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Paraná ainda não comprou o sucessor de Ratinho

O governador Ratinho Junior (PSD) tem 80% de aprovação no Paraná, mas a pesquisa Genial/Quaest mostrou o buraco central da sucessão: 84% dos eleitores não citaram espontaneamente nenhum nome para o Palácio Iguaçu. O governo tem dono. O sucessor, ainda não.

O levantamento foi contratado pelo Banco Genial, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo PR-02588/2026, ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 25 de abril de 2026, em entrevistas presenciais, e tem margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança.

Na espontânea, quando o eleitor responde sem receber lista de nomes, o senador Sergio Moro (PL) aparece com 8%.

O deputado estadual Requião Filho (PDT) tem 2%.

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) e o deputado federal Sandro Alex (PSD) aparecem com 1%.

O dado desmonta a tese de sucessão resolvida.

Ratinho Junior escolheu Sandro Alex como nome do grupo político para disputar o governo do Paraná em 2026. A decisão deixou Guto Silva no retrovisor e empurrou Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), para a disputa ao Senado.

Aparentemente, o campo governista entrou em calmaria.

Só aparentemente.

No Centro Cívico, o signo dominante é a desconfiança.

Parlamentares da base do Palácio Iguaçu olham para a aprovação de Ratinho Junior, olham para a espontânea da Quaest e enxergam o mesmo problema: o governador é forte, mas Sandro Alex ainda não virou voto.

Esse é o drama real da base.

Sandro Alex carrega a marca da infraestrutura. Foi secretário estadual, esteve ligado às rodovias, aos leilões, às obras e à Ponte de Guaratuba.

Mas a eleição de 2026 não será decidida apenas por imagem de obra.

Na pesquisa estimulada, com os nomes apresentados ao eleitor, Moro lidera com 35%, Requião Filho marca 18%, Greca aparece com 15% e Sandro Alex tem 5%.

Em outro cenário, sem Greca, Moro sobe para 42%, Requião Filho vai a 24% e Sandro Alex chega a 6%.

A diferença entre a aprovação do governo e o desempenho do candidato oficial explica a tensão.

Ratinho Junior tem máquina, prefeitos, deputados, obras e popularidade.

Sandro Alex tem a bênção do governador, mas ainda não tem recall suficiente para assustar Moro. O ex-juiz da Lava Jato gostou da nova escolha de Ratinho.

A própria Quaest mediu esse desencaixe.

Para 64% dos entrevistados, Ratinho Junior merece eleger o sucessor. Ainda assim, 82% disseram não saber quem será o candidato apoiado pelo governador na disputa estadual.

A frase que circula na base, sem assinatura pública, é simples: se o eleitor aprova Ratinho Junior, por que ainda não reconhece Sandro Alex?

Essa pergunta incomoda deputados estaduais, prefeitos aliados e operadores do governo.

Não por acaso, Curi aparece resignado, mas não irrelevante.

O presidente da Alep foi indicado por Ratinho Junior para o Senado depois de ensaiar voo próprio ao Palácio Iguaçu. Aceitou o lugar na chapa, mas sua força parlamentar continua sendo peça cara no arranjo governista.

A resignação de Curi não elimina o cálculo dos deputados.

Se Sandro Alex não crescer, quem puxa a base?

Se Moro continuar na frente, quem segura prefeitos e parlamentares no palanque oficial?

Se o pedágio virar vidraça, quem paga a conta eleitoral? Não é de somenos que Sandro Alex é chamado de “Rei dos Pedágios” entre os próprios governistas.

Essas perguntas explicam o clima tenso, quase dramático, no Centro Cívico.

O Palácio Iguaçu tenta vender ordem.

A Quaest entregou dúvida.

Guto Silva, antes tratado como opção natural do governo, ficou para trás depois de não empolgar nas pesquisas. Sandro Alex virou o escolhido. Curi foi deslocado para o Senado. A base, porém, ainda não viu a transferência de voto acontecer.

Esse é o ponto que separa aprovação de poder eleitoral.

Ratinho Junior segue popular.

Mas o Paraná ainda não comprou seu sucessor.

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Cleber Mata, o estrategista por trás das decisões de Ratinho Júnior
Cleber Mata, o estrategista por trás das decisões de Ratinho Júnior

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