21 de novembro de 2015
por admin
6 Comentários

Coluna do Jorge Bernardi: Tragédias de Mariana (MG) e Paraty (RJ), e os ônibus sucateados de Curitiba

Download

Jorge Bernardi*

O que há de comum entre a tragédia de Mariana, MG, que fez mais de 30 vítimas fatais e se constitui no maior desastre ecológico no Brasil de todos os tempos, e os mais de 200 ônibus sucateados, com prazo de validade vencidos, que circulam nas ruas de Curitiba?

A tragédia de Mariana, com o rompimento de duas barragens que acumulavam resíduos altamente tóxicos de minérios demonstram o descaso e a falência dos órgãos de fiscalização e de controle, diante de uma situação previsível. Passada a comoção inicial, vê-se o desrespeito com as normas e a segurança, causando a destruição da biodiversidade do vale do rio Doce.

A empresa Samarco, pertencente a duas das maiores mineradoras do mundo, Vale e BHP, pouco ou nenhum respeito demonstraram com os seres humanos e com a natureza. O lucro para a empresa está acima da vida, do meio ambiente. E o que é pior onde estavam os órgãos de fiscalização que asseguraram a segurança das represas poucos meses antes da tragédia?

O que está acontecendo em Curitiba é que mais de 10 % da frota de ônibus roda com vida útil vencida colocando em risco, diariamente, a vida de milhares de pessoas. Se nada for feito, até o final de 2016, cerca de 500 ônibus sucateados estarão circulando pelas ruas da cidade.

Como a situação chegou a este ponto? Em 2013, o sindicato das empresas de ônibus, Setransp, conseguiu liminar da justiça cancelando a obrigatoriedade de renovação da frota. A infeliz decisão judicial compara-se a autorização para que remédios, com prazo de validade vencidos, continuem sendo vendidos e consumidos pela população. Isto é o que está ocorrendo, e o pior, um juiz anônimo, que ninguém conhece ou ouviu falar, concedeu a liminar que está colocando em risco a vida dos curitibanos.

Em 7 de setembro deste ano, um acidente com 15 mortos e mais de 60 feridos ocorreu em Paraty, RJ, envolvendo um ônibus urbano daquele município que rodava com a vida útil vencida. Prevalece a ganância dos que querem ganhar cada vez mais sem oferecer em contrapartida segurança, conforto e qualidade de serviço aos usuários.

Tanto Mariana quanto Paraty, são exemplos de tragédias anunciadas, que poderiam ser evitadas se o poder público cumprisse com o seu dever. Quanto aos ônibus, com validade vencida de Curitiba, só nos resta invocar a proteção Divina. Das autoridades, nada podemos esperar.

*Jorge Bernardi, vereador de Curitiba (Rede), é advo

16 de novembro de 2015
por admin
8 Comentários

Coluna da Gleisi Hoffmann: As tragédias de cada dia, as dores de todos nós

Gleisi Hoffmann*

Momentos difíceis mostram o nível de evolução da humanidade. A empatia, possibilidade de nos colocarmos no lugar do outro, é o que nos faz sentir dor, repulsa, indignação pelas injustiças, covardias e tragédias. Recentemente nos afetaram o acidente irresponsável de Mariana, Minas Gerais, e os atentados em Paris.

Mariana chocou o Brasil. Como pode uma empresa nacional que aufere lucros tão altos pela exploração de minérios, tratar com tanto desdém a vida da população e a segurança do Meio Ambiente?! Ter um mar de lama varrendo vidas e comprometendo o futuro?!

O terrorismo em Paris chocou o mundo. Por que pessoas inocentes têm de morrer pela luta insana de ideias, crenças e territórios?!

Também foi impactante a foto do garoto sírio morto numa praia da Europa, e a migração de refugiados da guerra na Síria que tentam salvar suas vidas, arriscando tudo para chegar a um lugar de paz. Também causa repulsa a falta de solidariedade de países, que por medo, limitações ou xenofobia, repelem a entrada de seres humanos em seu território.

A guerra na Ucrânia, no Líbano, os conflitos na África, igualmente nos atingem. Assim como as chacinas e violência em nosso país. Toda empatia tem seu grau regulado pela proximidade do acontecimento, do grupo ou população envolvida, pelas responsabilidades elencadas e intensidade de divulgação nas mídias. De qualquer forma todas, em maior ou menor grau, causam-nos dor.

Não tenho dúvidas de que os momentos de tragédias que vivemos também são consequências da passividade que temos com o preconceito, indiferença, intolerância, vontade de vingança. Se somos condescendentes com as pequenas injustiças e transgressões, estamos contribuindo para que as grandes aconteçam. Nenhuma violência se justifica. Ela é, e sempre será, uma demonstração de fracasso.

O que mais me amedronta é que ações pós-tragédias, principalmente as terroristas  como a de Paris, costumam recair sobre o lado mais fraco de partes envolvidas.

Os noticiários já dão conta da maior ênfase dos dirigentes europeus em propostas radicais para combater o terrorismo, o que certamente aumentará a xenofobia, e vai agravar a situação da população que procura abrigo em território europeu.

Que tudo isso, além de nos indignar e causar dor à maioria das pessoas, faça com que vivamos em nosso cotidiano o ensinamento de Gandhi – devemos ser a mudança que queremos ver no mundo!

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.