O ex-deputado André Vargas (PT), secretário-geral do partido no Paraná, disse em vídeo publicado após a escolha de Sandro Alex (PSD) para a sucessão estadual que o governador Ratinho Junior (PSD) “está em campanha para eleger Sergio Moro no primeiro turno”. A fala reforçou, no campo petista, a leitura de que o Palácio Iguaçu já não trabalha para erguer uma candidatura própria com força real para enfrentar o senador do Partido Liberal.
Na gravação, Vargas sustenta que Ratinho tinha outros caminhos na mesa e escolheu justamente o que, segundo ele, fecha qualquer ponte com a esquerda. Ele cita Rafael Greca (MDB), Alexandre Curi (Republicanos) e Beto Preto (PSD) como nomes que poderiam produzir outro desenho político. Ao optar por Sandro Alex, na leitura do petista, o governador empurra o jogo para uma disputa em que Moro larga ainda mais favorecido.
A crítica não caiu do nada. A nova Paraná Pesquisas mostrou Sergio Moro com 46,0% no cenário em que Guto Silva (PSD) aparece com 3,6% e Tony Garcia (DC) com 1,5%. Num segundo recorte, Moro sobe a 52,5%, Requião Filho (PDT) marca 22,9%, Guto vai a 5,9% e Tony chega a 2,3%. Foi essa fraqueza de Guto que abriu a porta para a troca de nome no bloco governista.
Horas antes da confirmação de Sandro, Ratinho havia dito que anunciaria a chapa ainda nesta semana e deixou claro que a cabeça da disputa sairia do PSD. Ele citou publicamente Sandro Alex, Guto Silva e Beto Preto entre os nomes do radar. À noite, o Blog do Esmael confirmou que o escolhido para disputar o Palácio Iguaçu seria Sandro Alex, deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura e Logística.
É nesse ponto que a fala de Vargas ganha peso político. Para ele, a escolha de Sandro não aproxima Ratinho de um campo mais amplo contra Moro. Faz o contrário. Ao fechar a porta para qualquer composição com a esquerda e ao rifar opções mais competitivas dentro ou fora do grupo, o governador, segundo o petista, ajuda o senador a consolidar uma vantagem precoce.
O raciocínio também conversa com o racha que o Blog do Esmael vem registrando. No fim de semana, o Blog mostrou que avançaram nos bastidores as conversas por uma chapa Alexandre Curi-Rafael Greca, ou Rafael Greca-Alexandre Curi, fora do desenho original do Palácio Iguaçu. Ou seja, a decisão por Sandro não pacifica o grupo. Pode aprofundar a dissidência e fragmentar ainda mais o campo que tenta conter Moro.
No vídeo, Vargas também deixa claro o rumo do PT. Diz que o partido seguirá com Requião Filho (PDT) ao primeiro turno e trabalhará para derrotar, no segundo, “o fascismo”, palavra usada por ele para definir a candidatura de Moro. É uma fala dura, de confronto aberto, mas que traduz com clareza o clima instalado no Paraná depois da escolha de Sandro Alex: para a esquerda, Ratinho abandonou a ideia de construir uma barreira própria contra Moro e passou a operar, na prática, para facilitar o caminho do senador.
A fala de André Vargas joga mais gasolina numa sucessão que já vinha tensionada. Se Curi e Greca reagirem com candidatura independente, como o próprio petista espera, Ratinho terá produzido o pior dos mundos para seu grupo: trocou Guto por Sandro, manteve o racha e ainda ouviu do PT que entrou de vez na campanha de Sergio Moro.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




