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Guedes leva memória de Moro para Sandro Alex

Sindicalista socialista Messias Obama, da UGT, resumiu a leitura com ironia jurídica: “a causa não vincula ao cliente”, ao descartar teoria da conspiração sobre suposto acordo entre Moro e Ratinho Junior

O advogado eleitoral Gustavo Guedes confirmou ao Bem Paraná, na sexta-feira (15), que deixou os casos eleitorais do senador Sergio Moro (PL) e passou a coordenar o jurídico de Sandro Alex (PSD), pré-candidato ao governo do Paraná apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD). A troca mexe menos no discurso público e mais na engrenagem concreta da sucessão estadual: registro de candidatura, propaganda, prestação de contas e judicialização.

O Blog do Esmael não obteve confirmação do Palácio Iguaçu. Uma fonte próxima ao governador Ratinho Junior, com atuação no 3º andar do Palácio, afirmou que a informação não estava batida internamente. O Blog também não recebeu confirmação direta de Gustavo Guedes.

A movimentação foi revelada pela jornalista Martha Feldens, do Bem Paraná. Segundo a publicação, Guedes afirmou que já se desligou dos casos em que defendia Moro e que assumiu oficialmente a advocacia do escolhido de Ratinho Junior para a disputa estadual.

O ponto sensível é o tamanho da bagagem que muda de lado. Guedes não era um advogado periférico na operação de Moro. Ele atuou na defesa do senador nas ações que pediam a cassação do mandato, julgadas improcedentes pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e depois mantidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na prática eleitoral, isso importa porque campanha competitiva não vive só de comício, vídeo e pesquisa. Vive também de contador, procuração, prazo, limite de gasto, direito de resposta, fiscalização de propaganda e reação rápida a ação judicial.

Quem conhece a defesa de Moro conhece, por consequência, o mapa de riscos que cercou o senador desde 2022. Essa memória técnica agora passa a servir, segundo o Bem Paraná, ao projeto de Sandro Alex, nome escolhido por Ratinho Junior para tentar manter o grupo governista no Palácio Iguaçu.

O PSD apresentou Sandro Alex como pré-candidato em abril. Ele foi secretário de Infraestrutura e Logística nos dois mandatos de Ratinho Junior, preside o PSD no Paraná e está na Câmara dos Deputados desde 2011.

Essa biografia ajuda a explicar por que o jurídico virou peça de campanha. Sandro Alex é o candidato da continuidade administrativa. Moro tenta ocupar o espaço da oposição com a marca da Lava Jato, agora filiado ao PL. A disputa tende a ir para a urna, para a propaganda e para os tribunais eleitorais.

A revista Veja já havia registrado, na quinta-feira (14), que Gustavo Bonini Guedes deixou a estratégia jurídica de Moro. A publicação tratou a saída como baixa importante na campanha do senador e afirmou que o advogado passaria a defender Sandro Alex, de quem seria amigo pessoal.

O Bem Paraná acrescentou detalhes da versão de Guedes. Ele disse que mantinha atuação para Moro e também para Guto Silva (PSD), então visto como nome possível de Ratinho Junior. Segundo a coluna, o advogado afirmou que pediu desligamento diante da possibilidade de dois clientes disputarem o governo.

Ainda de acordo com a publicação, Leandro Rosa, que também defende Deltan Dallagnol na Justiça Eleitoral, assumiu os casos de Moro. Guedes declarou ao Bem Paraná que a transição ocorreu “com muita transparência” e que Sandro Alex aceitou sua advocacia “respeitando os limites éticos” impostos por ele.

O histórico do advogado aumenta a temperatura política. Guedes atuou para Moro no Paraná e no TSE, além de ter defendido o ex-presidente Michel Temer (MDB), dado citado pelo Bem Paraná e pelo Contraponto. O Contraponto também registrou sua atuação em Direito Eleitoral, Direito Administrativo e Relações Governamentais.

O sindicalista socialista Messias Obama, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), resumiu a leitura com ironia jurídica: “a causa não vincula ao cliente”. A frase serve para lembrar que o advogado defende direitos, prazos e teses dentro da ordem jurídica, mas não se confunde automaticamente com a pessoa ou o caso que representa.

A ressalva é necessária. A troca de advogado não prova acordo político entre Moro e Sandro Alex, não indica vazamento de estratégia e não autoriza acusação de conflito ético sem documento, fala formal ou ato processual que sustente essa conclusão.

O fato político, porém, está posto. O grupo de Ratinho Junior passa a contar, segundo a informação publicada, com um profissional que conhece por dentro a trincheira eleitoral do principal adversário. Moro, por sua vez, precisa reorganizar sua defesa jurídica num ambiente em que a campanha de 2026 deve ser disputada também no tapetão.

A sucessão no Paraná ganhou um novo sinal de bastidor: antes de a campanha pedir voto, os candidatos já organizam seus bunkers jurídicos.

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