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Guerra no Iguaçu atinge plano de paz de Sandro Alex

O pré-candidato Sandro Alex (PSD) entra na fase de montagem da campanha ao governo do Paraná com uma tensão aberta no campo de Ratinho Junior (PSD): o discurso de união e paz tenta embalar a sucessão, mas aliados do Palácio Iguaçu cobram uma postura mais dura contra Sergio Moro (PL), hoje o adversário a ser batido.

A divergência atinge o coração operacional da campanha governista. Jurídico, comunicação e palanque deixaram de ser áreas separadas e passaram a formar o tripé que deve definir como Sandro Alex será apresentado aos prefeitos, deputados, doadores, marqueteiros e operadores políticos antes da largada oficial.

O Blog do Esmael já registrou que o advogado eleitoral Gustavo Guedes, que atuava em casos eleitorais de Moro, passou a coordenar o jurídico de Sandro Alex. O Bem Paraná informou na sexta-feira (15) que Guedes confirmou a mudança e trabalha na montagem de uma estrutura em Curitiba, com braço também em Brasília.

A informação pública sobre Guedes não confirma, sozinha, uma guerra interna no Palácio Iguaçu. O que ela revela é a mudança de temperatura na campanha de Sandro Alex. O grupo governista deixou o terreno do ensaio político e entrou na fase de estruturação jurídica para uma disputa que tende a ser judicializada, nacionalizada e marcada pelo confronto com Moro.

O ponto sensível está na mensagem. Ratinho Junior tenta sustentar a imagem de liderança moderada, com discurso de pacificação, gestão e continuidade. A frase “unidos e em paz” combina com essa vitrine. O problema é que parte dos aliados avalia que Sandro Alex não crescerá contra Moro apenas com linguagem de conciliação.

Moro lidera a corrida ao governo do Paraná nas pesquisas mais recentes divulgadas pelo Blog. Sandro Alex, mesmo com o apoio explícito de Ratinho Junior, ainda não converteu a máquina estadual em intenção de voto suficiente para ameaçar a dianteira do senador do PL.

Essa distância eleitoral alimenta a pressão por uma campanha mais agressiva. Para esse grupo, Sandro Alex precisa deixar de ser apenas o nome da continuidade administrativa e passar a disputar o eleitor conservador que vê em Moro uma marca nacional, associada à Lava Jato, ao Senado e à pauta de segurança pública.

O núcleo da paz prefere preservar o candidato governista da pancadaria precoce. A leitura é simples: se Sandro Alex entrar cedo demais no ringue contra Moro, pode gastar munição antes do período oficial e ainda reforçar o adversário como alvo central da eleição.

O núcleo da guerra enxerga outro risco. Para esses aliados, uma campanha excessivamente protocolar pode congelar Sandro Alex no papel de indicado de Ratinho Junior, sem identidade própria, sem conflito reconhecível e sem motivo forte para deslocar prefeitos, bases municipais e financiadores.

A chegada de Guedes ao jurídico de Sandro Alex pesa porque campanha majoritária não se vence apenas com jingle, agenda e foto com prefeito. O jurídico prepara registro, propaganda, prestação de contas, direito de resposta, impugnações, ações eleitorais e reação a ataques. Em uma eleição com Moro no centro, essa área vira linha de frente.

O braço em Brasília também tem leitura política. A disputa paranaense não ficará confinada ao estado se envolver Moro, Ratinho Junior, bolsonarismo, PL, PSD e cálculo nacional para 2026. Cada movimento local pode repercutir no Senado, nos partidos nacionais e no desenho das alianças presidenciais.

Sandro Alex tenta se vender como gestor e tocador de obras. É uma credencial relevante para um candidato apoiado por um governador bem avaliado. Mas a eleição tende a cobrar mais que currículo administrativo. O eleitor precisará entender por que trocar o voto em Moro por um projeto de continuidade do Iguaçu.

Essa é a fissura real. A paz ajuda Ratinho Junior a manter sua imagem nacional. A guerra pode ajudar Sandro Alex a ganhar musculatura no Paraná. As duas estratégias não são impossíveis de combinar, mas exigem comando político claro, divisão de tarefas e uma mensagem que não pareça improvisada.

O risco para o Palácio Iguaçu é entregar uma campanha com duas vozes. Uma fala em união, equilíbrio e legado. Outra cobra enfrentamento, contraste e reação contra Moro. Se essa diferença não for resolvida, a contradição chegará aos prefeitos, aos deputados, aos financiadores e aos palanques regionais.

A leitura política é que esse movimento encaixa a campanha governista numa disputa em que a paz do marketing terá de conviver com a pressão por confronto.

Ratinho Junior escolheu Sandro Alex para preservar o controle do Paraná depois de 2026. Para isso, terá de decidir se seu candidato vai apenas defender o legado do governo ou se entrará, de fato, na guerra contra Moro antes da campanha oficial.

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