Direita usa avó fake contra Lula e cai no TSE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou alvo de uma personagem política criada por inteligência artificial, apresentada como “Dona Maria”, e o caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelas mãos do PT, do PV e do PCdoB. A ação mira a suspensão dos perfis da avatar nas redes sociais.

A personagem tem aparência realista de uma mulher idosa e negra. Ela aparece no Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X, com mais de 740 mil seguidores apenas no Instagram.

A direita entrou na fase da avó fake.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, afirma que o perfil atua contra Lula, figuras da esquerda e o Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto elogia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A representação também fala em anonimato, propaganda política irregular e divulgação de desinformação.

A peça aponta exemplos como dados falsos sobre o Pix, frases atribuídas a Lula de forma deturpada e até a invenção de um imposto para catadores de latinhas. Esse imposto não existe.

O ponto político é maior que um perfil de rede social.

A eleição de 2026 entrou na fase da militância sintética, com personagens fabricadas para parecerem gente comum, falar como eleitor real e produzir vínculo emocional com milhões de pessoas. O problema não é só usar inteligência artificial (IA). O problema é usar IA para simular confiança humana sem deixar isso claro.

O TSE já tratou o tema como risco eleitoral. Em 10 de abril de 2026, o tribunal informou que conteúdo sintético, ou seja, texto, áudio, vídeo ou imagem criado ou alterado por IA, precisa ter aviso explícito, destacado e acessível quando usado em propaganda eleitoral.

As regras também preveem remoção imediata de conteúdo irregular e multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil quando houver descumprimento. O TSE afirma ainda que provedores devem agir para cessar impulsionamento, monetização e acesso a conteúdo ilícito quando forem informados.

Essa é a fronteira nova da disputa política.

Até 2022, a mentira eleitoral dependia de montagem tosca, corrente de WhatsApp e corte malicioso de vídeo. Em 2026, a mentira pode ganhar rosto, idade, voz, rotina e sotaque. Pode virar personagem de estimação do algoritmo.

O caso também conversa diretamente com um alerta editorial do Blog do Esmael: imagem inventada de pessoa pública, rosto fabricado e personagem visualmente manipulada não são detalhe estético. São ferramentas políticas capazes de confundir o leitor, sequestrar confiança e empurrar propaganda sem autor visível.

A Federação pede ao TSE a suspensão imediata e a remoção integral dos perfis da “Dona Maria”. Também quer medidas para impedir nova circulação de conteúdo igual ou equivalente e a identificação dos responsáveis pelos perfis e pela monetização.

O caso ainda será decidido pela Justiça Eleitoral.

Mas a disputa já deixou um recado: a eleição não será travada apenas entre partidos, candidatos e palanques. Também será disputada por avatares, perfis anônimos e máquinas treinadas para parecer gente.

A democracia brasileira vai precisar distinguir militância real de boneco digital antes que o eleitor descubra tarde demais que estava discutindo política com uma fabricação.

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