2 de dezembro de 2015
por Esmael Morais
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Coluna do Rafael Greca: Não existe área calma onde ronca a motosserra

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Rafael Greca*

Três imagens recentes traduzem bem a desorientação do atual prefeito de Curitiba.

A primeira, o massacre das magnólias da Inácio Lustoza, derrubadas cruelmente pela prefeitura.

A segunda, o outdoor-pegadinha dos deficientes, narcisismo da infrutífera gestão publicitária municipal — que chamou mais atenção para a campanha que para o problema, feriu o CONAR, recebeu nota negativa da OAB-PR e foi rejeitado, como “brincadeira de mau gosto”, pelas sérias entidades que lutam com o devido respeito e cuidado pela inclusão dos nossos irmãos deficientes.

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E a terceira, a mal ensaiada jogada de rompimento do prefeito com o queimado PT na véspera da eleição, para escapar da ira de uma Cidade capital da Lava-Jato.

Sobre a primeira, disse o seguinte: não existe área calma onde ronca a motosserra. Foi o pensamento que saltou-me diante da cena terrível das perfumadas magnólias massacradas na rua onde fui menino, rua da casas de meus pais e meus avós,a rua Inácio Lustoza.

A troca do perfume de magnólias centenária pelos abusivos radares Consilux — máquinas mortas da indústria da multa, metálicas, sem folhas, sem perfume, sem viva natureza — desencadeou na consciência curitibana uma revolta e um processo de reflexão: a que ponto chegamos?

Que inconsciência é esta que desadministra Curitiba, capital que consagrou a área verde como princípio urbano?

arvores Leia mais

7 de outubro de 2015
por Esmael Morais
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Coluna do Rafael Greca: Mais Curitiba, menos Brasília

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Rafael Greca*

Quem inventou esta inominável dependência curitibana de Brasília? Não fui eu nem foi você. Quem colocou Curitiba na vala comum do pires na mão? Não fui eu nem foi você.

Que raios de discurso é este? Curitiba antes modelo, vai mesmo aceitar calada o título de cidade modelada? Não, mil vezes não. Não foi para isso que você deu o seu voto.

Curitiba está travada, imobilizada. Fruet faz Prefeitura sem frutos, infrutífera; resultado de suas escolhas calculistas e apostas políticas frustadas.

Chegou ao poder bafejado pelos ventos do PT, impulsionado pelos investimentos de Gleisi Hofmann, Paulo Bernardo, Angelo Vanhoni, André Vargas, os grandes escritórios de Brasília, as empresas empreiteiras então íntimas dos sorridentes poderosos do Planalto.

Havia uma expectativa de que os lucros da Copa e programas como “PAC”, “Minha Casa Minha Vida” e o Metrô (lançado aqui três vezes com a presença da presidente Dilma Rousseff), irrigassem as finanças curitibanas.

Em 2012, Ducci e Fruet celebraram o acordo dessa dependência. Chegaram a disputar nos tribunais o direito de ter o sorriso de Dilma nos seus tristonhos programas eleitorais. Hoje, a realidade mudou. Agora tentam se descolar da imagem que eles mesmo colaram, enquanto queimavam o filme.

A recessão/depressão está nas ruas. É visível na cena inaceitável do abandono social, em doentes deambulando pelas marquises dos prédios, traficantes e drogados — travestidos de moradores de rua — ameaçando o direito de ir e vir dos transeuntes e a paz social urbana.

Estamos esperando o Metrô, sentados à beira dos caminhos, nas filas do transporte coletivo desintegrado, com 183 ônibus de vida útil vencida. Na última quinta-0feira, 1º de outubro, às 13 horas, vi o incêndio de um ônibus alimentador do Bacacheri, na avenida Erasto Gaertner,em frente ao Sindacta. Aterrador.

A danosa desintegração do transporte público também faz mal à qualidade de vida do povo trabalhador. Isto particularmente me dói, e dói muito, porque em 1995, enquanto prefeito de Curitiba, criei a Rede Integrada Metropolitana de Transportes.

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31 de agosto de 2015
por Esmael Morais
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Coluna do Luiz Cláudio Romanelli: Estagnada, Curitiba pede mais ação

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Luiz Cláudio Romanelli*

Apesar de ter nascido em Londrina e representar em especial a região do Norte Pioneiro na Assembleia, sempre tenho um especial carinho quando falo sobre Curitiba. Afinal, esta é a cidade que me acolheu, me deu muitas oportunidades, pessoais e profissionais, é onde vivo com meus filhos. Em Curitiba iniciei a minha vida pública, tendo sido vereador na década de 1990.

Por isso, assim como muitos curitibanos, tenho acompanhado com preocupação e de certa forma até tristeza, o que a cidade tem passado nos últimos anos. Parece repetitivo o que vou falar, mas o fato é que temos visto a estagnação da cidade. Seja de novas ideias ao sufoco no atendimento dos serviços públicos. Nunca tantas pessoas moraram nas ruas da cidade. Até nas coisas simples, como a limpeza das ruas, praças e parques, que sempre foram referência, a cidade parece abandonada.

Muitos podem se perguntar quem é o culpado. Eu, particularmente, acredito que o prefeito Gustavo Fruet (PDT) tem sim boa parte da responsabilidade. Já outros podem colocá-la na situação econômica e política do país. Porém, ao mesmo tempo que penso sobre isso, lembro de uma das maiores figuras públicas que conheci: o Maurício Fruet, pai de Gustavo e primeiro prefeito de Curitiba após a ditadura militar.

Quem, assim como, eu conheceu o Maurício e fez parte de sua equipe, tem saudades. Uma pessoa admirável, que cativava os amigos e tratava de forma séria a coisa pública. Neste domingo, 30 de agosto, completaram-se 17 anos desde que ele nos deixou.

Maurício sempre governou Curitiba com leveza e ouvindo as pessoas. Numa época de desemprego, de crise e de recessão mais acentuadas do que agora, quando a nossa capital não tinha dinheiro, foi apenas por meio de sua liderança, do diálogo e da criatividade que nós fizemos tanta coisa. As principais mudanças na forma de Curitiba tratar a desigualdade social começaram, com certeza, na gestão de Maurício Fruet.

Porém, o prefeito Gustavo parece não ter herdado algumas das qualidades do prefeito Maurício. Os eleitores de Gustavo esperavam a quebra de paradigmas e ações para que a cidade voltasse a ser inovadora, principalmente no que diz respeito ao transporte público.

A realidade, porém, é dura: o sistema de transporte está deteriorado e o edital do metrô empacou, não foi nem sequer lançado. Mais recente, o sistema passou pela desintegração tarifária e física, causando transtorno para moradores de toda a região metropolitana. O grande “avanço” da área na atual gestão é a tarifa temporal de uma única linha, a Interbairros I – ideia na verdade implantada pelo ex-prefeito Luciano Ducci.

Basicamente, a prefeitura não tem coragem de enfrentar o cartel de empresários que não deseja um transporte moderno, confortável e justo, que muda a qualidade da cidade e de vida das pessoas. Não haverá melhorias ou mesmo a intermodalidade, enquanto não existir alguém que tenha coragem de enfrentar este cartel.

Assim como a Leia mais