O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou neste sábado (18), em Barcelona, a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia para cobrar mudança de postura dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e levar para fora do Brasil um embate que interessa diretamente à eleição de 2026: democracia contra extrema direita.
No discurso, Lula afirmou que os membros permanentes do Conselho de Segurança precisam “mudar de comportamento” diante da incapacidade de conter a guerra no Irã. Também criticou, sem citar nominalmente Donald Trump, a rotina de ameaças por redes sociais, ao dizer que o mundo não pode amanhecer e dormir sob “um tuíte de um presidente” anunciando guerra.
A fala não saiu do nada. Na sexta-feira (17), ao lado do primeiro-ministro Pedro Sánchez (PSOE), Lula já havia enquadrado a agenda de Barcelona como uma trincheira contra o extremismo e ligado a defesa da democracia ao combate à desigualdade. Para o Planalto, Brasil e Espanha querem se apresentar como prova de que ainda existe resposta política fora das “promessas vazias do extremismo”.
Lula também aproveitou o palco para criticar a exclusão da África do Sul das atividades do Grupo dos 20 (G20), outro recado com alvo geopolítico claro. A tensão vem desde o fim de 2025, quando o governo dos Estados Unidos passou a barrar Pretoria em reuniões sob a presidência americana do bloco; em Barcelona, o presidente brasileiro reforçou que Washington não tem o direito de agir como dono do G20.
O encontro em Barcelona foi desenhado exatamente para isso. Reuters e Associated Press descreveram a reunião como uma articulação de líderes progressistas para defender o multilateralismo e reagir ao avanço da extrema direita, com participação, entre outros, do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, da presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e do presidente da Colômbia, Gustavo Petro.
No plano doméstico, o movimento tem peso político evidente. Ao transformar ONU, G20, guerra e desigualdade em peças do mesmo discurso, Lula tenta recolocar a defesa da democracia no centro da disputa pública e empurrar a extrema direita para o banco dos réus também fora do Brasil. É menos diplomacia de salão e mais narrativa eleitoral com vitrine internacional.
Em Barcelona, Lula não falou apenas como chefe de Estado em agenda externa. Ao cobrar a ONU, defender a presença da África do Sul no G20 e bater no extremismo no mesmo roteiro, o presidente transformou o fórum espanhol em palanque global de uma disputa que já atravessa 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




