O ex-prefeito Rafael Greca (MDB) segue correndo o trecho, mas sua pré-candidatura ao governo do Paraná continua no telhado. Mesmo depois de reagir ao anúncio de Sandro Alex (PSD) com discurso de firmeza e mesmo com agenda em Londrina ao lado do também ex-prefeito Marcelo Belinati (PP), não há, até aqui, uma amarração pública irreversível que garanta ao emedebista a cabeça de chapa quando as convenções chegarem, entre o fim de julho e o começo de agosto.
Greca fez sua parte. Nesta terça-feira (14), esteve em Londrina, reafirmou que é pré-candidato, disse que o apoio oficial de Ratinho Junior (PSD) não é “cláusula pétrea” e ainda abriu a porta para conversar com Belinati, nome que pode entrar no radar para a vice. Na ExpoLondrina, os dois apareceram juntos, e Greca trata o ex-prefeito londrinense como uma possibilidade real de composição, embora admita que isso passa por Ricardo Barros (PP).
O problema de Greca não é falta de disposição. É o terreno movediço à sua volta. Segundo apuração do Blog do Esmael, a bancada federal do União Brasil, federado com o Progressistas, esteve nesta semana prestando continência política a Ratinho no Palácio Iguaçu, já com Sandro Alex apresentado como herdeiro do governador. Questionado pelo Blog sobre eventual apoio ao nome do PSD, Ricardo Barros foi seco: “Decidiremos em acordo com o União Brasil. Em julho espero.” A frase não enterra Greca, mas também não lhe entrega chão firme.
É aí que a pré-candidatura do ex-prefeito volta ao telhado. Como o Blog do Esmael já havia mostrado em 7 de abril, o MDB do Paraná parecia mais interessado em garantir musculatura para a chapa da Câmara do que em tratar a candidatura de Greca como fatura vencida. A lógica da sigla era simples: primeiro proteger a proporcional, sobretudo a reeleição do deputado federal Sergio Souza (MDB), depois decidir o resto. Se o Palácio ajudou a resolver essa angústia, Greca deixa de ser peça obrigatória e volta a ser hipótese de negociação.
Isso não significa que Greca esteja fora do jogo. Ao contrário. A Paraná Pesquisas divulgada na segunda-feira (13) mostra o emedebista com 19,7% no principal cenário estimulado para o governo, atrás só de Sergio Moro (PL), que tem 46,0%, e à frente de Requião Filho (PDT), com 17,7%, e de Guto Silva (PSD), com 3,6%. Na espontânea, porém, o quadro ainda é muito aberto: 72,9% não sabem em quem votar, e Greca aparece com 1,5%. Na rejeição, ele marca 12,7%, índice menor que os de Moro, 21,7%, e de Requião Filho, 33,5%. Ou seja: ele tem espaço eleitoral, mas espaço eleitoral não é a mesma coisa que legenda garantida.
Greca tenta se escorar justamente nessa contradição. Publicamente, disse ao Bem Paraná que tem apoio total do MDB, inclusive do presidente nacional, deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP). Ao mesmo tempo, MDB, PP e União Brasil seguem com a porta entreaberta para outros arranjos no Paraná, o que mantém Greca no telhado. Em política, apoio verbal vale; apoio fechado em convenção vale mais.
No fim, o quadro é este: Greca continua vivo, faceiro e em campanha, mas ainda depende menos da própria vontade do que da matemática partidária que será fechada até julho. O ex-prefeito de Curitiba não caiu do telhado. Só não desceu dele ainda.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




