O senador Sergio Moro (PL) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) fracassaram no ponto central da ofensiva contra a Quaest no Paraná: o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) manteve a divulgação da pesquisa sobre governo e Senado, prevista para esta segunda-feira (27), embora tenha mandado excluir perguntas presidenciais e corrigir a informação sobre Alexandre Curi.
A decisão atinge a dobradinha PL-Novo no momento em que a sucessão estadual entra em nova fase.
A pesquisa será a primeira da Quaest com Sandro Alex (PSD) testado após ser escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para disputar o Palácio Iguaçu. O levantamento foi contratado pelo banco Genial e ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 25 de abril.
Moro e Deltan tentaram tirar a foto de circulação.
Conseguiram apenas cortar um pedaço do questionário.
A juíza auxiliar Sandra Bauermann negou o pedido de suspensão apresentado pelo PL e pelo Novo. O pedido era liminar, uma decisão urgente antes da publicação dos números.
A magistrada aceitou só parte da reclamação.
A Quaest terá de retirar qualquer pergunta sobre a disputa presidencial, porque o registro feito na Justiça Eleitoral limitou o levantamento aos cargos de governador e senador no Paraná.
O instituto também terá de publicar errata informando que Alexandre Curi foi apresentado aos entrevistados como filiado ao PSD. O partido correto é Republicanos.
O restante da investida não passou.
O TRE-PR rejeitou, nesta fase, a tentativa de derrubar o cenário com Paulo Martins (Novo) como nome ao governo. Também não acolheu o questionamento contra a presença de Pedro Lupion (Republicanos) como opção ao Senado.
A decisão deixa Moro e Deltan em posição incômoda.
A dupla conseguiu apontar problemas materiais no levantamento, mas não impediu a divulgação do dado que mais importa para a eleição estadual: o tamanho de Moro contra Sandro Alex, Rafael Greca (MDB), Requião Filho (PDT) e os demais nomes testados.
A Quaest informou recorreu da decisão. O instituto alegou que a regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a exigir registros separados quando uma pesquisa estadual inclui pergunta presidencial.
O conflito também mostra o nervosismo da direita paranaense.
Moro quer preservar a aliança com o Novo e evitar que Paulo Martins apareça como alternativa ao governo. Deltan, cotado para a disputa ao Senado, depende do mesmo arranjo para manter o campo lavajatista unido. O ex-deputado cassado estaria inelegível, segundo líderes do PT paranaense.
Ratinho olha para outra pergunta.
Se Sandro Alex nascer competitivo, o governador ganha fôlego para defender sua escolha. Se largar pesado, o PSD terá de carregar um candidato associado à máquina estadual, às obras e ao desgaste do pedágio.
A pesquisa Quaest está registrada sob o número PR-02588/2026, tem margem de erro estimada em 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Moro e Deltan bateram à porta da Justiça Eleitoral para segurar a Quaest. Saíram com correções no questionário, mas sem censurar o retrato estadual.
O Paraná verá nesta segunda-feira se Sandro Alex entra na corrida como solução de Ratinho ou como peso extra no colo do governador.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




