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Chuva acima da média no Paraná cobra explicação da Sanepar

O governador Ratinho Junior (PSD) decretou emergência hídrica por 180 dias no Paraná, mas o dado novo do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) desmonta o álibi fácil da seca: em abril de 2026, 29 das 42 estações avaliadas tiveram chuva acima da média histórica.

A palavra estiagem explica uma parte da crise.

Não explica tudo.

O decreto estadual cita que 69% dos 291 pontos de captação monitorados operam fora da normalidade. Do total, 52,58% estavam em “rio baixo” e 16,49% em estiagem, segundo o próprio texto informado ao mercado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

Esse dado sustenta a emergência. Mas não autoriza empurrar toda a conta para a natureza.

O próprio governo registrou que abril terminou com chuva acima da média na maior parte do Paraná. O Simepar também apontou que os volumes vieram depois de vários dias secos e em pancadas fortes entre 26 e 30 de abril.

A pergunta que sobra é simples.

Se chove acima da média em boa parte do estado e ainda assim falta água nas torneiras, o problema mora também na captação, nos reservatórios, nas redes, na distribuição e na prioridade dada ao investimento.

A Sanepar divulgou investimento recorde de R$ 2,7 bilhões em 2025. Desse total, R$ 810 milhões foram para o sistema de água e R$ 1,48 bilhão para esgoto. A empresa também informou lucro líquido de R$ 2,1 bilhões no ano.

O número precisa entrar no debate público.

Empresa pública de saneamento não existe para virar máquina de conforto de acionista enquanto consumidor paga tarifa cara e recebe torneira seca.

Na Assembleia Geral Ordinária de 29 de abril de 2026, a Sanepar aprovou a destinação de lucros na forma de juros sobre capital próprio, uma remuneração paga aos acionistas, no valor informado por extenso como R$ 585,27 milhões, com pagamento previsto para 26 de junho de 2026.

A companhia também anuncia um plano de R$ 13,077 bilhões para o ciclo 2026-2030, com R$ 2,6 bilhões previstos para obras de água e esgoto em 2026.

Ótimo.

Então a fiscalização precisa sair do release bonito e chegar à ponta: quanto vai para nova captação, quanto vai para reservação, quanto vai para troca de rede velha, quanto reduz perda de água e quanto fica preso na lógica de lucro.

O consumidor paranaense não pode ser tratado como culpado único pela crise.

Economizar água é dever civil.

Mas pagar caro por um serviço essencial e ouvir que a culpa é só da estiagem, quando a maior parte das estações mediu chuva acima da média em abril, já virou abuso político.

O Paraná tem rios, bacias e capacidade técnica. O que falta é transparência sobre a fila real das obras que evitariam colapso quando o clima aperta.

A crise hídrica deixou de ser assunto de meteorologia e virou assunto de governo, tarifa e escolha de caixa.

A Sanepar deve explicar por que o paranaense paga como investidor e sofre como refém do rodízio.

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