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20 de novembro de 2015
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A lama da “privataria tucana” em Minas ainda não assentou

Passadas duas semanas da tragédia humana e ambiental causados por uma avalanche de lama no município de Mariana, em Minas Gerais, depois do rompimento de uma barragem, as reais dimensões desse crime e suas implicações políticas continuam incertas.

Como a bomba estourou sob os governos estadual (Pimentel) e federal (Dilma), ambos do PT, é quase inevitável que eles sejam identificados como corresponsáveis, além e claro da própria empresa, a Samarco.

Mas é preciso voltar um pouco na história para lançar luz sobre essa lama toda. Em 1997 a Cia. Vale do Rio Doce, antes uma mineradora estatal, foi privatizada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Várias denúncias e escândalos envolveram o processo de privatização não apenas da Vale, mas de inúmeros bens públicos no período, ficou conhecido como “privataria tucana”.

A Vale é dona da Samarco em sociedade com a mineradora australiana BHP Billiton. FHC não se contentou em vender a Vale a preço banana com financiamento do BNDES. Em 1996, com a Lei Kandir, ele isentou de ICMS as exportações de minérios.

Mas o crime da lama da Samarco também serviu para confirmar a tese da proibição do financiamento privado de campanhas. Pois onze dos 19 deputados federais  indicados pela Câmara para fazer parte de uma comissão externa para investigar a tragédia receberam doações de campanha da Vale.

Isso por si não é prova de que eles vão aliviar as responsabilidades da empresa. Mesmo por que o Ministério Público está atento e a questão vai para a Justiça, independente do que digam os deputados. Mas o conflito de interesses é gritante.

Lembramos também que a ambientalista de primeira hora, duas vezes candidata a presidente da república, Marina Silva (REDE), ainda não visitou a área atingida. Nas poucas declarações que deu até agora, ela foi contida e só lamentou o “desastre” e falou em mais precaução.

A questão do crime ambiental em Mariana é tão nebuloso quanto a cobertura pela mídia, haja vista o direito de resposta que a TV Globo (Jornal Nacional) fora obrigada conceder ao governador mineiro Fernado Pimentel —  uma semana depois de sancionada a Lei Requião. O apresentad Leia mais