O Estreito de Ormuz voltou a pressionar diretamente o bolso do brasileiro nesta quarta-feira (22). Três embarcações relataram disparos na travessia, a circulação segue muito abaixo do normal e o petróleo voltou a subir, recolocando no radar o risco sobre diesel, frete e inflação.
Uma das embarcações, de bandeira liberiana, teve danos na ponte após tiros e granadas propelidas por foguete a nordeste de Omã. As outras duas também relataram fogo contra os navios perto da costa iraniana. As tripulações, segundo as autoridades marítimas britânicas e fontes de segurança, saíram ilesas.
O estrangulamento da rota já vinha desde segunda-feira (20). Naquele dia, dados de rastreamento mostraram só três travessias em 12 horas, quando o normal antes da crise era algo perto de 130 navios por dia. Na terça-feira (21), passaram apenas três embarcações em 24 horas, contra uma média anterior de 140 diárias. Centenas de navios e cerca de 20 mil marítimos seguem retidos no Golfo.
O tamanho do problema explica o susto do mercado. A Agência Internacional de Energia (IEA) informa que, em 2025, Ormuz escoou em média 20 milhões de barris por dia de petróleo e derivados, cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) estimou que, em 2024, cerca de 20% do comércio global de gás natural liquefeito (GNL) também cruzou esse estreito.
Com tiros na água e tráfego travado, o barril reagiu. O Brent voltou a superar US$ 100 nesta quarta-feira (22). Na segunda-feira (20), já havia fechado a US$ 95,48, alta de 5,64% no dia, depois da nova escalada na região.
No Brasil, esse repasse já começou a aparecer antes mesmo do novo ataque desta quarta-feira (22). Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses subiu para 4,14%, puxado por transporte e combustíveis; a gasolina avançou 4,59% no mês, e o próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a Reuters, apontou que a incerteza geopolítica internacional já estava sendo sentida nos preços.
Traduzindo para a vida real: quando Ormuz trava, o petróleo encarece, o diesel entra em pressão, o frete sobe e a inflação encontra mais um empurrão. Se a rota continuar sob disparos e bloqueios, o choque deixa de ser assunto de geopolítica e volta a aparecer na bomba, no caminhão e na prateleira do supermercado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




