem acompanhado.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
O PIB, o investimento nossa infraestrutura, só por foi um trilhão e 800 bilhões de reais, do quais 80% já foi contratado. já está sendo executado se você pegar a quantidade de ferrovias que fez todos os primeiros pode pegar não precisa esperar o Lula falar pega toda a quantidade de quantos quilômetros foi feito por outro governo quanto foi feito no norte quantas rodovias foi feito no norte aliás vocês precisavam visitar fazer um passeio vocês três pegar um final de semana fazer um passeio na transposição do Rio São Francisvão para você ver o que é a maior a maior obra hídrica do mundo uma obra que tem 1700 quilômetros de canal, que tem 15 mil quilômetros de adutora, que vai levar água para 25 milhões de pessoas. Esta é uma obra que está em fase final, ela não termina nunca, porque cada vez que a gente terminando o cara fala, não, e o Bolsonaro faz um puxadinho para o meu estado, faz um puxadinho para o meu estado, então ela nunca acaba.
Leonardo Attuch (Brasil 247)
Foi combatida na época, a gente lembra como foi combatida.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
Não, ela foi combatida. A gente dizia que o Rio ia acabar.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




