O presidente Lula terá uma campanha de reeleição com 90% da estrutura montada nos estados, segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva. O número foi apresentado no encerramento do 8º Congresso Nacional do partido como prova de que o lulismo entrou cedo na fase de organização eleitoral.
A conta do PT reúne 12 palanques próprios e 15 alianças estaduais para a eleição de outubro de 2026. O objetivo é chegar à campanha com Lula apoiado por candidaturas locais, chapas ao Senado e acordos regionais capazes de sustentar a disputa presidencial em todo o país.
Edinho fez o balanço neste domingo (26), em Brasília, diante da direção petista e de delegados do partido. O recado era dirigido à militância, aos aliados e também à direita: Lula não pretende depender apenas de sua força pessoal para disputar o quarto mandato.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), reforçou a contabilidade política ao falar em 18 candidaturas ao Senado ligadas ao projeto de Lula. Na prática, o PT quer montar uma campanha em rede, com palanques estaduais puxando voto para presidente, governador, senador e bancada federal.
Esse desenho também responde a uma fragilidade histórica do PT. O partido sabe que Lula é maior que a legenda em vários estados, mas precisa de candidaturas locais para transformar popularidade em estrutura de campanha, presença territorial e fiscalização eleitoral.
A engrenagem de 2026 começou a ser vendida como mais profissionalizada do que em disputas anteriores. O PT quer reduzir improvisos, evitar palanques frágeis e negociar alianças antes que os adversários ocupem espaço nos estados.
A ausência física de Lula no congresso abriu uma fresta para a direita tentar emplacar outra narrativa. O presidente não participou da abertura do encontro na sexta-feira (24) porque passou por procedimento médico em São Paulo e enviou mensagem em vídeo ao partido.
Direitistas passaram a alimentar a tese de que Lula poderia não disputar a reeleição. Nesse roteiro, o ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana (PT-CE) seria carregado pelo presidente como alternativa futura do campo lulista.
A especulação existe porque Camilo tem trânsito no governo, boa relação com Lula e perfil administrativo bem avaliado dentro do PT. Mas uma coisa é discutir sucessão futura; outra é afirmar que Lula desistiu da urna de 2026.
O dado público vai no sentido oposto. No vídeo exibido aos petistas, Lula disse que será presidente outra vez e cobrou militância nas ruas, com panfletagem, conversa direta e presença nos bairros.
A frase funcionou como senha política para o congresso. Lula não tratou 2026 como hipótese distante. Tratou como campanha em preparação, com partido, palanques e alianças já em movimento.
O PT também usa o número de 90% para pressionar aliados. Quem quiser estar no campo de Lula terá de entrar na engrenagem antes do fechamento das chapas, das convenções partidárias e da distribuição dos espaços majoritários nos estados.
A disputa central, para o partido, não é apenas lançar Lula. É organizar a base estadual para impedir que a direita transforme a eleição numa soma de batalhas locais desconectadas do projeto nacional.
Edinho sabe que a campanha de 2026 será decidida em duas frentes. A primeira é a defesa do governo Lula. A segunda é a montagem de palanques competitivos o bastante para enfrentar o bolsonarismo nos estados.
Por isso, os 90% anunciados pelo PT têm valor político. O número tenta passar a imagem de comando, antecipação e unidade. Também serve para enquadrar a militância depois de meses de cobrança por mais presença do partido nas ruas.
A direita aposta em dúvida, idade e desgaste. O PT aposta em Lula, palanque e estrutura. A eleição ainda não começou oficialmente, mas o partido já quer convencer o país de que sua campanha deixou a fase do ensaio.
Lula entra em 2026 com o PT tentando provar que aprendeu a organizar a própria força. A campanha pode estar 90% montada, mas a prova real virá quando palanque virar voto.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app ou entre no grupo de leitores.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




