O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso Nacional, na quarta-feira (15), o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 com previsão de salário mínimo de R$ 1.717. Se confirmado, o piso subirá R$ 96 sobre os R$ 1.621 em vigor em 2026, numa alta nominal de 5,92%.
Pelo texto do governo, haverá ganho real de 2,5% acima da inflação. Em linguagem simples, isso significa aumento do poder de compra, não só reposição da alta de preços.
A conta usada pelo Planalto mistura a projeção de 3,06% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice que corrige o mínimo, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma do que o país produz, em 2025. Como esse avanço da economia ficou em 2,3%, abaixo do teto de 2,5% imposto pelo arcabouço fiscal, todo esse percentual entrou no cálculo.
O ponto político do governo é claro: vender a volta da valorização real do piso como marca de renda e consumo. A trajetória oficial mostra o tamanho desse movimento: o mínimo saiu de R$ 1.212 em 2022 para R$ 1.320 em 2023, R$ 1.412 em 2024, R$ 1.518 em 2025 e R$ 1.621 em 2026.
Esse número interessa muito além da carteira assinada. Em janeiro de 2026, o Ministério da Previdência Social informou que cerca de 21,9 milhões de benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) estavam no piso de um salário mínimo, o equivalente a 62,5% do total. Traduzindo: qualquer reajuste do mínimo bate também em aposentadorias, pensões e outras despesas atreladas ao piso.
Mas o valor de R$ 1.717 ainda é proposta, não decreto. O precedente mais recente mostra isso com nitidez: em abril de 2025, o Projeto de Lei e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) projetava mínimo de R$ 1.630 para 2026, mas o decreto publicado em dezembro fixou R$ 1.621. O número de 2027, portanto, ainda pode ser recalibrado até o fechamento do ano.
O PLDO também desenhou uma escada para os anos seguintes, com R$ 1.812 em 2028, R$ 1.913 em 2029 e R$ 2.020 em 2030. Essas projeções são preliminares e servem mais como sinal de rumo do que como valor fechado.
Gleisi Hoffmann (PT-PR) resumiu nas redes o discurso político do governo ao dizer que, com Lula, o salário mínimo voltou a subir acima da inflação. O recado do Planalto é esse: usar o piso como vitrine social num momento em que renda, consumo e custo de vida já entraram no centro da disputa política.
O dado que interessa ao trabalhador é simples: o governo colocou no papel um mínimo maior para 2027, acima da inflação, mas a cifra final ainda dependerá do comportamento dos índices até o fechamento do ano.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




