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Haddad chama empate Lula-Flávio de lavagem cerebral

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) chamou de “lavagem cerebral coletiva” o empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pesquisas para 2026, numa frase feita para bater na comunicação da direita e reacender a tropa lulista no Dia do Trabalhador. A declaração foi dada na sexta-feira (1º), em ato da Força Sindical, em São Paulo.

A frase tem cálculo eleitoral.

Haddad não mirou apenas Flávio Bolsonaro. Mirou a engrenagem que mantém o bolsonarismo competitivo mesmo depois da prisão de Jair Bolsonaro (PL) e da condenação por tentativa de golpe.

O petista disse que a comparação entre os governos Lula e Bolsonaro seria inadmissível. Para ele, a direita omite informação, confunde o eleitor e esconde uma agenda de venda de patrimônio público e corte de direitos sociais.

O problema para o lulismo é que o número existe.

Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de abril mostrou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 45% em eventual segundo turno. Pela margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado é empate técnico.

Antes disso, a AtlasIntel/Bloomberg já havia colocado Flávio Bolsonaro com 46,3% e Lula com 46,2% em simulação de segundo turno, também em empate técnico. O levantamento ouviu 4.986 eleitores entre 19 e 24 de fevereiro e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07600/2026.

A fala de Haddad revela a dor real do campo lulista.

Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas o filho do ex-presidente preso. Virou, nas pesquisas, o nome capaz de levar Lula ao limite no segundo turno.

A reação do ex-ministro tenta transformar 2026 em guerra de narrativa. De um lado, Lula busca colar sua campanha em emprego, salário, direitos sociais e fim da escala 6×1. Do outro, Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome do pai, mas tenta vender uma embalagem menos agressiva ao eleitorado de centro.

Haddad também prometeu fazer campanha em “escala 7 x 0” pela reeleição de Lula. O trocadilho saiu no mesmo ato em que sindicalistas defendiam a redução da jornada e o fim da escala 6×1.

A frase pode energizar a militância, mas também oferece munição à direita.

Ao falar em “lavagem cerebral coletiva”, Haddad desloca o debate das pesquisas para o ambiente de comunicação. O risco é parecer que culpa o eleitor. O ganho é recolocar no centro da eleição a disputa sobre informação, fake news, direitos trabalhistas e memória do governo Bolsonaro.

O empate Lula-Flávio acendeu a sirene no PT. Haddad verbalizou o incômodo que muita gente no campo lulista evita dizer em público: o bolsonarismo continua vivo, competitivo e capaz de disputar o trabalhador no terreno da percepção.

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