Técnica acusa Magno Malta de agressão em hospital

O senador Magno Malta (PL-ES) foi acusado por uma técnica de enfermagem de agressão durante atendimento no Hospital DF Star, em Brasília, e nega a acusação. A profissional registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal; o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do foro privilegiado do parlamentar.

Segundo o relato feito à polícia, a técnica conduziu Magno Malta para a sala de exame, fez a monitorização e preparou o acesso para a aplicação de contraste em uma angiotomografia.

O procedimento foi interrompido depois que o equipamento apontou oclusão e aumento de pressão. A técnica voltou à sala e constatou extravasamento de contraste no braço do senador.

Ela afirmou no boletim que, ao se aproximar para fazer compressão no braço de Magno Malta, teria recebido um tapa no rosto. O relato também aponta que os óculos da profissional teriam entortado e que ela teria sido chamada de “imunda” e “incompetente”.

Magno Malta nega ter agredido a profissional.

A defesa do senador afirma que houve erro técnico no exame, com extravasamento de contraste, hematoma e risco clínico. Segundo os advogados, o parlamentar estava medicado, com dor intensa e reagiu ao sofrimento físico, “não à pessoa da técnica”.

O senador também registrou ocorrência policial.

No documento, pediu a preservação das imagens das câmeras de segurança do hospital, especialmente da sala de exame e das áreas próximas, além da oitiva da equipe médica e dos profissionais presentes.

O Hospital DF Star informou que abriu apuração administrativa e que presta suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão. A unidade também disse estar à disposição das autoridades.

O caso desloca uma denúncia de ambiente hospitalar para o centro do poder em Brasília.

De um lado, uma trabalhadora da saúde afirma ter sido agredida enquanto prestava atendimento. Do outro, um senador da República nega a agressão, aciona a polícia e passa a responder ao caso sob a blindagem institucional do foro.

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal repudiou o caso e afirmou acompanhar a investigação. A entidade disse que violência contra profissionais de saúde não pode ser tolerada e deve ser tratada com rigor.

A investigação terá de separar dor, erro técnico e responsabilidade penal.

O ponto central é simples: uma técnica de enfermagem formalizou uma acusação de agressão contra um senador; Magno Malta nega; o hospital apura; a polícia investiga; o STF entra no circuito por causa do cargo.

Poder público não pode transformar jaleco em alvo fácil nem mandato em escudo automático.

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