Ratinho Júnior escolhe “freguês de Moro” como candidato no Paraná

Ratinho Junior prometeu anunciar até quarta-feira (15) ou quinta-feira (16) a chapa que apoiará no Paraná e deixou claro que o candidato ao Palácio Iguaçu sairá do PSD. Entre os nomes citados por ele estão Guto Silva, Sandro Alex e Beto Preto.

O governador Ratinho Junior (PSD) passou a inclinar a sucessão para o deputado federal Sandro Alex (PSD) depois que a nova rodada da Paraná Pesquisas expôs, mais uma vez, a fragilidade de Guto Silva (PSD). No Centro Cívico, a troca é lida menos como solução e mais como tentativa de conter um desgaste que já transbordou do Palácio Iguaçu para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Ratinho disse nesta segunda-feira (13) que anunciará a chapa completa ainda nesta semana e sinalizou que a construção “passa pelo PSD”. A frase estreitou o funil dentro do grupo governista e empurrou Sandro Alex para o centro da disputa, justamente quando Guto deixou de ser visto como alternativa viável.

A pesquisa ajuda a explicar a guinada. No principal cenário estimulado, Sergio Moro (PL) aparece com 46,0%, Rafael Greca (MDB) tem 19,7%, Requião Filho (PDT) marca 17,7%, Guto Silva fica em 3,6% e Tony Garcia (DC) registra 1,5%.

No cenário sem Greca, Moro vai a 52,5%, Requião Filho tem 22,9%, Guto sobe só a 5,9% e Tony chega a 2,3%. O recado da urna imaginária foi brutal: o preferido do governador continuou no rés do chão mesmo com máquina, cargo e estrutura.

Foi nesse buraco que Sandro Alex reapareceu. Deputado federal do PSD, ele reassumiu o mandato no começo do mês depois de sucessivas passagens pela Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística, a secretaria dos pedágios, pasta que tocou o pacote de concessões rodoviárias do Paraná. No papel, Ratinho troca um nome fraco por outro mais conhecido. Na prática, ainda não resolveu o problema político central: unificar a base e mostrar que seu grupo continua vivo na disputa.

O atento empresário Tony Garcia (DC) não perdeu a verve irônica e disse que, agora, poderá dobrar em cima do candidato do governador na próxima sondagem da Paraná Pesquisas. A provocação pegou porque Sandro carrega um passivo político conhecido nos Campos Gerais.

Em Ponta Grossa, reduto de Sandro, Sergio Moro apoiou a reeleição da prefeita Elizabeth Schmidt em 2024. Ao repercutir a possibilidade de o deputado virar o nome de Ratinho, o jornalista Valdir Cruz lembrou que, na leitura política que corre na cidade, Sandro virou “freguês de Moro”. O ponto do deboche é simples: o Palácio pode ter fritado Guto para entregar a vitrine a outro nome que também chega marcado pela dificuldade de enfrentar o senador no próprio quintal.

Nos bastidores do Centro Cívico, a troca rápida de Guto por Sandro passou a ser lida como sinal de que o projeto real do Palácio não mudou. Mudou apenas o personagem. A suspeita entre aliados e dissidentes é que Ratinho quer chegar a agosto, mês das convenções, com uma candidatura própria administrável, pronta para um acordo branco, ou até formal, com Sergio Moro se a vantagem do senador seguir intacta. Essa desconfiança já vinha rondando o governo nas conversas sobre o marqueteiro Jorge Gerez e no temor de que a hesitação do governador acabasse empurrando parte da base para o campo de Moro.

Em nota ao Blog do Esmael na semana passada, Gerez disse que não coordenará nenhuma candidatura no Paraná. A fala reforçou, nos bastidores, a suspeita de que o grupo de Ratinho Junior já trabalha com outra prioridade para agosto, e não exatamente com uma campanha própria até o fim.

Essa leitura cresceu porque o racha já está na rua. Como o Blog do Esmael publicou no fim de semana, Alexandre Curi (Republicanos) e Rafael Greca (MDB) avançaram nas conversas para uma chapa independente, em combinações como Curi-Greca ou Greca-Curi, justamente no vazio deixado pela demora de Ratinho em arbitrar a sucessão. Curi deixou o PSD rumo ao Republicanos no fim de março. Greca saiu do PSD e se filiou ao MDB dias antes.

A nova escolha do governador, portanto, não pacifica o bloco oficial. Pode aprofundar o conflito. Greca continua sendo o governista mais competitivo nas pesquisas, com 19,7% em um cenário e 21,4% em outro. Curi, quando testado, aparece com 11,7%. Guto virou um ativo queimado. Sandro entra sem ter sido testado nesta rodada e sob a sombra de um favoritismo consolidado de Moro.

Ratinho ainda tem aprovação alta e caneta forte. Mas sucessão não perdoa vácuo. Se confirmar Sandro Alex, o governador estará dizendo ao Paraná que trocou de rosto, não necessariamente de rumo. E, no rumo que hoje se comenta nos bastidores, a estação de chegada pode ser agosto, com entendimento costurado em torno de Sergio Moro e o racha governista já consumado.

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