Palestinos votaram neste sábado (25) em eleições locais que, pela primeira vez em duas décadas, incluíram Gaza e expuseram a disputa entre a Autoridade Palestina e o Hamas. A votação ocorreu em meio à guerra e à destruição no território, com participação baixa em Deir al-Balah, na Faixa de Gaza.
A Autoridade Palestina, sediada na Cisjordânia, tenta usar o pleito como sinal de presença política em Gaza, de onde foi expulsa pelo Hamas em 2007. A inclusão de Deir al-Balah reforça essa disputa por legitimidade.
Segundo os dados oficiais citados pela Reuters, a participação foi de 22,7% em Deir al-Balah e de 53,44% na Cisjordânia. A apuração começou logo após o fechamento das urnas, e os resultados eram esperados ainda entre sábado (25) e domingo (26).
O eleitor Mamdouh al-Bhaisi, de 52 anos, disse à Reuters que sentia orgulho de ver o processo democrático retornar à Faixa de Gaza após a guerra. Já o analista Hani Al-Masri afirmou que a crise humanitária empurrou a votação para segundo plano, porque a prioridade das famílias segue sendo sobreviver.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, votou em Al-Bireh, perto de Ramallah, e afirmou que eleições poderão ser realizadas em toda Gaza quando houver condições. Ele disse que Gaza é parte inseparável do Estado da Palestina e defendeu a unidade entre as duas partes do território.
Desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em outubro, as negociações sobre Gaza avançaram pouco. Governos europeus e árabes defendem o retorno da Autoridade Palestina ao território e a criação de um Estado palestino independente, com Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia.
O Comitê Central Eleitoral Palestino informou que mais de um milhão de palestinos estavam aptos a votar, incluindo 70 mil em Gaza. A votação de sábado foi a primeira de qualquer tipo em Gaza desde 2006 e a primeira eleição palestina desde o início da guerra, há mais de dois anos.
A Autoridade Palestina também enfrenta aperto financeiro porque Israel retém a receita tributária arrecadada em seu nome. O governo israelense diz que segura os recursos por causa dos pagamentos a prisioneiros e familiares de mortos por suas forças, que classifica como incentivo a ataques.
Algumas facções boicotaram a eleição em protesto contra a exigência de apoio aos acordos da Autoridade Palestina, que incluem o reconhecimento de Israel. O Hamas não lançou candidato formal, mas uma das listas em Deir al-Balah foi vista por moradores e analistas como alinhada ao grupo.
O resultado do pleito deve medir a força política do Fatah e a influência do Hamas, além de mostrar até onde a Autoridade Palestina ainda consegue sustentar sua pretensão de governar Gaza. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Informações diretas da redação do Blog do Esmael.




